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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DIQUE DE TORORÓ NO DETALHE

A cada dia a Internet nos proporciona verdadeiras maravilhas de todas as formas e jeitos. Recentemente, ela nos deu condições de fotografar determinado lugar de todos os lados e ângulos, inclusive via satélite.

É o que essa postagem apresenta aos seus leitores. Uma seqüência de fotos do Dique do Tororó, um dos mais belos lugares de Salvador. É para salvar e arquivar.

Estamos dando a importância devida pela simples razão de que no retrospecto que se tem feito de Salvador antiga, o material encontrado é sempre escasso. Quando encontramos algo é uma festa.

No presente trabalho fizemos um roteiro à partir do viaduto de quem sai do túnel que liga ao Chame-Chame e se tem acesso ao dique. Fomos em frente em direção à Fonte Nova. Contornamos nas proximidades e nos dirigimos até o Vale dos Barris. S´vimos beleza!








Estamos pensando fazer o mesmo em outras partes da cidade como a Avenida Centenário, o Campo Grande, Pituaçu e claro, a nossa orla. Precisamos de opiniões à respeito por parte de nossos acompanhantes.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

TERCEIRA ETAPA DA DEMOLIÇÃO - IGREJA E BAIRRO DA SÉ

Como o mesmo viés de anos atrás quando se destruiu meia cidade para a construção de uma avenida, o mesmo aconteceu com o Bairro da Sé. Sim! Isto mesmo. Bairro da Sé ou Distrito da Sé em sendo mais correto e preciso.

- Mas você está se referindo à Praça da Sé, a enorme Praça da Sé?

- Isto mesmo! Antes havia quatro quarteirões de casas e uma grande igreja, aliás, igreja esta que era a Catedral de Salvador.


Distrito da Sé
Representação da antiga Praça da Sé com destaque para a Igreja da Sé e a sua direita o casario do Bairro da Sé. Eram quatro quarteirões.

- Mas como aconteceu esta barbaridade?

- A Cidade Alta estava recebendo os trilhos para receber os bondes da chamada Companhia Linha Circular da Bahia, uma multi nacional de peso que ganhou a concorrência para a circulação de bondes pela cidade.  Estávamos no principio do século passado. Verdade que anteriormente, por volta de 1897, outra empresa, a Cia Veículos Econômicos, já havia inaugurado uma linha na Cidade Baixa, ligando o Comércio à Itapagipe 

Mas os bondes de então não iam até a Praça da Sé. Havia um grande impedimento ao fim da Rua da Misericórdia: a Catedral da Sé, bem na boca dessa avenida:
Rua da Misericórdia e ao fundo a Igreja da Sé

Tirando qualquer dúvida!
Postal da época

Ai começou a celeuma de destruir a referida igreja que tinha sido a Catedral de Salvador até 1765. Segundo historiadores, as razões alegadas para a demolição do grande templo foi um conjunto de desculpas que escondiam um monte de interesses. Do arcebispo que não queria morar mais no Palácio Arquiepiscopal, velho e sujo. Visava se mudar para um imóvel localizado no Campo Grande que passou a ser a sua residência oficial. Hoje é um salão parece de ginástica da Mansão dos Cardeais. Por sua vez o Prefeito da época afirmava ser necessário conduzir Salvador para uma nova era de desenvolvimento (inspirou-se em J.J. Seabra) e por fim, o interesse comercial da Cia. Circular, talvez entre as três inclinações a mais justa desde que não havia artifícios. Queria porque queria.

E em assim sendo, em 7 de agosto de 1933 a grande igreja foi demolida. Diz-se que já estava caindo devido ao abandono, mas sem dúvida que era mais um argumento em prol de sua destruição. Contudo, uma prova de que todas as razões eram meras “desculpas” o “arrasa quarteirão” também atingiu o casario que rodeava a igreja, causando mais uma crise habitacional em Salvador.

Primeiros trilhos
Quando da colocação dos trilhos, ainda restavam dois quarteirões de casas do lado do mar. Há de se separar telhados atrás dos prédios da frente.
Velha Praça da Sé - O casario da esquerda ainda se sustentava
Como ficou
Circular
Cruz Caída

No lugar onde era a antiga igreja se fez um belvedere que ninguém tem coragem de ir e o monumento da Cruz Caída de Mário Cravo. Efetivamente, esse monumento  expressa o que ocorreu no local, do bem e do mal. Mais do mal. O escultor foi muito feliz.

domingo, 27 de outubro de 2013

A CONSTRUÇÃO DA AVENIDA SETE QUE DEVERIA SER RETA

No embalo da postagem sobre o chamado aterro do Porto realizado no principio do século passado, quando se destruiu meia cidade, justamente onde pulsava grande parte do seu comércio, outra ação avassaladora ocorreu na Cidade Alta com vistas a fazer uma avenida que se dizia iria mudar a “face da terra”, ou seja, iria torná-la moderna e avançada, da mesma forma como aconteceu no Rio de Janeiro e Paris.

Por que essas duas cidades? Por que  nelas teria morado José Joaquim Seabra, governador da Bahia àquela época e o mesmo presenciou os benefícios das reformas nas mesmas.

Mas cada caso é um caso. O que serviu para um determinado lugar, pode não servir para outro.

Ao lado desse duvidoso argumento, dizia-se que a cidade ficaria mais arejada e se evitaria as constantes epidemias que a assolava em razão do aglomerado de suas casas e ruas estreitas.

Por que duvidoso? Pela simples razão de que as epidemias que assolaram Salvador foram provenientes da falta de saneamento básico no seu tecido urbano.

Nesse sentido, o certo seria primeiro realizar o “básico” e depois fazer o “festivo”, ou seja, o que chamaria atenção e monopolizaria os comentários da imprensa.

Mas, desde aqueles tempos, os nossos governantes na sua grande maioria, pecaram nessa ordem das coisas básicas e imprescindíveis de uma cidade que se preze – Obras em baixo da terra não se vê e ainda incomoda muita gente quando se realiza.

Daí se preferiu fazer uma avenida que seria reta desde o centro da cidade até a Barra, passando por tudo e por todos, não importasse quem ou o que.  Foi o caso da construção da Avenida 7 de setembro, data da independência do Brasil.

Com o devido respeito para com essa data, dia em que D.Pedro I às margens do Ipiranga declarou a independência do Brasil, em verdade, a real e efetiva independência de nossa Pátria se deu aqui na Bahia em 2 de julho de 1823, desde que até então, os portugueses estavam assentados em nosso território

Nesse sentido se faz necessário enaltecer o projeto de lei (PLC 61/2208) da autoria da deputada Alice Portugal  já indicado pelo Plenário do Senado que o 2 de julho passa a integrar o calendário do Brasil como data histórica. Ou seja, o Senado considerou que a ação foi um precursor da independência do Brasil ocorrida em 7 de setembro de 1822. Só falta o aval da Presidência da República.  Diz mais a vibrante deputada: “o objetivo é o reconhecimento nacional da importância da data histórica”.

Em conseqüência desse fato, o nome mais consentâneo para a nossa quase retilínea avenida teria sido chamá-la de 2 de Julho e acrescente-se que à época de sua construção, ainda se podia ouvir os passos das tropas baianas pelo Corredor da Vitória, desde que mais próximo do fato ocorrido.

Dissemos a pouco que a nossa avenida seria quase retilínea não fosse a firmeza dos frades do Convento de São Bento. J.J. Seabra  queria derrubar o monumental convento e passar em linha reta com sua avenida. Foi um “Deus nos acuda” que chegou às portas do Vaticano e nos ouvidos da população. É inconcebível essa idéia. Curve-se a avenida imediatamente! E J.J. Seabra teve que construí-la curvando à direita da Ladeira de São Bento. Verdade que havia um obstáculo na lateral: três grandes prédios existiam no local. Derrube-os, ordenou Seabra.

-Mas, Excelência, ali mora gente. São propriedades particulares. Teremos que indenizá-los.

- Indenização, coisa nenhuma. Bote abaixo o mais rápido possível.


E assim foi feito em pouco tempo e a avenida prosseguiu no seu caminho agora tortuoso.

Ladeira de São Bento - Inicio da 7 de setembro 

Três prédios demolidos à direita para permitir a passagem da avenida

Após isto, logo adiante, os construtores encontraram outro grande impedimento, bem no meio da rua. Em São Pedro se achava a Igreja do mesmo nome, extraordinariamente bela e gigantesca.  Vai ser a mesma coisa que nem aconteceu com os frades de São Bento, pensou o governador. Vou ter que desviar de novo a minha avenida. Mas, com mais parcimônia o governador prometeu fazer outra igreja mais adiante no Largo da Piedade com planta aprovada pelos padres. E assim foi feito.


A nova São Pedro na Piedade

Mas a via crucis do governador não pararia por ai. Um pouco mais a frente topou mais uma vez com outra igreja – a das Mercês. Teve que ser afastada em parte e reconstruída mais ao lado.

Como era as Mercês

Sendo demolida

E o que se refere às casas dos moradores, o que aconteceu? Foram todas demolidas sem dó nem piedade e sem nenhuma indenização. Diz-se, inclusive, que muitos moradores não tendo para onde ir, foram acolhidos por outras famílias ou tiveram que viver em pensões. Um caos em  nome de uma modernidade hoje considerada duvidosa. Pode-se-ia manter a antiga cidade e desenvolver ainda mais a parte sul que surgia promissora.