ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

quinta-feira, 28 de março de 2013

NOVO AERO CLUBE

Segundo noticias veiculadas na imprensa, a Prefeitura irá demolir o Shopping Aero Clube e o faria com uma implosão. A ideia, sem dúvida, é não ficar nada do que existia antes, como que apagando da memória dos baianos o “monstrinho” que era antes.
Em verdade, os caras tiveram tudo para fazer uma obra magnífica à beira-mar e esqueceram-se disto,  aliás como já é comum em nossa cidade. 
Desde tempos imemoriais, os nossos governantes, arquitetos, engenheiros e mais quem for responsável pelo assunto, deram as costas para o mar. Por toda a cidade, o mar está escondido atrás de alguma construção.
Vejam, por exemplo, a Cidade Baixa. Desde os armazéns do Porto de Salvador até a Boa Viagem não se vê o mar. São grandes armazéns e depósitos. Quando casas, têm o fundo voltado para ele e a frente para as ruas de acesso.
Até lugares considerados de luxo, como o Corredor da Vitória, há dez ou 15 anos atrás, todas as residências tinham o fundo voltado para o mar e a frente para a avenida.
Segundo a imprensa, os proprietários  ou concessionários do espaço onde ainda está o shopping, tiveram a concessão prorrogada até 2056. Deverão construir outro shopping.
Esperamos que, desta feita, saibam aproveitar melhor o local que é magnifico, junto ao mar. Ali tem um banco de corais repleto de peixes. Fica a 50 metros da praia. Fizemos diversos mergulhos nesse local.  Em terra ainda existia o antigo Aeroclube.




Antigo Aero Clube de Salvador

Shopping Aero Clube


Que tal, por exemplo, fazer a Praça de Alimentação voltada para o dito mar. Grandes janelões de vidro, tendo o mar como painel. Nada mais. E um painel múltiplo. Dias existirão de uma tranquilidade imensa e misteriosa – o mar estará calmo; noutros de uma beleza grandiosa – o mar estará bravio.
Tem mais em relação à praia em frente. Desse lado, poderá ser feito um centro gastronômico e de lazer com suporte técnico/material para os esportes de areia e de mar. Centenas de guarda-sol  com cores determinadas, como agora está se fazendo no Rio. Um bom estacionamento ao lado. Enfim, a ideia é o shopping explorar para si aquele pedaço de praia. Na China já existe isto. Os caras até pagam para entrar. Em nosso caso, temos que ir devagar.
Já em terra, ao lado do shopping em si, que tal se fazer um grande parque de diversão, mas um parque de verdade com uma “montanha russa”  de fazer o cara gritar sem querer; ao lado uma imensa “roda gigante”,  parecida com aquela de Londres e outras tantas em grandes cidades. Falamos: "parecida".


A London Eye é a terceira maior roda gigante do mundo e um dos pontos turísticos mais disputados de Londres. Ela possui 135 metros de altura e serve como um observatório da cidade. Foi construída para a celebração da virada do milênio e tinha um tempo de existência pré-programado de cinco anos. Porém, assim como a Torre Eiffel, de Paris, que também seria desmontada mais tarde, a London Eye tornou-se um marco para Londres e já faz parte da história como um grande monumento enraizado na paisagem da cidade
 Foi muito vista durante a transmisão pela TV das últimas Olimpíadas.

RODA DE FERRIS ORIGINAL, às vezes também conhecida como a roda de Chicago, foi aberta ao público em 21 de junho de 1893 na Exposição Universal de Chicago (1893), Feita para rivalizar com os 324 metros da Torre Eiffel, a peça central da Exposição Universal de 1889, foi a maior atração dessa esposição. Ela tem uma altura de 80.4 metros.


A Singapura Flyer, a maior roda gigante do mundo desde 2008
Estamos ilustrando essa postagem dessa maneira, para não se pensar que  estamos sugerindo “brincadeira”, um simples Parque de Diversão mambembe. A coisa é séria. Por exemplo, a Roda Gigante de Londres é a maior atração turística da cidade. Durante as transmissões das últimas Olimpiadas, ela era sempre destacada.
Mas se torna caro construir algo assim.  Concordamos, mas um empreendimento como este tem condições de levantar a grana. As empresas estão ai para  as grandes e novas ideias.
Tem mais para o nosso novo “aeroclube”. Que tal fazer um  Oceanário  que nem o de Aracaju. Este já não é tão caro.
Oceonário de Aracaju - Sergipe
Vista panorâmica
Ah! E o shopping em si? Não deve ser mais um shopping qualquer. Tem que ser de alto nível. Não adiante fazer “qualquer coisa”. Os melhores shoppings de Salvador são de alto luxo. O povo gosta de luxo, já dizia Joãozinho Trinta.  Quem não gosta? Se não for assim, o pessoal que gasta e sustenta os índices de venda não se desviará dos atuais shoppings.


Shopping Iguatemi
Shopping Barra
Salvador Shopping




quarta-feira, 27 de março de 2013

DATA DE FUNDAÇÃO DE SALVADOR- 29 DE MARÇO DE 1549


29 de março é oficialmente a data da fundação da cidade de Salvador. Foi determinada pela portaria 299 de 11 de março de 1952, assinada pelo então prefeito Osvaldo Veloso Gordilho e “sacramentada”, digamos assim, pelo Primeiro Congresso de Historia da Bahia. (É a data apontada da chegada de Tomé de Souza em Salvador).

Estátua em homenagem à Tomé de Souza
Antes disso, diversas datas foram sugeridas por historiadores e pesquisadores. Vejamos as duas mais importantes em razão dos seus postulantes.

1° de maio, defendida por Pedro Calmon e Edgard de Cerqueira Falcão, baseada na argumentação de Rodolfo Garcia em 1937 de supostamente terem começado na data os trabalhos de construção da cidade.
Não se sustenta. Busquemos um exemplo dos dias atuais. Brasília levou quatro anos para ser construída. Caso fosse adotada essa regra, a data de sua fundação deveria regredir nesse tempo. Em vez de 21 de abril de 1960, data de sua inauguração, seria nomeada a data de 21 de abril de 1956.
13 de junho, baseada na tese em obra póstuma de Teodoro Sampaio, em torno da procissão de Corpus Christi, realizada nesse dia, e que teria sido, de alguma maneira, festiva.
Infelizmente, uma procissão religiosa não pode servir de marco de fundação de um estado por mais significante que ela seja.
Agora, vejamos uma data sem postulação famosa, mas que pela sua particularidade não pode ser esquecida. Referimo-nos a 1º de novembro de 1501. Nessa data. Américo Vespucci descobriu a Baia de Todos os Santos e oficializou a sua posse com a colocação do marco da coroa portuguesa na Ponta do Padrão, onde hoje estão o Forte e o Farol da Barra.
Forte e farol da Barra
Outra data marcante é aquela em que Francisco Pereira Coutinho chegou a Salvador. Era um dos donatários nomeados pelo rei de Portugual no fatiamento do território brasileiro. Corria o ano de 1536, mas não se conhece o mês e o dia de sua chegada em Salvador.
Mapa das Capitanias Hereditárias
Afastada essa falha, o que se quer destacar é que entre a chegada de Tomé de Souza em 1549 e a de Francisco Pereira Coutinho em 1536, decorreram 13 anos. Nesse período se construiu uma vila – Vila do Pereira ou Vila Velha. Foi o começo de Salvador. Fizeram-se casas e ruas. Havia sítios e fazendas. Produziam-se alimentos e deveria existir um pequeno comércio de coisas essenciais, nem que fosse pelo sistema de escambo.
Pereira Coutinho
Vila Pereira
Em todo o mundo as cidades devem ter começado mais ou menos assim e Salvador não poderia ser diferente, mas foi. Esqueceram totalmente esse começo. Rigorosamente, a Barra onde era a Vila do Pereira ou Vila Velha, só foi considerada como sendo Salvador séculos após. Uma grande injustiça no final das contas.
Uma outra data poderia ser aventada para a fundação da cidade de Salvador. Aquela em 1510 quando Diogo Álvares Correia naufragou na costa do Rio Vermelho e foi “salvo” pelo índios tupinambás.
Diogo Álvares Correia
Salvo? Isto mesmo. Essa história de Carumuru foi criada 271 anos após o fato pelo frei José de Santa Rita Durão na edição de seu poema épico denominado “CARAMURU”.
Poema Épico "Caramuru"

Virou uma verdade histórica, digamos assim. É ensinada em todas as escolas do Brasil. Também devia ser ensinado que numa determinada estrofe do poema, Santa Rita Durão escreve que Catharina Álvares Paraguassu tinha a pele da cor da neve. Um caso raro em todo o mundo. O homem pensava que o Brasil era no hemisfério norte ou a nossa bela índia era alpina?
Mas, sem dúvida que Diogo Álvares Correia não construiu nenhuma vila no alto da Graça; deve ter preferido gozar das instalações já existentes dos tupinambás. Aliás, ele usava mais a Vila do Pereira do que a sua própria, principalmente em razão das negociações que mantinha com os franceses de relação ao pau Brasil. Era muito sabido!


terça-feira, 19 de março de 2013

PAIXÕES POLÍTICAS Á PARTE ENTRE O GOVERNADOR E O PREFEITO

A nova Avenida Vasco da Gama
A política é uma coisa muito séria. O que a estraga é a paixão política. Esta cega as pessoas e as coloca até nas raias do ridículo e da torpeza. Recentemente, muito por acaso, sintonizamos o canal que focaliza a Câmara de Vereadores de Salvador. Na oportunidade, um determinado vereador defendia o novo prefeito acusado que foi por não ter realizado nada até agora. Dizia ele, “como em 60 dias mais ou menos, querem que o Prefeito tenha feito alguma coisa do seu plano de trabalho apresentado na campanha das eleições?”.
Isto mesmo, a turma do contra já estava cobrando do atual prefeito a realização de obras e afins.
Pelo que se sabe ou se pode deduzir, o homem praticamente está se estabelecendo; escolhendo seu secretariado e tomando providências mínimas necessárias como, por exemplo, a melhoria da coleta de lixo, o que já aconteceu.
Mas, não estamos aqui defendendo o “prefeitozinho” conforme as mais altas autoridades do País, num posicionamento deveras incompreensível  ( a tal da paixão política), mas tão somente nos posicionando como uma pessoa centralizada na justeza das coisas.
Por exemplo, o atual Prefeito deu prosseguimento às obras do Canal do Lucaia (Av. Vasco da Gama) e até já inaugurou a grande obra.  Sim! Uma grande obra do ex-prefeito, queiram ou não os que lhe são contra. Maior do que ela acha-se a Av. do Centenário no Chame-Chame, também crédito de sua gestão e bem semelhante à da Vasco da Gama.
Nesse ponto o prezado leitor já estará pensando de que lado o autor desse blog se acha e de imediato respondemos, de lado nenhum. Estamos do lado da cidade que aqui percorremos em todos os sentidos. Por quê? Simplesmente por que estamos livres da paixão política.
Mais uma prova: estamos achando sensacional para a cidade os entendimentos que o atual prefeito está mantendo com o Governador Jaques Vagner.
Amigos. Este governador foi o grande responsável pela derrota do “carlismo” e  o atual Prefeito é uma das últimas personagens daquela época. É neto de Antônio Carlos Magalhães que muito fez por essa cidade. Pois bem, o senhor Wagner recebe-o em palácio e já se entenderam sobre o nosso “metrozinho”, este sim,  realmente pequeno.
É dessa maneira que um governador de todos os baianos deve proceder. Está de parabéns. Salvador precisa melhorar muito e havendo desavenças políticas, isto é, paixão política de que falamos acima, não acontecerá nada vezes nada.

segunda-feira, 18 de março de 2013

NÃO SE PODE DIVERGIR DA PONTE SALVADOR-ITAPARICA




A construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica tem sido um assunto ventilado a toda hora por diversos setores da sociedade. Efetivamente, é muito importante em vários sentidos: tem a questão ambiental; paisagística; imobiliária, financeira, etc. etc.
 Este blog já ventilou o assunto por duas ou três oportunidades e em todas as ocasiões manifestou uma opinião favorável à sua construção. Não tem como ser contrário a essa ideia. Quem conhece as agruras de quem precisa atravessar de um lado para o outro,  seja a trabalho ou a passeio, não pode ser contra a sua construção. É até vergonhoso o que acontece em certos dias, tanto no terminal de Salvador quanto o de Mar Grande: filas quilométricas de carros e de gente esperando os poucos ferries-boats à disposição da população.
Aí, alguém menos avisado, diria que é fácil a solução desse problema: “é só aumentar o número de ferries”.
Não é por ai! Esse aumento é inviável, não pelo custo de cada unidade de ferrie, mas em razão do custo de manutenção do sistema em dias de pequeno movimento que, no caso, infelizmente, representa 80% a 90% do total de dias.  O que fazer nesses dias. Nada! Terão que ficar parados, bem como parados os componentes de cada embarcação. É um custo altíssimo que os dias de grande movimento não cobrirão.
Raciocinando dessa maneira, a ponte é absolutamente necessária e essa necessidade vai aumentando dia a dia, à medida que a população não para de crescer.  Vai ser o caos, aliás, já é um caos.
Ainda recentemente, aliás, ontem, o jornal A Tarde abordou a questão com a opinião dos senhores Vladimir Aras, Procurador da República e Mestre em Direito e o senhor Milton Cedraz, Engenheiro Agrônomo e técnico em desenvolvimento econômico pela Cepal (ONU).
Na “chamada” do jornal na primeira página, em letras garrafais, diz-se que as opiniões dos dois senhores de nossa sociedade divergem ou, mais rigorosamente, “tem visões distintas sobre a obra.”
Para nossa surpresa, entretanto, não é isto o que se vê quando se localiza a duas versões. A do senhor Vladimir Aras é absolutamente favorável à construção da ponte. Faz brilhantes comparações e cita exemplos de pontes de todo o mundo e mesmo do Brasil como JK de Brasilia, a Hercilio Luz de Florianópolis, a estaiada de São Paulo, a Golden Gate de São Francisco e a ponte do Brooklin em New York. Antes já havia feito referencia à ponte Rio Niterói.
Ai passamos a ler a opinião contrária ou “diversa” do outro entrevistado e para nossa surpresa ele não diz ser contra a ponte. Em verdade, ele faz sugestões. Por exemplo, logo ao inicio, diz: “para montagem ou construção de qualquer equipamento, seja ele urbano, rodoviário, industrial , hidroagrícola ou de qualquer natureza, deve-se, antes de tudo, elaborar os estudos de alternativas, durante a fase dos estudos de viabilidade”. Mais adiante afirma: “para elaboração do projeto e construção da ponte sobre a Baía de Todos os Santos – sonhada desde priscas eras pelos soteropolitanos, veranistas e moradores da Ilha de Itaparica, assim como o ordenamento da ocupação do solo do seu entorno, é indispensável levantar e mapear todas as informações necessárias para embasar os estudos de viabilidade, o projeto e o modelo de gestão”. Complementa: “várias etapas terão que ser vencidas antes de dar inicio às obras da ponte...”
 Como se nota, o senhor Cedraz em nenhuma ocasião diz ser contra a construção da ponte, apenas alerta para determinados cuidados que se deva ter para sua construção. Um parecer absolutamente técnico. Nada contra a ponte. Em suma, não diverge.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A PONTE SALVADOR-ITAPARICA COM TUNEL


Na última edição do jornal A Tarde o articulista especializado em urbanismo, aliás, muito bom, tratou da futura ponte Salvador-Itaparica ou Salvador-Mar Grande. Na oportunidade, ventilou a possibilidade de a ponte ter uma parte submersa bem ao centro dela, na meia travessa, a fim de permitir a passagem das grandes estruturas de refino de petróleo e afins. Disse claramente que o sistema móvel que se pensa usar é obsoleto e não se usa mais. A maresia lhe causa sérios danos e o custo de manutenção se torna gigantesco.
Coincidentemente, este assunto já foi tratado nesse bllog e as nossas impressões       coincidem totalmente com a do articulista. Citamos exemplos, inclusive com fotos de algumas pontes que usam o sistema subterrâneo.
Ponte de Oresund
 
Na Dinamarca
 
Há um ponto, entretanto, que queremos destacar. O custo da obra. Cai pela metade ou mais. Por quê? O sistema de túnel  permite que se faça uma ponte menos alta, talvez a metade do que pensa fazer. Em consequência, uma ponte mais rasa, digamos assim, irá provocar menor impacto visual ao entorno da Baia de Todos os Santos. 
Projeto de nossa ponte
Mas fazer um túnel na parte  mais profunda da Baia de Todos os Santos não será fácil, poderão comentar alguns. Para esses, esclareça-se que talvez não seja necessário  cavar um túnel. Ele é móvel. São estruturas de concreto que se vão juntando umas às outras e formam um túnel. Em sendo assim, elas poderão se acentar no fundo do mar ou se não quizer diminuir a profundidade, bastante cavar o espaço a assentar os múdulos. É uma boa forma de diminuir ainda mais os custos.
Em tempo, podemos informar que no Rio de Janeiro já se pensa fazer um tunel ligando o Rio a Niterói. Será uma linha de metrô. Enquanto isto o nosso anda tomando sol e chuva. Apenas isso.Vai se acabar assim.

ERA UMA VEZ AS BARRACAS DE PRAIA DE SALVADOR


Havia uma esperança no ar de que o novo Prefeito solucionasse o caso das barracas de praia de Salvador. Sempre há uma expectativa de grandes soluções quando se renova a direção política de uma cidade. Contudo, no caso das barracas de praia, parece que a coisa é definitiva. O Ministério Público não quer que elas voltem e ponto final.
Enquanto isso a população fica sem entender porque só em Salvador existe esta proibição. Será que somos os mais inteligentes, os mais urbanistas, os mais higiênicos, os mais de todas as coisas? Não devemos ser! Em verdade, no caso específico, estamos sendo retrógados e incompetentes.
Esta análise pode ser feita se confrontarmos a situação de outras capitais do nordeste com a nossa. Em todas elas, as barracas são uma das grandes atrações de suas praias.
Inicialmente, a natureza nos deu as praias e o mar em frente, muito embora existam praias sem mar: pode ser um rio ou um lago.  Às margens do São Francisco, encontramos algumas.
O homem não satisfeito com o formato das praias que Deus lhe deu, iniciou o acréscimo de acessórios que lhe desse mais atrativo e comodidade. Um dos primeiros foi o guarda-sol, usado contra a incidência solar, na maioria das vezes prejudicial à saúde. Na sequência, vieram as cadeiras para se sentar em baixo desses guardas-sol.   As toalhas completavam essa primeira etapa.  Mas havia a sede e a fome a serem saciadas. Começou a levar água e lanches rápidos.  Talvez fosse a parte mais trabalhosa dessa faina e foi por aí que começou a aparecer os primeiros vendedores ambulantes para satisfazer essa necessidade. Verdade que em Salvador já havia a mulher do acarajé e do abará, mas faltava a bebida. Era um novo campo de trabalho e de rendimento. Surgiram as primeiras barracas, onde se podia estocar as bebidas e ampliar o abastecimento de tira-gosto e mesmo refeições completas. Com o tempo, foram ampliadas e aumentou o leque de serviços, como chuveiros e até sanitários. Começou a empregar muita gente.  Milhares de pessoas. Ganhou uma razão social. Por outro lado, contribuía para o desenvolvimento do turismo do qual depende a maioria das capitais dessa região. Passou a ter uma importância econômica.
Nesse ponto, entretanto, aproveitando uma celeuma entre a Prefeitura e os barraqueiros sobre um novo modelo de barracas, o Ministério Público intervêm e numa semana põe abaixo quase um milhar de barracas.
Até hoje, a maioria das pessoas não entendeu as razões dessa medida, absolutamente extrema. De principio titularam a Prefeitura como mandante do feito e esta sem a comunicação devida como que aceitou o mando. Não esclareceu com veemência que não foi ela a causadora do estrago. Para se ter uma ideia, a maioria dos barraqueiros tem a certeza de que foi ela a mandante. Na campanha eleitoral esta autoria foi ventilada.
Outra coisa intrigante, isto é, que ninguém entende, é que não se procurou uma outra alternativa de serviço de gastronomia para a nossa cidade. Por exemplo, no período foram inauguradas em Salvador três praças nas proximidades de praia, uma na Pituba, outra em Ondina e uma terceira em Itapagipe. Em nenhuma delas se fez um centro gastronômico para permanência do público no local e saciamento de sua sede, fome e descanso. Parece que ficaram com medo. Essa a impressão que nos causou.
Enquanto isto, vamos apreciar a foto de uma barraca de praia em Aracaju que está carriando grande parte dos turistas que vêm ao Nordeste. Dá para ter uma praia mais divertida! Só praia, é por demais causticante.
Cuidado! É apenas em Aracaju.

domingo, 3 de março de 2013

O AVANÇO SOBRE AS ENCOSTAS DE SALVADOR


As encostas de Salvador são hoje a grande atração das construtoras. Depois de quase 500 anos, descobriram seus encantos. Têm a vista para o mar. Começou no Corredor da Vitória; em termos, teve sequência na Ladeira da Barra; está querendo pintar no Santo Antônio Além do Carmo mesmo com as restrições de tombamento; manifesta-se de alguma forma nos Morros do Gato e do Ipiranga na Barra  e agora estão de olho na Contorno.
Por muitos anos elas foram como que rejeitadas. Vamos dá alguns exemplos. Na Vitória, inicialmente todas as construções, mansões de um modo geral, desprezaram-nas. Foram construídas com a frente voltada para a rua e os fundos, geralmente quintais, com os muros voltados para o mar. No Santo Antônio a mesma coisa. A frente dos prédios seculares com suas janelas e portas para a rua e a cozinha ou o sanitário voltado para o mar. Geralmente era esse último, desde que os despejos eram feitos na ribanceira.
Haveria uma explicação mais ou menos condizente para essa tendência de construção? Sem dúvida que há. Àquela época, a cidade não tinha o sistema de esgoto que hoje possui. Praticamente, todos os dejetos eram jogados no mar. Isto mesmo, no mar! Havia milhares de “bocas de lobo” como eram chamados os esgotos que despejavam a “sujeira” da população.
Havia também outra razão mais ou menos forte : o lado do mar é oeste e ninguém suportava as tardes ensolaradas de Salvador. O sol incidia direto nos fundos das casas. Não havia o “ar condicionado” de hoje e mesmo os ventiladores deixavam a desejar. No mínimo eram barulhentos.
Oportunamente, deva ser esclarecido, que o mar, as praias de antigamente, não tinham o “prestígio” que tem hoje. Estamos nos referindo ao principio do século passado, aí pelos anos de 1900, aproximando dos anos 60.  Pouca gente ia à praia. Era um risco total à saúde pública. As piores doenças estavam na praia. Gente daquele tempo, deve se lembrar que, ao lado do Forte Santa Maria no Porto, havia um terminal de esgoto gigantesco que despejava todo material do Hospital Espanhol ali em frente. Era uma água preta que  formava um mancha  gigantesca, mar afora. Quando a maré estava de enchente, essa mancha alcançava o Porto da Barra, Gamboa, etc. Na vazante, era levada para fora. Somente os poucos avisados tinham coragem de tomar banho de mar neste local. Apenas os pescadores colocavam suas embarcações a velejar, molhando apenas as canelas.
Estrutura de terminais de esgoto. Este ainda se acha na Praia da Boa Viagem, devidamente desativado. O da Barra era mais ou menos assim. Era um padrão da época.

E não se diga que era apenas ali no Porto o problema! Não era! Em frente à rua onde hoje se acha o Hotel Pascoal, esquina com o Barra Center,  havia uma boca de lobo gigantesca que despejava toda a água proveniente do Canal do Chame-Chame, canal este que recebia  os esgotos das residências ao seu entorno. A força das águas fétidas fazia um caminho profundo na praia. A areia ficava preta ao redor. Fazia um vinco, como se fosse uma pequena foz.

Acreditem, mas é verdade. Esta é a Praia do Farol, ao tempo da boca de lobo acima referida. As águas fétidas eram represadas e ali mesmo eram servidos os refrigerantes,  a cerveja e o acarajé. Pouca gente se aventurava a ir a praia. Esse "espetáculo" era constante. Bastasse chover mais forte e se fazia esse "canal",
E o que dizer das praias de Boa Viagem e Monte Serrat. Ali em cima na Rua São Francisco ficam dois hospitais, Sagrada Família e o Couto Maia, este destinado a doenças das mais graves. Pois bem.  Em frente ao Largo da Boa Viagem havia um terminal de esgoto gigantesco mostrado acima. Ele recebia os dejetos desses hospitais.  
Em consequência, todas as casas no perímetro, têm a frente voltada para a rua e os fundos para o mar. Até hoje!
Agora o avanço sobre as encostas de Salvador se dirige para a  Avenida do Cortorno. Inicialmente, foi ocupado o espaço onde funcionava a Boate O'Clok. Foi um "Deus nos acuda" quando se fez o anuncio, mas por fim conseguiram o alvará de construção.

 Ex-Boate O'Clok
Agora, avançam sobre o Solar dos Gonçalves, belíssima construção onde morava a campeã sul-amerciana de natação Mary Gonçalves. A mansão fora comprada pelo seu pai, Sr. Walter Gonçalves quando veio para Salvador instalar uma fabrica de saltos para sapatos de mulher. Pertencia aos irmãos Maia, que remavam pelo Santa Cruz e possuíam uma casa de tecidos no Comercio – Casas Maia.

 Mansão dos Gonçalves - no alto
Tinha uma vista maravilhosa. Vai subir um arranha-ceu em seu lugar.

Ruinas da mansão

sexta-feira, 1 de março de 2013

A ONÇA DO SHOPPING BARRA

Shopping Barra
Hoje quem passa pelo Chame-Chame, não pode deixar de apreciar a monumental estrutura do Shopping Barra, um dos mais elegantes de nossa cidade.
Realmente belo, funcional, tem de tudo que se possa querer de um bom shopping. Um espaço bem ocupado.
Mas falando de “espaço” como era essa área antes de sua construção? Estamos aqui para contar a história da cidade e como tal vamos aos fatos de um passado não muito distante.  Ele foi inaugurado em 16 de setembro de 1987, portanto tem quase 26 anos. Era assim:
Antiga fachada
Visto do alto
Hoje é assim
Não seria interessante se pudéssemos acompanhar como se procedeu a grande mudança? Felizmente, moramos perto e conseguimos fotografar as diversas etapas da construção do novo shopping:
O começo das escavações
Um pouco mais
As primeiras lajes
 Mais um pouco
Já com 5 ou 6 lajes

Pronto


 E antes da primeira versão do shopping, como era este espaço? Era uma mataria (talvez Atlântica) com um morro no centro. Sim. Um pequeno morro, mas um morro.  Os construtores do shopping levaram um bom tempo para derrubá-lo. Foram centenas de caçambas e tratores trabalhando dia e noite.

Contudo, o mais inusitado em tudo isto foi o fato de uma onça do Zoológico ter se abrigado neste morro após fugir de sua jaula. Ninguém sabe como o animal conseguiu chegar até ele sem ser visto ou ter causado algum estrago na sua caminhada de Ondina até a Barra.

Outra coisa que não se comentou na época foi porquê razão o animal se dirigiu para o Chame-Chame em vez, por exemplo, Rio Vermelho. Os jornais da época não entraram nesse detalhe, mas nós vamos tentar explicar.

Àquela época, praticamente não existia o atual Apipema, Tambem era mato ou, pelo menos, um espaço vazio. Para os lados do Rio Vermelho já havia muitas casas. Por outro lado, no Chame-Chame corria o Rio dos Seixos, o conhecido Canal do Chame-Chame. O animal precisava de água. Do rio para o morro não deve ter sido difícil para a bela fera. Era preciso se esconder. E aí ficou por cerca de três dias. Alguém deve tê-lo visto e avisou à polícia ou Corpo de Bombeiros.  Viaturas de todos os tipos cercaram a área, mas ninguém se atrevia a entrar no mato. Consultaram um caçador, o senhor Luiz Sampaio,  com experiência em outras caçadas. Este mandou prender um bode numa árvore no meio no morro e à noite, escondido noutras árvores, fuzilou o animal que, faminto, tentava saciar sua fome. Hoje teriam poupado o animal com recursos de tiros entorpecentes.