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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

DIQUE DO TORORÓ DEFESA OU PRESENTE DA NATUREZA?

Há uma enorme controvérsia sobre  se o Dique do Tororó é normal ou artificial. Alguns historiadores afirmam que é artificial, contudo, eles próprios não apresentam provas convincentes dessa artificialidade. 

Os mais contundentes dizem que foram os holandeses que aqui estiveram por apenas um ano, os autores dessa maravilha que hoje encanta o mundo.

Na minha modesta opinião, afirmo categoricamente que não foi.  Não tiveram nem tempo de “conhecer” a cidade, quanto mais construir uma lâmina d’água aos fundos da cidade, ou seja, do lado contrário ao mar. Para que? Seus navios não tinham como navegar nesse espelho de água doce. Por onde passariam? Os portugueses, também não. Certamente estavam mais preocupados com o abastecimento de água e até de hortaliças onde a área era pródiga ou se tornou pródiga do que mesmo a  questão da proteção da cidade. 

Aliás, muito pelo contrário, essa lâmina d'água ao fundos de Salvador, era em si mesma uma proteção natural. Mar na frente, lagoa atrás: uma dádiva de Deus.



 A Salvador bem protegida

E como se formou essa lâmina de água de cerca de 110 mil metros cúbicos? Dos rios que se dirigem em sua direção, principalmente o Rio das Tripas, com nascente nos terrenos do Mosteiro de São Bento. Algum abastecimento deveria vir de águas que desembocam no Rio Vermelho.

E o que aconteceu com tanta água provinda de ambos os lados? Estamos no principio do século passado. Salvador passava por grandes transformações urbanas. Pensava-se nos bondes. De logo a Baixa dos Sapateiros por onde corre o Rio das Tripas, foi incubado. Antigos moradores da área, pela própria internet, se dispuseram  a afirmar que a lâmina d'água ia próximo à subida para o Campo Grande, como melhor referência.
Há de se reparar as construções ao fundo da foto. Era a Salvador do Campo Grande e adjacências.

Se havia uma preocupação digamos técnica, seria mais para conter o excesso de água que lhe chegava, principalmente do Rio das Tripas até se encontrar com Rio Camarajipe nas proximidades do Iguatemi;.

Este rio tomava toda a Baixa dos Sapateiros bem como  a Rua Djalma Dutra e chegava até a Fonte Nova e daí até as margens do Dique do Tororó  era um pulo.

A partir dai havia um rebaixamento do solo que se estendia até as proximidades do Campo Grande. Formava-se, então extensa lâmina de água de cerca de 110 mil cúbicos.

Como poderia ter sido

Como é atualmente

Demarcado

Antigos moradores do local atestam ainda hoje essa extensão pela internet. Por volta dos anos 1830, a região começou a ser urbanizada. Em 1862, a Rua da Vala foi completamente aterrada e, em 1865, tornou-se a primeira grande avenida de vale da Cidade.

Hoje, o Rio das Tripas passa, em grande parte, por dutos no subsolo, integrado à rede de saneamento.
A Baixa dos Sapateiros estende-se da Barraquinha ao Aquidabã. Desde o final do século 19, é um local de intenso comércio. Vários artesãos de calçados, os sapateiros, trabalhavam lá e existiam também armarinhos e lojas que vendiam produtos primários para os artesãos, como artigos de couro. Esse tipo de comércio envolvia também parte da Ladeira do Tabuão.

A Rua da Vala passou a se chamar rua J. J. Seabra, em homenagem ao ministro da Viação e Obras Públicas, de 1910 a 1912, e presidente da Bahia, em dois períodos: 1912 a 1916 e 1920 a 1924. No século 20, abrigou três grandes cines-teatro da cidade: o Jandaia, o Tupy e o Pax.

E ai chegaram os bondes. Iam até o Aquidabã. O que fazer para alcançar a Fonte Nova. Aterrou-se também a referida rua e chegando à Fonte Nova não tiveram dúvida em aterrar parte do dique pela esquerda para alcançar o Rio Vermelho.No lado direito já vicejavam as hortas.






Baixa dos Sapateiros


Aterro para a passagem dos bondes

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