ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O RÉVEILLON DA PRAÇA CAIRU

Este ano o réveillon de Salvador será realizado na Praça Cairu em razão das obras que estão sendo feitas na Barra. É um local belíssimo, possivelmente, o melhor cartão postal de nossa cidade.

Nunca se pensou nesse local para uma festividade dessa natureza, contudo, ele tem todas as condições de se tornar um sucesso e talvez abra condições de novas festas, como o Carnaval.

De uma coisa, entretanto, temos quase certeza. Mesmo que a Barra volte a fazer o réveillon do próximo ano, a Praça Cairu se tornará um dos locais para o grande festejo.

De uma forma ou de outra, ou as duas, Feliz Ano Novo para todos.







Destaques: Monumento de Mario Cravo- Mercado Modelo e Elevador Lacerda

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A HISTORIA DOS BALEIROS DE ANTIGAMENTE

Esta semana uma determinada pessoa nos pediu uma foto dos antigos baleiros de Salvador, chamados também de queimadeiros, de queimados, (doces, balas e caramelos).

Não sabemos para que ele queria. Talvez escrever sobre as profissões de antigamente e que hoje não mais existem como é o caso específico do baleiro, do amolador de tesouras e facas, do fotógrafo lambe-lambe, do verdureiro, do leiteiro, do peixeiro,  este dois últimos vendendo de porta em porta e tantas outras que os tempos modernos extinguiram.


Fotógrafo Lambe-Lambe



Foi difícil achar uma foto de baleiro, mas ao final conseguimos:

Três baleiros- Um recostado a um poste e dois outros com o pé sobre a calçada. Todos os três amenizam o peso da cesta na perna dobrada. 

Diríamos mais que houve uma transformação ou substituição.  Por exemplo, no caso dos baleiros que atuavam principalmente nas portas dos cinemas de rua (desde que agora a moda é o cinema de shopping), foram substituídos pelas modernas e luxuosas bombonières na ante- sala de cada um que também serve pipocas e refrigerantes  e em determinado caso, há pouco foi inaugurada uma sala que também serve vinho ou champagne com tira-gostos e garçom à rigor, enquanto os foguetes parecem sair da tela em sua direção e quando chove no filme os exaustores expelem vapor de água sobre a platéia.

Mas voltando ao nosso baleiro ou queimadeiro, eram reunidos por determinadas famílias da classe média. Geralmente, eram rapazes de 15 aos dezoito anos. A dona comprava os produtos no atacado de doces e caramelos e vendiam no varejo através dos baleiros.

Esses portavam uma cesta de vime com alça e em razão do peso usavam também uma correia de couro passada pelos ombros, a fim de livrar as duas mãos.

O formato da cesta é mais ou menos o indicado pela seta

Depois de arrumadas as cestas ficavam atraentes, coloridas e desejadas

Dirigiam-se às portas dos cinemas, mas também vendiam nos abrigos de bondes.

Era um negócio que devia dar um lucro razoável em se constatar que muitas famílias adotaram o sistema.
E como era feito o controle das vendas? Cada baleiro recebia determinada quantidade de balas (unidades), drops, chocolates em tabletes, etc. etc.

No retorno dos seus pontos de venda, apresentavam a cesta e a proprietária (o) contava o que sobrou, item por item, e a diferença era o que foi vendido pelos preços estabelecidos. A remuneração dos pequenos profissionais era um proporcional sobre as vendas.

Saliente-se também que quase todos eles almoçavam com a senhoria. Geralmente era um feijão esperto com algum pedaço de carne sertão e choiriça. Nesse sentido, diz-se até que muitos entravam na profissão pela garantia daquela refeição.



Um dia, porém, um determinado baleiro metido a esperto resolveu consultar os preços dos produtos em um atacadista do ramo. Constatou que a senhoria tinha um lucro absurdo. Era 100% a diferença de preço. Pensou! E se ele ao vender um produto de sua cesta e antes da conferência na casa da senhoria, comprasse o mesmo no atacado e o colocasse na cesta, teria o ganho do produto substituído, além da comissão que ela pagava do restante. Um manjar! Como não havia pensado nisto antes?! Espalhou a boa nova aos demais companheiros. Todos começaram a fazer a mesma coisa. Disseminou-se a prática. O resultado foi catastrófico para as donas do negócio. Desconfiaram! Consultaram os atacadistas. Esses tiveram que confessar que efetivamente, muitos baleiros estavam comprando os produtos em seu balcão. Já havia proibido a venda a eles,  mas  usavam pessoas outras que não eram baleiros e ficava difícil o controle.

Moral da história. O negócio dos baleiros acabou. A feijoada não seria mais feita. Muitos ainda tentaram uma autonomia, mas na sua grande maioria, todos fracassaram e a profissão teve um fim melancólico. 



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A DECREPITUDE SOCIAL DE ITAPAGIPE

Um grande amigo, Dr. Sérgio Netto, assíduo leitor deste blog, nos fez uma consulta interessante de relação “a decrepitude de que tanto o pessoal de lá como a área como um todo entrou em decadência social” referindo-se a Itapagipe de hoje. Esta indagação foi feita por outro amigo de velhos tempos, Jairo Sollinger. Ai Sérgio jogou a bola para "nosoutros." 

Vamos tentar explicar: Inicialmente, a Itapagipe dos anos 30/50 era como que uma estação de veraneio. Entre os meses de dezembro e fevereiro de cada ano, mesmo nas festas juninas que se estendiam por todo o mês de junho, muitas famílias moradoras da Graça, Vitória, Canela e certas partes do centro alto da cidade, costumavam veranear em Itapagipe entre Monte Serrat e Penha. Até mesmo as autoridades como que transferiam a direção da cidade para a península: os governadores costumavam veranear no Solar Maeback no  Bonfim e o arcebispo ia descansar na “anexo” da Igreja da Penha.

 Inicialmente, alugavam casas de moradores, mas aos poucos foram construindo as  suas próprias residências que seriam hoje chamadas de  “casas de praia”. Fizeram-se verdadeiras mansões, às vezes superiores às que moravam na Cidade Alta.


Solar Marback no Bonfim

Solar Amado Bahia nos Tainheiros

Outro na Ribeira

No Poço

 Com a melhoria dos transportes, pessoal e urbano, muitas se transferiam em definitivo para a península. Itapagipe que era no seu todo um bairro classe C ou mesmo D, foi se transformando num verdadeiro bairro classe A, naturalmente com seus bolsões pobres como é o caso da maioria das cidades brasileiras. O Rio de Janeiro, ainda hoje, é um grande exemplo dessa forma de cidade. Ao lado dos mais belos bairros da cidade carioca, uma ou mais favelas nos morros do seu contorno.

Então, quem viveu naquele tempo de Itapagipe dos anos 30/50 onde a melhor elite da cidade começou a residir, definitivamente ou não, haverá de estranhar o padrão social dos dias de hoje, tanto humano quanto material.

O limite dessa grande modificação deu-se a partir dos anos 40 quando ocorreram as grandes invasões da Enseada dos Tainheiros, a primeira no bairro do Uruguai e a segunda no  Porto dos Mastros, este bem no coração da península.

E como aconteceram essas invasões? Quem foram os seus autores? Qual foi a motivação e o “modus operandi”.

No Uruguai foi o próprio governo (Prefeitura) a autora do crime ambiental. Sim! Não se modifica a natureza da forma como se fez no antigo bairro nas proximidades dos Mares. Inicialmente, nomearam o Uruguai como “lixeira” de Salvador. Isto mesmo! Lixeira! Todo o lixo produzido no resto da cidade deveria ser conduzido para o Uruguai e, diariamente, carretas e mais carretas de lixo eram jogados nas beiradas da enseada que insistia em chegar até ali. Foram aterrando-a.

Mais anteriormente, a própria Avenida dos Mares era mar; o Caminho de areia também. A Madragoa era um charco. O seu nome está a dizer. Madragoa, viveiro de caranguejos.

Acredita-se, então, que Itapagipe foi, desde aquele tempo, a lixeira de Salvador e quase todo ele, foi aterrado dessa forma. Há citações de decretos do governo estabelecendo que todo o lixo produzido na Cidade Ata deveria ser jogado na Cidade Baixa.

Para se ter uma ideia da extensão da operação, anteriormente o mar chegava às proximidades dos Mares. A própria Avenida dos Mares era mar. O Caminho de Areia também era mar. Dendezeiros. Quase tudo! A península de Itapagipe era uma lingueta. A ligação com Itapagipe se fazia unicamente pela Rua Barão de Cotegipe ou pela praia. Ainda não era calçada. Quando ela foi feita, deu nome à Estação Ferroviária da Calçada (da rua calçada).




O mapa acima tenta mostrar a extensão da Enseada dos Tainheiros - O traço azul mostra a extensão do mar antigamente. 

Quando se consolidou o terreno, fez-se o bairro com suas avenidas, um bairro enorme, mas estranhamente, a invasão do mar continuou com as chamadas palafitas, habitações sobre paus enfiados na parte rasa  dos mares e dos rios.

Foi o que veio a acontecer no Porto dos Mastros em 1953, mas com enormes reflexos no veraneio que havia se estabelecido em quase toda a península. A vista, a circulação do vento, a higiene como um todo, foram tirados do dia para a noite das pessoas que faziam de Itapagipe um bairro quase classe A. As mansões e solares foram abandonados ou vendidos por preços irrisórios. Todos se afastaram. No lugar estabeleceram-se pessoas de origem muito pobre, tanto das ilhas quanto do Recôncavo e mesmo de bairros afastados do centro de Salvador. Agravando a situação, a ocupação se deu de forma desordenada, sem nenhum critério urbanístico, sem nada. Não foi pior, ou seja,  não tomou toda a Enseada dos Tainheiros, em razão da existência no local de um canal de uma boa profundidade. Não fosse ele e teria havido a união da península ao continente do lado de Lobato e Santa Luzia. Não teríamos, por exemplo, as hoje dezenas de marinas que dão à Itapagipe ares mais confortáveis de vida.

É esta gente que hoje habita Itapagipe: sem instrução, com pouquíssimo recurso financeiro, sem nada. Consequentemente, veio a degradação tanto humana quando material da bela localidade, desde que, somente 10 anos após, tratou-se de aterrar com areia o local e se fez algum trabalho de saneamento básico.

Agora, faz-se uma reforma total de grande parte de suas avenidas à beira-mar, mas não se espera que a questão social se modifique. A nova situação social veio para ficar.






terça-feira, 17 de dezembro de 2013

FITAS BRANCAS DO SENHOR DO BONFIM

Recentemente noticiou-se que uma indústria baiana vai fabricar exclusivamente fitinhas do Senhor do Bonfim brancas.  Elas terão os escritos dourados.



Foi um “Deus nos acuda” ou “Senhor do Bonfim nos ajude”, conforme ditos populares em situações difíceis.
Não é bem assim!  As fitinhas brancas têm a sua beleza, principalmente com o contraste dourado das letras. Também é inegável o seu realce em meio à profusão de fita de cores.

- Estamos a dizer que o branco não é uma cor?

- Exatamente. O Branco não é uma cor, da mesma forma que o preto. Vejam o que já se escreveu a respeito:

preto não é uma cor e sim um indicador de que ali não há cor. Vejam bem: os objetos recebem a luz branca que, na verdade, é composta pelas sete cores do arco-íris. Absorvem todas menos uma que é refletida. Essa é a cor que você vê. Por exemplo, o tomate absorve todas menos o vermelho, que é a que vemos e assim por diante. Os objetos pretos absorvem todas as cores (que vem em formato de ondas com diferentes frequências) por isso você não enxerga nenhuma delas e se diz por isso que o preto não é uma cor e sim a ausência das cores.

Já o branco é exatamente o contrário, ou seja, não absorve nenhuma cor e reflete todas. Você vê todas elas, compostas, no formato de luz. Logo, o branco também não é uma cor e sim a presença de todas elas.”

E aí, como ficamos de relação especificamente ao branco, desde que ele é a “presença de todas as cores”? Logo, temos que apoiar a ideia da industria baiana que, mesmo sem querer, estamos crendo, começa a fabricar aquela fita que tem em si a presença de todas as demais cores.

Por outro lado, há um detalhe importante nessa fabricação. Termina a exclusividade paulista de fabricação das fitas do Senhor do Bonfim. Por essa razão tentaram até denegrir as tradicionais fitinhas dizendo que “elas nem na Bahia são fabricadas”. (São feitas por uma indústria localizada em Campinas de nome Fita Textil”.)

Agora não! A Bahia inicia a fabricação de uma fita branca que representa todas as outras cores. Tem essa abrangência. É forte. Será um sucesso! É de Oxalá.


domingo, 15 de dezembro de 2013

VERÃO SEM A BARRA E ITAPAGIPE

Desde a retirada das barracas de praia de todas as praias de Salvador, diversos setores têm se pronunciado sobre essa medida, uns a favor e outros contra e até alguns que não sabem o que dizer, isto é, aqueles que gostam de ficar em cima do muro ou estão estupefactos. 

O principal argumento para a sua radical retirada foi que elas estavam instaladas na areia, tomando o espaço dos banhistas.

Em tese, se estivessem no passeio, não haveria nenhum problema e tanto isso é verdade que, no presente momento, a Prefeitura cogita instalar 200 novas barracas nessas condições.

Sinceramente, estamos ávidos para conhecer o modelo das mesmas. Em cima de passeio? Não deverá ser grande coisa. Será que são aqueles toldos brancos sem graça?

Essa celeuma já dura alguns anos e enquanto isto, ocorre algo pior do que as próprias barracas: os comerciantes do ramo montaram como que uma “central” de isopores com uma pequena cobertura  e espalharam mesas e cadeiras por toda a praia, ou seja, o domínio continuou só que em piores condições do que antes. (Às vezes alcança a beirada do mar)

Praia do Bugari - Praticamente toda a praia.

Em nosso modo de ver, a invasão da praia continua só que em maior extensão e qualidade duvidosa.

Se o argumento para a supressão das barracas de praia foi o fato delas serem instaladas na areia e não em "terra", isto também acabou, desde que os toldos instalados na Penha e no Poço, em Itapagipe, longe da areia, foram todos demolidos.


Toldos do Poço e da Penha


Demolidos!

Mesmo assim a "baiana" montou o seu negócio

A verdade é a seguinte: o baiano que gosta de praia, de tomar sua cerveja e comer seu caranguejo, está ferrado nesse verão. Não tem a Barra em obras durante todo o verão e também não terá Itapagipe, cujas obras ainda vão durar pelo menos um ano. Está muito lento o trabalho na península. 

Já surgem setores da imprensa  dizendo que o Prefeito quer fazer tudo de uma vez só. Foram tantos anos sem que nada se fizesse que realmente dá uma vontade de consertar tudo da noite para o dia. Não há condições técnicas nem tempo para tanto. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

PERIFÉRICOS PARA SALVADOR

Nas eleições nos ano de 1990 o então candidato à Prefeito, Pedro Irujo, apresentou um projeto para a construção de teleféricos em diversas partes de Salvador. Se fosse eleito, ele o faria. Foi ironizado por diversos setores da imprensa e demais candidatos. Teleféricos em Salvador, cidade dos elevadores e planos inclinados.!? Este cara deve está maluco!


Sr. Pedro Irujo
Hoje se sabe que existe um projeto de autoria dos escritórios AAP Arquitetura e Urbanismo (Salvador) e Brasil Arquitetura (São Paulo) denominado Nova Cidade Baixa onde se prevê a construção de diversos periféricos: um deles com 1.3 quilômetros ligando o Largo dos Aflitos ao Museu de Arte Moderna (MAM); ou outro com cerca de 570 metros articulando o Largo de Santo Antônio até onde é hoje o quartel dos Fuzileiros Navais e mais um outro articulando  a Liberdade com o Terminal Marítimo, afora outras combinações.

Projeto dos periféricos para Salvador

Em verdade, demorou muito para que se pensasse com maturidade nesse meio de transporte para Salvador, uma cidade como que típica, feita, para Periféricos, como é para elevadores e planos inclinados, felizmente percebidos muitos anos atrás.

E não se diga que os periféricos sejam uma novidade em nossa terra. Estão aí os periféricos da Vitória, ligando os grandes edifícios dessa via ao mar para deleite dos seus moradores. Não deixa de ser um exemplo a ser seguido em outras partes da cidade onde as construções são em cima do morro (Santo Antônio, Lapinha, Liberdade, São Caetano, etc.)

Corredor da Vitória - Periféricos em toda a sua extensão

Um dos periféricos da Vitória

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

OS PADRES CARMELITAS DESCALÇOS FORAM OS CONSTRUTORES DA CASA AMARELA DE MARIA BETHANIA

Após intensa busca visando encontrar vestígios sobre a origem da Casa Amarela da V. Visconde Mauá, estamos concluindo que teriam  sido os padres da Odem Carmelitas Descalços os possíveis construtores da Casa Amarela no alto da Av. Contorno.

Inicialmente, confunde-se muito a Ordem a que esses padres pertenceram. Por exemplo, como foram eles os construtores do Convento de Santa Tereza, alguns setores os chamam de “Padres Teresios ou Teresius.   Não existiu essa Ordem.

Em verdade, esses padres pertenciam à Ordem dos Carmelitas Descalços. Chegaram à Bahia com destino a Angola para construir nesse País um convento por ordem do Rei de Portugal. Daqui embarcariam para a África, contudo, ficaram retidos em Salvador durante 8 meses Com a demora resolveram construir o convento em Salvador do que resultou o nosso Convento de Santa Tereza.

Convento Santa Tereza

Carmelitas descalços

Admite-se então que, enquanto se construía o Convento, esses padres construíram ali perto a Casa Amarela, em meio a uma grande mata até hoje existente. Precisavam de um lugar para morar.

Casa Amarela

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ATÉ QUANDO O NOVO CAIS DA MARINA VAI PERMANECER NO LOCAL?

Continua o impasse do novo cais que a Bahia Marina está fazendo a partir do Restaurante Amado, sufocando a praia da Preguiça ao lado.


Não se sabe como essa empresa conseguiu o Alvará para a construção de uma lingueta horrorosa e um prolongamento lá fora, dando sequência a um cais já existente.
Num estágio mais avançado

Nota: gostaríamos de saber como os moradores do Flat adiante estão achando da nova vista? Antes tinham a praia como uma vista não diríamos privilegiada, mas sem dúvida que uma vista de praia. Melhor do que um monte de pedras prolongando-se mar à dentro. Deve ter havido alguma desvalorização, ou não? Seria importante um pronunciamento de algum morador desse Flat, desde que, a depender dos moradores do local, a gente mais pobre, nenhum tem o necessário recurso financeiro para bancar um embargo. Requer advogado, essas coisas. Deve ter até alguém que estaria gostando, desde que não percebe a extensão da coisa., Infelizmente. Mas quando a praia estiver fechada, todos eles vão sentir a diferença, inclusive o cheiro da gasolina das lanchas que ficarão próximas e até os dejetos provenientes delas. Este cheiro pode chegar ao Flat. Cuidado!

Como já comentarmos anteriormente, ao tempo da construção da atual Marina, ela tomou grande parte da praia ali existente que fazia parte da Enseada da Preguiça. Restou um pedacinho como lembrança de um lugar histórico de Salvador. E este pedacinho que estamos a nos referir.

Como já se sabe, quando Tomé de Souza aportou na Barra – Praia do Porto – chamada Vila Velha, em não achando segura a permanência de suas naus nesse local, transferiu  as mesmas para a então Enseada da Preguiça (Vê nossa postagem sobre o assunto, dias atrás).

Se não bastasse tanto, esta mesma empresa náutica, promove a extensão de posse com novo cais à partir do Restaurante Amado.

Felizmente alguém entrou na Justiça com uma ação de embargo e o prolongamento do cais parou no meio. Está uma coisa horrorosa, mas ainda não se fez o necessário segundo a lei, ou seja, repor tudo como se encontrava.
Como era o local e como deverá sê-lo.

Praia da Preguiça

Deve ter tido algum recurso, desde que o “apêndice”, chamemos-lhe assim, continua na mesma situação.
Aliás, foi dessa maneira que a atual Bahia Marina foi construída: embargos e recursos até que estes últimos foram os vencedores e se construiu o equipamento.

Agora, abre-se nova disputa e recorrendo ao passado, ou melhor, dentro dos conceitos e lógicas do passado, a Marina fará seu novo cais. Vamos acompanhar.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O TESOURO DA CASA AMARELA

Uma determinada pessoa nos consultou recentemente sobre a chamada Casa Amarela que pertenceria à cantora baiana Maria Bethania. Queria saber de sua história. Até então ela sabia que esta casa teria sido construída pelos padres do Convento de Santa Tereza, conhecidos como padres Teresius e que, por esta razão admite-se ou julga-se que havia ligações subterrâneas entre o convento e a referida casa. Acrescentou ainda mais a referida pessoa: nessas ligações (túneis) existiria um tesouro que não pôde ser ainda explorado por falta de ventilações nesses caminhos misteriosos.



Naturalmente, usamos de todos os meios possíveis para encontrar uma referência sobre a dita cuja. Nada conseguimos, por enquanto.

Aí nos lembramos de Noemário Cardoso e Mary Gonçalves, esta campeã sul-americana de natação, que moraram perto na mesma Avenida Visconde Mauá, naquela que chamamos de  Mansão dos Gonçalves, já demolida.
Mansão dos Gonçalves

Sempre gentil, Noemário  nos informou que esta Casa Amarela pertenceu à duas senhoras de nome Almira e Urânia que, por sua vez venderam-na  para o Deputado Augusto Viana na mão de quem Maria Bethania comprou a residência.
Casa Amarela sinalizada


A Casa Amarela e seu entorno arborizado- Sensacional!

Casa Amarela - Ainda mais próxima


Claro que focamos inicialmente nos nomes das senhoras, mas não saímos deles. O sobrenome, seria importante, mas nada conseguimos.

Mais recentemente, localizamos o “facebook” de Maria Bethanis e consultamo-la sobre a história dessa casa, mas ainda não recebemos resposta.

Como se vê, ainda estamos bem no principio do mistério e agora estamos recorrendo às pessoas que nos leem, pedindo às mesmas que nos informe a respeito. Prometemos que se acharmos o tal do tesouro, dividiremos os achados. Antes, precisaríamos do consentimento da proprietária, segundo a lei. 



domingo, 8 de dezembro de 2013

ACESSO FÁCIL ÁS RUAS DO SHOPPING OU SORTEIO DE CARROS - EIS A QUESTÃO!

Estamos crendo que as ruas internas do Shopping Barra se não lhe pertencem por força de lei de posse das áreas em torno, pelo menos são administradas por ele, até mesmo por questões de segurança.

Isto vem a propósito do aumento do seu uso por proprietários de veículos que moram na Barra ou mesmo em outros bairros que circulam no bairro.

Em razão das obras da Avenida Oceânica, trecho  da Praia do Farol, os carros precisam dar uma volta “imensa” pela Visconde de Caravelas, alcançar o Porto da Barra, passar por um trecho já em obras nas imediações do Hospital Espanhol, alcançar a Marques de Leão (ou é Marquês de Leão?); dobrar a Miguel Burnier (Rua da Perini da Barra) e alcançar a Rua Airosa Galvão que desemboca no Cristo e daí prosseguir viagem, por exemplo, para Ondina , Rio Vermelho, etc.
É uma “volta” de quase dois quilômetros

 (RUA MARQUES DE LEÃO) Bem a propósito, todo mundo confunde o nome dessa rua. Em verdade, a grande maioria chama-a de Rua Marquês de Leão. Este marquês nunca existiu. Em verdade a rua é uma homenagem ao Almirante Joaquim Marques Batista de Leão que foi Ministro da Marinha nos anos de 1904 a 1905.

Almirante Marques de Leão

Mas voltando ao nosso périplo da Barra, tudo isto poderia  ser evitado se os carros vindos pela Frederico Shimdit subissem o acesso ao Shopping Barra e contornando o mesmo sairiam na Av. Centenário e por ai alcançando rapidamente a Airosa Galvão.


Em traço amarelo, o cidadão sai do Super-Mercado do Chame-Chame e alcança a Rua B. de Shimidt obrigatoriamente. Logo a seguir, cerca de 100 metros está uma das entradas do Shopping  Barra. Sobre a mesma e após contorná-lo alcança fácil a Av. Centenário.Rapidinho! Coisa de um quilômetro se muito. 

Já em traço vermelho, um outro cidadão segue em frente, passa pelo Jardim Brasil, vira à esquerda na Rua Belo Horizonte e alcança obrigatoriamente à Rua Marquês de Caravelas. Segue pela mesma e desemboca na Av. 7 de setembro do Porto através a Rua Barão de Itapuã onde está a Associação Atlética da Bahia; vira a esquerda obrigatoriamente, passa pelo Hospital Espanhol, Cabana da Barra e alcança a Rua Alm. Marques de Leão; vai até o seu final e no Posto Alameda, vira a direita (Rua Miguel Burnier) até alcançar a Centenário ou a praia pela Rua Airosa Galvão. São dois a três quilômetros, ou seja, 200% a 300% a mais.  

Mas o que faz a direção do Shopping. Afora os horários de funcionamento do mesmo, fecha esse acesso com barreiras impeditivas como que dizendo: . “Ninguém passa por aqui”. “Se querem moleza, procure outro lugar”; “isto aqui é particular”.

Aqui ninguém passa

De principio, não é tão particular assim;  as nossas leis dão oportunidade para várias interpretações. Fala até das origens do terreno, no caso, como o shopping começou:  era um morro, onde até numa certa ocasião uma onça se escondeu. Demoliram  o dito cujo  e surgiu um enorme descampado. Tinha as dimensões de um campo de futebol. No intermeio, a criançada andou fazendo uns babas  Neste espaço foi construído o shopping, depois aumentado em anos recentes.

Após as últimas modificações surgiram as tais das ruas que lhe dão acesso às suas garagens e lojas, mas também oferece opções de tráfego de veículos para alcance de determinadas ruas e avenidas como vimos.

Como se disse acima, é duvidosa a restrição que o shopping impõe e determina, mas independentemente de ser legal ou não, é sobretudo, antipática.

Sem dúvida nenhuma, as pessoas que tentam acessar esses caminhos que diminuem as distâncias, na sua grande maioria, são clientes do shopping. Sem eles não ter-se-iam as lojas e demais atrativos que o shopping possuem. Não é mesmo senhora ou senhor de marketing da organização?

Em nosso entendimento, aprofundando um pouco mais a questão, ele marqueteiro(a) está perdendo uma grande oportunidade para ganhar uns pontos de simpatia dos clientes em referência. Exemplo:" O Shopping Barra ajuda na circulação de pessoas na Barra". Uma boa propaganda melhor que a de oferta de carros que só uma pessoa será ganhadora. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

AS OLARIAS DE GARCIA DÁVILA E OS VELHOS BARREIROS DE MONTE SERRAT

“Os fatos históricos jamais falam por si, e sim, são sempre interpretados. Nem mesmo existem fatos consensualmente tidos como importantes: um historiador pode selecionar um evento para estudo que passe totalmente despercebido por outro, ou seja, não apenas a interpretação é pessoal, mas a própria escolha dos fatos”.

Essa é uma das teses do historiador inglês Edgar Hallet Carr que também foi jornalista e teórico de relações internacionais e um adversário ferrenho do empirismo na historiografia.

Isso vem a propósito de uma interpretação histórica de que  as primeiras casas e até prédios do governo da Salvador de Tomé de Souza, eram exclusivamente cobertas de palhas, desde que na época ainda não havia tijolos e telhas.

Não acreditamos como tal. Inicialmente argumentamos que muito antes de Tomé de Souza chegar à Bahia, essa terra já era habitada por brancos vindos da própria Portugal, como foi o caso de Francisco Pereira Coutinho aqui chegado em 1536, isto sem falar em Diogo Álvares Correia naufragado nas costas do Rio Vermelho entre 1509 e 1510.

Claro que desde aquela época, Salvador já contava com olarias que certamente fabricavam tijolos e telhas aos milhares, segundo a necessidade.

Consubstanciando o que agora se pretende provar, lembramos que a expedição de Tomé de Souza foi preparada com muito esmero. Não houve improvisações. Vejamos o que já se escreveu sobre esses preparativos:

"O inicio do povoamento do Brasil teve como modelo o dos arquipélagos atlânticos, com a divisão do vasto espaço de costa por pararelos, entregues à capitães donatário e com regimentos onde são referidas as anteriores doações insulares."
.
"Com vista à criação de um novo modelo de desenvolvimento do Brasil, já por 1529 e 1530, D. João III teria pedido pareceres vários aos seus conselheiros, inclusive ao doutor Diogo de Gouveia, então em Paris onde dirigia o Colégio Santa Bárbara, no seio de cujos alunos veio a surgir a Companhia de Jesus"

Pessoas outras se ofereceram para realizar a empreitada. Foi o caso de Cristóvão Jacques, prontificando-se a seguir com mil colonos para o Brasil e também João de Melo da Câmara, com dois mil açorianos. Tudo gente bem preparada e com larga experiência em outras plagas.

"João de Melo Câmara, filho do segundo capitão da Ilha de São Miguel resumia de uma forma direta o protagonismo insular no povoamento Era a colonização do espaço atlântico em carta datável de 1529. Segundo ele, a família Câmara era portadora de uma longa e vasta experiência nesta área, "porque a ilha de Madeira, meu bisavô a povoou (João Gonçalves Zarco), e meu avô a de São Miguel (nos Açores); Rui Gonçalves. meu tio, a de São Tomé com muito trabalho e todas do feito que vê...
Toda essa experiência acumulada dava-lhe o alento necessário e abria-lhe perspetivas para uma futura iniciativa no Brasil. O neto de João Gonçalves Zarco reclamava o protagonismo do avô, primeiro capitão donatário de Funchal, no povoamento da Ilha de Madeira e do pai, Rui Gonçalves da Câmara, que em 1474 comprara a ilha de São Miguel, dando inicio ao seu verdadeiro povoamento"

Mas D. João III preferiu entre tantas ofertas contar com a competência de Luiz Dias, grande mestre de obras com experiência em diversas obras do reino em lugares além das Índias.

Não seria um homem desse quilate profissional que iria esquecer de trazer mestres de obras de todas as categorias, inclusive de olarias e similares. Talvez tenha até pensado em trazer de Portugal tijolos e telhas, mas isto requereria mais duas ou três naus, o que se tornava bem mais caro do que a simples construção de uma olaria logo nos primeiros dias após a chegada.

Mas essa última ideia  é um absurdo! Não é não! Quando se construiu a Igreja da Conceição da Praia vieram de Portugal as pedras de sua fachada. Uma se perdeu! Mandaram outra. 


Funchal antigo
Sé de Funchal

Claro que não se descarta a possibilidade da construção de algumas casas de taipa que nem a dos índios da Graça. Contudo, os prédios onde iria funcionar o governo, sem dúvida que mereceram um tratamento diferenciado, se é que tijolos e telas sejam assim considerados.

Até que foi! Bem no principio da construção da cidade, Garcia D'Ávila, tido como filho de Tomé de Souza, foi despachado para os lados de Itapagipe com vacas para seu sustento mas com a finalidade precípua de construir olarias. Es\se material era buscado nas imediações de Monte Serrat pelas próprias naus e outros barcos já existentes na VilaVelha de Pereira Courinho. Nesse sentido fizemos uma postagem onde mostramos como era feito o transporte.


As embarcações saiam da Enseada da Preguiça onde estava ancoradas e iam buscar  material na península, mais propriamente na Praia da Boa Viagem. Existe uma abertura entre dois blocos de recifes que permitia a passagem. 

Nota: Esta citação é feita por Gabriel Soares de Souza em seu Tratado Descritivo do Brasil. 



Que material? A madeira carbonizada do Porto da Lenha? Ainda não era tempo do famoso porto. Já existiam as carvoarias  na Vila Velha da Barra, bem mais perto. Desconfia-se então que iriam buscar tijolos e telhas das olarias já existentes no local, inclusive algumas anteriores às do próprio Garcia D'Avila, possivelmente gente de Pereira Coutinho, estabelecido aqui cerca de 15 anos atrás. 

E porque Monte Serrat, Boa Viagem, essa redondeza? Ariscamos em afirmar que o morro de Monte Serrat, atual Rua Rio São Francisco, existem  duas falhas provocadas pela extração de barro no local.  São conhecidos como "BARREIROS" - VELHO E NOVO BARREIROS
Sabe-se que muito barro foi tirado no local para a construção do cais da Avenida Beira Mar, mas não o suficiente para causar duas enormes fendas no referido morro. Só mesmo o o uso constante e interminável de olarias poderia causar a profundidade e extensão dos mesmos. 




Barreiros 1 e 2 - As construções são dos tempos atuais (1940/50)


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A BRAZUCA E SUAS ANTECESSORAS

Nos tempos medievais, as bolas de futebol eram feitas de qualquer coisa que pudesse ser chutada. É o caso desse porta-vinho de couro antigo: 


Na falta dele, mesmo uma lata de ervilha ou algo parecido, também servia para se fazer um "baba". As traves eram dois tijolos virados mais para altura. Ai pelos anos 30/40 do século passado, nas praias de Itapagipe, fazia-se uma bola de razoável qualidade a partir de uma bexiga de galinha que após cheia era envolta em barbante. Era bastante razoável. Podia molhar e ela resistia bem. Quando começava a desfiar, parava-se o jogo e recompunha-se o alinhamento. Ficava nova de novo. Sensacional!

Infelizmente não temos uma foto de uma bola daquele tempo, mas uma foto de uma luminária feita através bexigas de galinha, mostra-nos como eram perfeitas as bolas de nossa juventude:

Eram assim, sem naturalmente a abertura para iluminação
Luminárias feitas de bexiga de galinha- Perfeitas como as nossas bolas

Àquele tempo já jogávamos também em campo de grama. As bolas eram de couro com uma costura ao centro. Pretendiam ser redondas, mas, em verdade, tinha um formato bastante irregular, mais para o oval, principalmente quando molhava. Mesmo assim, jogava-se bem. 

De couro com costura

Hoje as bolas de futebol são uma perfeição. Foram se aperfeiçoando ao longo dos anos. Os craques atuais são uns felizardos. Deveriam jogar muito mais do que os de antigamente. Temos as nossas dúvidas. 

As bolas das diversas copas

Por fim, a bola da copa no Brasil: a Brazuca:



Lindona!