ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PETROLEO DE NOVO NO LOBATO


Reportagem sumamente interessante foi publicada no dia 21 desse mês no jornal A Tarde: "Após 74 anos, petróleo volta a agitar moradores de Lobato"

"A história, contada e recontada muitas vezes na localidade, foi a primeira lembrança que veio à cabeça do pedreiro Edvaldo Silva, 24, ao encontrar, no início da semana passada, uma tubulação que vazava um líquido preto, na obra onde trabalhava.

A demanda da dona de casa Tereza Barbosa, 57, que o contratou, era simples: retirar o barro do quintal para, posteriormente, construir mais um quarto para a mãe, de 83 anos, e ampliar a cozinha”.

Está a se repetir a mesma história acontecida em 1939? Totalmente diferente. Naquela oportunidade, o povo sem saber, já usava o petróleo para acender lamparinas e fifós com uma lama preta que dava no lugar. Era petróleo misturado com terra, terra esta pertencente a um senhor chamado Lobato.
Ai, um engenheiro agrônomo chamado Manoel Inacio de Bastos, curioso, pegou alguma quantidade daquela terra e mandou fazer um exame em laboratório. Constatou-se que era petróleo. Fez uma carta ao Presidente da República, na época o senhor Getulio Vargas e ficou aguardando a resposta. Esta demorava de chegar. Resolveu procurar alguém importante em Salvador. Indicaram-no o senhor Oscar Cordeiro, presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia. Este botou para funcionar suas relações no Rio de Janeiro. Em pouco tempo recebeu uma resposta. Alguém ligado ao Governo viria a Salvador constatar o fato. Confirmou-se: era mesmo petróleo. Nesse caso,  o Presidente viria à Bahia proximamente.  De imediato o  Sr. Cordeiro procurou um cartório e registrou a descoberta. Ele em primeiro lugar e o Inácio em segundo, tinham descoberto petróleo no Lobato. Que se registre o fato para todos os efeitos de lei.
Sr. Oscar Cordeiro 
E em 1940 Getulio desembarcou  em Salvador à bordo de uma avião Catalina que aterriou nas águas mansas da Enseada dos Tainheiros. Estava a esperá-lo  no Hidroporto o senhor Oscar Cordeiro. Uma lancha havia sido preparada para levar o presidente até o outro lado no Lobato.
E o senhor Manoel Inácio onde se encontrava? Infelizmente, internado num hospital em Conquista onde veio a falecer. Nenhuma referência foi feita do seu nome ao senhor Presidente e a ninguém da embaixada.
Em seguida o poço começou a ser explorado pela Petrobrás. Deu alguma coisa, mas nada de expressivo. Resolveram desativá-lo. Outras bacias já em produção davam os limites razoáveis de exploração. Lobato estava abaixo.
No local ficou uma torre. Colocaram uma placa. Poço Oscar Cordeiro – Descobridor do Petroleo Brasileiro. E o Manoel Inácio? Nada.
Até que um dia, a esposa do Manoel foi a Lobato e chorou lendo o que estava escrito na placa. E seu marido? Não citaram o seu nome. Foi ele que descobriu o petróleo que tinha aqui. Resolveu procurar a Petrobras com muitas provas em mão. Felizmente a Petrobrás reconheceu a autoria da descoberta. Não podia mais tirar o nome do Sr. Cordeiro. Concedeu uma pensão vitalícia à viúva num gesto dos mais dignos.
Essa história nos impressiona muito. Não tivemos oportunidade de conhecer o engenheiro Manoel Inacio Bastos, mas conhecemos o senhor Oscar Cordeiro. Morava na Madragoa. Sempre o via na porta do edificio onde funcionava a Bolsa de Mercadorias, no Comércio.

 Aqui morou o Sr. Oscar Cordeiro - Largo da Madragoa

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

TOMARA QUE TENHA SIDO MENTIRA!


Este é um momento que nenhuma pessoa nesse País pode ficar alheio ao que se passou em Santa Maria no Rio Grande do Sul, desde a Presidente da República que cancelou um compromisso oficial no Chile, até o mais humilde dos brasileiros. Mais de duzentos jovens morreram dentro de uma boate. Todos universitários! Cheios de sonhos; cheios de vida. E de uma hora para outra começa um incêndio no teto da boate. Vem a correria. Os seguranças “julgaram” que se tratava de uma tramoia para não se pagar a conta. Trancaram as portas. Ninguém sai sem pagar e o preço foi muito alto. Pagaram com a própria vida. Uma conta muito alta. Uma conta infinita. Só Deus sabe!
Nesse contexto o Brasil, o mundo inteiro, desde que hoje tudo está integrado, uma famosa atriz brasileira se pronuncia sobre o assunto. Disse ela: 'Vamos às atividades do dia, lavar os copos, contar os corpos e sorrir. Ah, essa morna rebeldia!”.
É inacreditável! Depois ela se desculpou. “Não é nada disto”, teria dito.
Mas não adiantou; O dito está dito. Só em pensar assim, já é um sacrilégio. Transformar em palavras, é o fim do mundo. Chega ser inacreditável. Tomara que tenha sido mentira.
Prefiro não citar o seu nome!

Aliás em termos de compostura ante às tragédias que vem acontecendo no mundo, o Brasil está uma graça. No mês passado, a cidade de Nova York foi sacudida por uma tempestade das mais violentas. Denominaram-na de Sandy, aliás, por coincidência também o nome de uma cantora brasileira, mas que não tem nada a haver com o problema. Sabe-se que ela não gostou.

Tempestade

Pois bem, passado a tempestade, a cidade ficou devastada em diversos locais. E foi nesses locais, com árvores caídas e carros danificados, mortes de pessoas, inclusive, que a modelo brasileira, Nana Gouveira,  fez um ensaio fotográfico patrocinado pelo seu marido.
Durante a tempestade, os dois ficaram sem poder sair do hotel (deviam ter saído). Aí ela declarou: " Foi como uma lua de mel naquele dia".


Com vela e tudo!

sábado, 26 de janeiro de 2013

CARNAVAL DE HOJE E DE ANTIGAMENTE- SEMELHANÇAS


A maioria dos grandes camarotes do Carnaval de Salvador está anunciando que no seu espaço interno, haverá uma banda absolutamente independente, isto é, tocando apenas para as pessoas presentes em determinado espaço. Nada haver com o Trio Elétrico da rua, digamos assim. Diz-se, inclusive que “as apresentações em camarote são uma tendência e muitas bandas estão explorando este novo espaço”.
Será que esta tendência pode ser vista como uma volta ao passado, quando após as brincadeiras de rua durante o dia, à noite se ia para os clubes em ambiente fechado?
A nosso ver mais ou menos por aí. Como os clubes, o espaço dos camarotes, por maior que ele seja, tem suas limitações e as suas regras. Aliás, tudo tem regra. A primeira delas é a elitização. Só frequenta os possuidores da camisa de cada bloco, muito embora haja sempre as falsificações.
Nos clubes era a mesma coisa. Só entravam na sede os portadores das respectivas carteiras de sócio e, igualmente, havia gente que falsificava o documento.
Todavia, o que mais aproxima um carnaval do outro, é a programação do folião. O de hoje: primeiro, brinca na rua “atrás do Trio Elétrico” e depois se dirige para seu camarote para complementar a folia. Lá ele ficará até às quatro da manhã.
Os dois Carnavais
O mesmo fazia o folião de antigamente. Brincava na rua até três ou quatro horas da tarde; depois ia para a casa para um pequeno descanso e à noite, fantasiado, ia para o clube, onde ficava até quatro horas da manhã.
Mas, haverá quem diga que o folião de hoje não descansa e o de antigamente descansava entre uma fase e outra do seu dia carnavalesco.
Ledo engano! O folião de antigamente estava na Rua Chile desde as  9 horas da manhã. O de hoje, dorme a manhã toda e só a partir das 4 horas da tarde, concentra-se no Corredor da Vitória para o desfile e saliente-se ainda que muitos deles dão grandes cochiladas ali mesmo no asfalto.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

AS PROEZAS DE VALTINHO ACARAJÉ


Jorge Luiz Deiró nos enviou a foto acima. Entre todos reconhecemos Valtinho Acarajé. Fizemos uma sinalização. É o quarto a partir da esquerda. Era um grande mergulhador. Fazia até trabalhos profissionais junto à Petrobrás e Navegação Baiana. Antes disso, ficou famoso por ter ganhado  uma das travessias à nado Mar Grande Salvador (1957). Em 1959 foi a Inglaterra participar da Travessia do Canal da Mancha, juntamente com Elder Pompilho de Abreu que era o recordista da prova. Não tiveram sucesso. Elder nem caiu n’água e Waltinho nadou alguns minutos. A água estava muito fria. Não era para baianos. Culpa-se o treinamento que tiveram, nas águas tropicais da Baía de Todos os Santos. Poderiam ter feito um estágio no sul do País para melhor adaptação, além de outros procedimentos ligados à alimentação e reforço orgânico. Mesmo assim, valeu. Foi uma grande experiência para futuras tentativas.
Além da proeza acima, ( um mero de 300 quilos) José Dortas conta-nos outra de Valtinho. Aconteceu em 1966. Ele laçou uma baleia na Ribeira.
Baleia arpoada arrastando a canoa


Vejam o seu relato:

“Quando retornei a Ribeira o rebuliço era total. Alguns pescadores de Plataforma tinham arpoado uma baleia e ela estava rebocando as canoas por toda a enseada. Parecia o filme Moby Dick, só que a baleia  era negra.

A turma que mergulhava comigo já tinha preparado a canoa com motor e já ia sair para participar da confusão, quando então embarquei com uma câmera pereba que tinha levado, para que, se visse o suposto monstro de novo, fotografá-lo.
A baleia em frente à Ribeira
Ao fundo o Edificio Rex

Íamos na canoa, eu, Severo e seu irmão Vadinho, Valtinho Acarajé, Carlos da Gama conhecido como Fifa e que poucos anos atrás morreu em Cações vítima de pesca a dinamite, em que era viciado, Arizinho e mais algumas pessoas que eu não me lembro.
A baleia já estava arpoada, mas temia-se que o arpão soltasse quando então Valtinho Acarajé, com uma ducha de cabo de ¾” e seguindo pelo cabo do arpão, mergulhou quando a baleia emergiu. Quando veio à tona, o cabo já  estava passado, e ele, com as pernas trançadas na cauda, estava como que montando o mamífero. Éramos loucos e o que ele fez, qualquer um de nós faria porque nos julgávamos imortais.”
Senão imortais; quase isto.  Conta-se que Valtinho, quando se encontrava sem fazer nada,  costumava cair n’água em Itapagipe e nadava até o Porto. De volta, pegava um ônibus. Fez isto diversas vezes. De passagem, pescava umas lagostas na borda do canal.  Servia-as no seu restaurante no Pôço. Antes mostrava o marisco vivo, debatendo-se em suas mãos. Tinha um aquário no estabelecimento com dezenas delas.
Restaurante que pertenceu a Waltinho
Os garçons de hoje que trabalharam para ele contam a sua história. "Foi o primeiro brasileiro a ir a Mancha" - "As lagostas que servia eram pescadas por ele mesmo.. Eram famosas". "Hoje, aqui no Pôço só é servido siri catado. Qualquer um pega."  Valeu Valtinho!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

RESPOSTA DA NATUREZA


Árvores mutiladas na Av. Vasco da Gama
Muitos devem estar lembrados da foto acima. Foram mutiladas diversas grandes árvores existentes na Av. Vasco da Gama, onde estão sendo feitas obras no canal que ali passa. Estranhamente, mantiveram os troncos e deceparam as copas das árvores. Ninguém entendeu, desde que, efetivamente, os troncos dessas árvores são imensos e poderiam estar atrapalhando a construção da pista que se faz no lugar onde corre o Rio Lucaia. Não foi o caso! Cortaram apenas as copas das árvores que influenciam apenas o espaço aéreo que nada tem a ver com a construção, pelo menos até o momento que os engenheiros responsáveis dêem uma satisfação à sociedade sobre o fato.
Decorridos dois ou três meses do ocorrido, eis que retornamos ao local  para ver a reação dessas árvores: se morreriam em definitivo (está aí uma boa razão) ou se recuperariam do estrago sofrido.
A resposta está na foto adiante. As árvores estão recuperando seus galhos e folhas numa resposta sensacional da natureza.
As árvores recuperam suas folhas

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

CARNAVAL DE HOJE E DE ANTIGAMENTE - TRIO ELÉTRICO


Temos um amigo (Augusto) que, toda vez que nos encontrávamos, (faz tempo que não o vejo),  dizia que  precisávamos contar a história da natação da Bahia. Temia ele que tudo se perdesse! Nadamos juntos em Itapagipe. Foi aí que resolvemos criar um blog intitulado “A verdadeira história da natação da Bahia”. Foram feitas duas dezenas de postagens e, satisfeitos,  paramos de escrever o referido blog. O assunto tinha se esgotado... Chegamos aos tempos atuais. Deixamos o resto para os outros.
O que acontece? Fomos menino, adolescente e adulto entre dois séculos. Acompanhamos  a grande evolução que o mundo teve entre meados do século XX e principio do século XXI em vários setores da atividade humana.
Como no presente estamos tratando de Carnaval, acompanhamos  de perto tudo que se lhe diz respeito entre os dois séculos. Para sermos mais precisos, vivemos muito de seus momentos. Por exemplo, acompanhamos de perto a transição do antigo carnaval chamado de “clubes” para o carnaval denominado de “rua”; vimos sua transformação material e imaterial, ou seja, acompanhamos a mudança de seus conceitos.
Cabe-nos contar aos  leitores essa transformação. Aliás, na postagem anterior já fizemos referências importantes sobre o comportamento do folião no carnaval de antigamente. Bastante diferente dos dias de hoje.
Hoje, vamos falar como foi possível esquecer as fantasias, as músicas, os adereços do carnaval de antigamente, sua beleza infinita e substituí-los pelo que vemos e ouvimos hoje em dia?
A maioria dos autores culpa o surgimento do Trio Elétrico, que teve inicio na “fobica” de Dodô e Osmar no Carnaval de 1950.
Fobica de Osmar



A respeito conta-nos o jornalista Gil Maciel (Publicado no jornal Correio da Bahia em 22 de janeiro e 2000):
"A fobica trafegava lentamente. Dentro do carro, Dodô e Osmar tocavam frevos e marchinhas, com seus paus elétricos. Osmar estava preocupado em não atrapalhar o cortejo dos blocos na Rua Chile. Ele virou para Dodô e disse: "Rapaz, tô com medo que a gente seja preso por causa da confusão.
Os dois decidiram pedir ao motorista que parasse o carro e foi quando ouviram do condutor uma resposta emblemática: "Já estamos sem freio e sem embreagem há muito tempo. Quem está empurrando o carro é a multidão".
Era domingo de carnaval de 1950. O dia em que a Bahia conheceu oCarnaval viva do embrião do Trio Elétrico. "Peguei eles na Castro Alves, já com muita gente seguindo. Quando chegamos ao pé da ladeira que subia para a Rua Chile, a fobica quebrou", lembra Orlando Tapajós, que depois veio a ser o dono do Trio Tapajós e hoje é uma lenda viva do Carnaval"



Daí pra frente, nos carnavais seguintes,  foram surgindo os Trios Elétricos em potentes caminhões e os blocos foram aderindo na sua formação. O primeiro deles foi “Os Internacionais”. Depois vieram “Os Corujas”, o “Eva”, etc. Hoje são mais de 100.
Aos poucos ou quase imediatamente, os foliões trocaram os clubes pelo carnaval de rua. Também trocaram as fantasias pelas mortalhas e abadás, nessa ordem.

Mortalhas e abadás - foram elas que encurtaram as mortalhas

As mortalhas eram uma bata comprida, até os pés. As meninas aos poucos foram suspendendo  a bainha até ficar na altura dos joelhos e das coxas. Surgiu assim o abadá de hoje. Grande idéia. Ficou bonito! Mesmo assim, tem gente que não se conforma até os dias de hoje. Vejamos o que  foi escrito na revista Varginal sobre o assunto. É terrível! Seja ser preconceituoso:
"A estrutura do Carnaval dos trios é o espelhamento de uma sociedade no seu paroxismo. É impossível manter a estabilidade de tal festa, pela sua magnitude, sem estabelecer medidas repressivas que impeçam o surgimento de conflitos de grandes proporções. Apesar disso, a violência explícita, por vezes, era mostrada pela mídia; até que um dia, um acontecimento, na Praça Castro Alves, chocou a opinião pública: uma turista branca e loura foi atacada, saqueada e quase desnudada, diante de todos que acompanhavam o trio elétrico, por um grupo de indivíduos num ato de selvageria que a mídia transmitiu para todo o país. A partir desse dia estabeleceu-se a censura à Imprensa: não se divulgava mais cenas de violência como brigas e arrastões, embora eles continuassem existindo. Passou-se, então, a divulgar a falsa estatística do “Carnaval sem violência”, com números manipulados. Para atrair turistas, criou-se o mito da “Bahia: terra da felicidade”.
Por via das dúvidas, e por não acreditar nas estatísticas, a “elite” resolveu proteger-se criando espaços limitados por cordas e defendidos pela versão baiana dos “tonton macoutes” de Charles Duvalier, ex-ditador do Haiti – os “cordeiros” (nem tão cordeiros assim). Sua função é dar bordoadas em quem ousar ultrapassar os limites estabelecidos do espaço privilegiado dos que podem pagar por um abadá. Nesse espaço, com uma estrutura de apoio que inclui serviços médicos, sanitários, lanchonete e bar, não são aplicadas as leis que valem para o cidadão comum: usa-se lança-perfume até desmaiar, drogas rolam, mas tudo dentro da nova ordem estabelecida dentro do bloco.
O folião marginalizado – o chamado “pipoca” – e o que vai apenas “olhar” o Carnaval paga caro pela ousadia de atrapalhar o desfile dos cortejos. Além da brutalidade dos “cordeiros”, da ação de marginais furtando seus pertences, há a atitude covarde dos chamados “malhados”, indivíduos que passam o ano inteiro treinando em academias com o objetivo único de agredir os que não brincam sob a proteção do abadá.
No topo dessa pirâmide carnavalesca situa-se a classe média alta, que, do alto dos seus luxuosos camarotes – verdadeiros bunkers, super-protegidos, que chegam a possuir mais de mil metros quadrados de área – acompanha o desenrolar desse drama, refestelando-se com saborosas iguarias, sob efeito de bebidas alcoólicas.  A mídia encarrega-se, por meio de suas estrelas, de prestigiar, com retórica convenientemente elaborada, essa que é apelidada de “a maior festa do planeta” – em que para se brincar é preciso resistência de super-homem – louvando o monumental, o grandioso, com destaques nos flashes da TV para representantes da mais pura eugenia dos blocos de “gente bonita”, ou seja, jovens de pele clara e de classe média e média alta."















"




CARNAVAL DE HOJE E DE ANTIGAMENTE- COMPORTAMENTO

O Carnaval de antigamente tinha um comportamento absolutamente diverso do de hoje. Vivemos esse período. Somos testemunha ao vivo.  Ás 8 horas da manhã de domingo, primeiro dia de Carnaval e não quarta, quinta e sesta como é hoje, estávamos prontos para ir para a Rua Chile. Todos mascarados e sempre em grupos, no mínimo em pares. Ninguém saía desacompanhado, principalmente as mulheres. Pegávamos os bondes que se dirigiam para o centro da festa. A exceção do motorneiro e o cobrador, todos estavam mascarados.
 A essa altura a Rua Chile já estava lotada de gente mascarada e todos acompanhavam as músicas dos alto falantes instalados em cada poste. Músicas feitas para aquele Carnaval e que cada um sabia de cor e salteado. Marchavam ou sambavam conforme o ritmo. Das janelas e das marquises dos prédios em torno chovia correntes de serpentina e nuvens de confete.

O ar se impregnava do cheiro dos lança perfume Rodôro. Ainda não havia a intenção de cheirar o liquido. Isto já faz parte da transição do carnaval. Não foi daquele tempo. Estamos nos referindo aos anos 40 e 50 do século passado. Em 1961 ela foi proibida pelo então Presidente Jânio Quadros. Já os costumes começavam a mudar e em mudando, agiu acertadamente o então presidente. Ainda de relação a isto, a sugestão da proibição do lança perfume partiu do radialista Flávio Cavalcante, imediatamente acatada pelo governo.
 Mas vamos ao nosso périplo carnavalesco. Aquele mundão de gente fazia a volta na Rua da Ajuda. Não seguia em frente em direção à Praça Castro Alves e muito menos subia a ladeira em direção à São Bento.
Ao final da Rua D’Ajuda ainda não havia sido construído o atual viaduto ligando-a a Praça da Sé. Havia uma depressão do terreno. A grande maioria evitava-o. Dobrava-se na esquina do Café das Meninas, ou seja, na Rua do Tira Chapéu, ao lado da Prefeitura ou na esquina adiante que era da Ladeira da Praça. Era um vértice famoso. Bem na ponta ficava a Confeitara Colombo que mantinha as portas abertas. Antigos clientes preferiam ficar ali. Gente rica e famosa. Divertiam-se com as brincadeiras dos mascarados. E a festa continuava até duas ou três horas da tarde, ao tempo em que se esvaziava completamente aquele espaço. Os caretas voltavam para casa por pouco tempo, entretanto. Almoçavam e descansavam um pouco. Já entre 5 e 6 horas já estavam de novo na Rua Chile. Os rapazes com suas melhores roupas e as moças com seus melhores vestidos. Era a hora do “footing”. Fazia-se uma fila no meio da Rua da Chile e as moças em pequenos grupos desfilavam de mãos ou braços dados. Era um costume da época. O lança-perfume corria solto dirigido às mais preferidas. “Encontro com você nos Fantoches”: ou no “Cruz Vermelha”. Também tinhas as negativas: “Não posso ir, meu pai não deixou”. “Que pena”- então amanhã aqui na Rua Chile”. “Estarei mascarada. Você não vai me reconhecer”. Ai começavam a chegar os carros alegóricos dos grandes clubes – Fantoches da Euterpe, Inocentes em Progresso e Cruz Varmelha. Viam dos lados da Av. Carlos Gomes, menos íngreme. Subiam direto para a Rua Chile, hoje contra mão. A Rua da Ajuda era muito estreita. Alcançavam a Rua da Misericórdia e davam a volta na  Praça da Sé. Passava de novo pela Rua da Misericórdia e Rua Chile numa grande apoteose. Retornavam pela mesma Rua Carlos Gomes onde começaram. A rainha e a Princesa dos Fantoches saltavam na esquina da Rua do Cabeça; se dirigiam para o clube ali na Rua Democrata. A festa estava começando. Recebiam as últimas homenagens. As do Cruz Vermelho iam até a porta do seu clube do Campo Grande.


Guarda de Honra do Cruz Vermelha em 1938




Carros alegóricos do Fantoches da Euterpe

 Sede do Cruz Vermelha

 Sede do Fantoches
 
 As do Inocente não sabemos onde ficavam. Os pais certamente as pegavam de carro, aliás, os poucos carros que existiam. Os bailes já tinham começado. Britinho e seus Estucas e  as vezes a orquestra de Marilda ou de Gilberto já davam os primeiros acordes. Milhares de foliões enchiam o salão e o rink do outrora grande clube da Rua Democrata. A festa só terminava às 4 horas da manhã de segunda-feira.Não havia nenhuma prorrogação. Um minuto sequer. Segunda voltava a ter o baile e na terça fazia-se o encerramento. Nesse dia, a osquestra saía a tocar pelo Largo 2 de Julho com os foliões atrás. Aconteceu umas duas vezes. Uma excepcionalidade. Vale também um registro sobre o “peru dos Fantoches”. Era a grande pedida gastronômica da festa. Com farofa e um pouco de arroz. Era feito no próprio clube. Na sesta-feira e sábado, chegavam das feiras centenas de perús vivos à séde do clube. Ficavam presos em uma sala. Eram mortos ali mesmo e cozidos posteriormente. Deviam ser dezenas de cozinheiras. Gente que conhecia essa área.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

CARNAVAL DE HOJE E ANTIGAMENTE- CAMAROTES E BANCOS


O Carnaval está nas portas. Será no principio de março. A cidade já está se transformando. É impressionante como isso acontece. As fachadas dos prédios ganham novas formas. São tubuladas com andaimes e ganham estrados. Viram camarotes para os foliões que irão assistir ao desfile dos Trios Elétricos com todo o conforto, o chamado “all inclusive” correspondente mais ou menos ao que segue:



Bebidas (Scoth Whisky), Vodka, roskas, tequila, cerveja, vinhos e espumantes. Refrigerantes e Água Mineral. Diversificado menu assinado por diversas grifes gastronômicas. 2.800 metros quadrados  de conforto e glamour com 105 metros de mirante “super-view” à 4 metros dos trios elétricos. Shows ao vivo nos intervalos entre a passagem dos trios elétricos; boite climatizada animadas por bandas e Dj’s. amplos toiletes fixos e climatizados. Posto médico, “relaxe zone” com vista para o mar, massaterapia, perfumaria, salão de beleza e cinema.
PREÇOS: domingo R$650.00 – segunda-650.00 - terça: 600.00 – Total:R$1.900.00
Estamos nos referindo ao Circuito denominado Barra-Ondina, desde que no centro da cidade, Circuito Dodô e Osmar, as modificações restringem-se, quase que exclusivamente às arquibancadas, igualmente tubuladas, os tais andaimes usados na construção civil.
PREÇOS: Entre R$20.00 e R$40.00 dependendo do lugar. (cada dia).
            E como era antigamente, isto é, nos idos de 1940 até mais ou menos 1970. Como o povo assistia ao Carnaval? Quanto pagava? Essas coisas.
Antes de tudo, excluamos o Circuito Barra-Ondina. Não havia Carnaval de rua nesse trecho. O Carnaval se limitava entre a Rua da Misericórdia e o Rosário, esquina com a Casa da Itália, mas a grande concentração de público se dava na Rua Chile, com extensão à Rua da Ajuda e Rua da Misericórdia. Era uma massa humana que rodava nesse espaço ao som de músicas de alto-falantes e coro de milhares de vozes. Todo mundo mascarado e fantasiado, numa policromia deveras extraordinária. Começava cedo. Já às nove horas da manhã, não havia mais vazios no percurso.





Rua Chile
 Rua da Ajuda
Rua da Misericórdia
Na parte da tarde, os grandes blocos da época “Filhos do Fogo” – “Filhos do Mar” – “Ladrões de Bagdá” – “Filhos de Ghandi”, desfilavam na Av. 7 de setembro com mais liberdade.
 Av. 7 de setembro
E como o povo assistia a esse carnaval? Geralmente de pé nas calçadas. Ali para os lados de São Pedro, Piedade e Rosário, as famílias costumavam colocar bancos que se amarravam nas árvores de um dia para outro. Também se usavam sofás mais ou menos velhos e cadeiras idem. Havia sempre a possibilidade de serem levados. Muitos o foram.
As famílias mais abastadas costumavam alugar o primeiro andar das casas no perímetro. O térreo era sempre uma loja que se mantinha fechada nos três dias de folia. Muitas delas tinham uma marquise. Costumava-se colocar cadeiras nesse espaço e aumentar a assistência. Determinada vez, uma dessas marquises despencou e feriu as pessoas que nelas se encontravam. No ano seguinte, a Prefeitura condenou todas as marquises. Resultado: ninguém mais alugou as casas respectivas.

sábado, 19 de janeiro de 2013

FLAGFANTES DA LAVAGEM DO BONFIM


Efetivamente não deu para ir a lavagem. Uma das poucas que não fui. Andei tentando vê-la nos canais de televisão, mas não é a mesma coisa. Não se sente o calor humano e o sentimento de fé que emana de todos. Quando ainda muito jovem, gostava de ver a subida das baianas ao topo da ladeira. Vi a primeira vez que isto ocorreu. Como contei outro dia, passaram uma corda entre o Solar Marback e o pequeno obelisco na  ponta da balaustrada do outro lado e as baianas se concentraram nessa contenção; atrás delas, a Banda de Música da Polícia Militar e alguns curiosos. Quando deu 10 horas, a corda caiu e o pequeno cortejo subiu a ladeira. Hoje quando as baianas vindas da Conceição da Praia sobem a ladeira, centenas delas e milhares de outras pessoas, o chão como que treme e o ar se impregna com o perfume das flores e das águas de seus potes. É como se fosse uma onda gigante de um mar de gente.
E como é de costume nos dias de hoje, fui para internet ver os vídeos e as fotos do grande acontecimento. Selecionei  alguma coisa que agora publico, antes parabenizando os autores das mesmas.
Começo com uma foto da nossa Vice-Prefeita, vestida de baiana. Ela tinha vontade de participar de uma lavagem vestida de bahiana. Foi muito feliz. Parabéns! É uma mulher linda.

A força de uma vontade
 Sem palavras

Tradicionalíssimo!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

AINDA O NAVIO-DIQUE ARAUJO PINHO

Navio-dique Araujo Pinho
Mas não é que a publicação da foto do “navio-dique” Araujo Pinho está causando até emoções! Levamos três anos procurando-a. Muitos foram consultados, principalmente antigos moradores de Itapagipe, mas ninguém tinha. Naqueles tempos não era fácil fotografar. Pouca gente possuia uma máquina de fotografar. Só profissionais tinham a bendita cuja e quem haveria de estar fotografando navios-dique? E foi justamente por aí que alcançamos o nosso objetivo. Fomos encontrar a foto do navio-dique numa publicação do Instituto de Engenharia. Era um ensaio de uma determinada pessoa à Faculdade de Engenharia da Bahia. Lá estava, junto com outra do navio Paraguassú, que também tem história. Esta era datada de 1939. A do dique talvez seja posterior. Não há referência.
Mas, dizíamos que até emoções causou. Claro que isto precisa ser mais bem explicado. É que a foto trouxe lembranças do tempo de criança de algumas pessoas. Sim, as crianças davam pulos n’água a partir da popa do navio dique. Entravam pela frente, encostada na Rua da Penha e se jogavam n’água. Os operários deixavam. Quando não isto, a brincadeira era contornar a nado o inusitado estaleiro. Ele ficava apoitado onde é hoje a Marina da Penha. Era um lugar fundo. Mais fundo que hoje. O mar andou dando uns recuos após a drenagem de grande quantidade de areia para aterrar os Alagados. A draga ficava ali perto. Surgiram praias permanentes em diversos lugares da península. Como exemplo maior, aquela nas proximidades da Ponte da Cruch. Hoje tem  mais de 50 metros e ainda está aumentando. Antes disso, naquele velho tempo, o mar batia no cais e nas marés de março, as ondas molhavam as casas em frente, inclusive a nossa que era no local.




Praia permanente na Av. Beira-Mar

 Outra praia surgida inusitadamente foi aquela em frente às garagens de remo do Vitória e São Salvador na Ribeira. Ali nunca houve praia! Hoje a meninada está jogando bola no seu espaço. Grandes babas!


Praia nos Tanheiros
Também se desconfia que a prainha ao lado da Marina da Penha, onde ficava o Araujo Penha, tenha surgido também em razão dessa perigosa movimentação de areia e outras tantas.



Marina da Penha
Mas houve outra? E como houve. A Fábrica de Cimento Aratu estabelecida ali para os lados de São Tomé de Paripe,  retirou do mar em frente, milhões de metros quadrados de areia e cascalho para fazer cimento. Quando se estabeleceu a Base Naval de Aratu, tomaram uma providência.
Mas voltemos ao nosso Araujo Pinho. Tem uma história interessante envolvendo o nadador-remador Parada, grande skifista. Pertencia ao Itapagipe, se não nos enganamos. Quando da abertura das inscrições para a Travessia denominada A Volta da Península, Parada fez uma advertência aos demais nadadores, todos jovens. Ele já estava na casa dos trinta. “ Quero ver essa garotada enfrentar o Dique Araujo Pinho”. Aí perguntaram: “mas o que tem o dique para causar tanto pavor?” – Peixes. Muitos peixes. Perigosos! Resultado: o comentário afastou diversos nadadores cujas mães ficaram preocupadas. Mais tarde se soube que os peixes que ficavam em baixo do dique eram pititingas e chicharros olho de boi.  Marcou. Saudades Parada.


Posteriormente, encontramos uma segunda foto do velho estaleiro. No primeiro plano, canoas à vela singram o canal da Penha e ao fundo o Araujo Pinho. A foto não é das melhores, mas ajuda.

LAVAGEM DO BONFIM - AMANHÃ DIA 17-1-13


Amanhã se realiza mais uma Lavagem do Bonfim. Não estarei presente. Questões de saúde. Ficarei em casa pensando como ela será.  As mesmas baianas, Filhos de Ghandi, as carroças com seus jegues enfeitados, todo mundo de branco, inclusive o novo prefeito que está com a bola toda. O governador estará apenas representado pelo seu vice. (Acha-se na China, bem longe). Mais jovem, têm mais saúde para receber os apupos do povo.  Ele não tem nada com isto. Não foi ele que entrou em choque com professores e outros servidores públicos.  Haverá de sorrir que é a melhor maneira de enfrentar situações tais. Claro que não pode baixar a cabeça. Seria como que aceitar. Sim, vocês estão certos!  Não é o caso. Não é comigo. As finanças do estado não podiam atender o tamanho das reivindicações.  Vocês não compreendem; estão indo atrás dos pelegos de plantão. E na mesma proporção que aumentam as vaias, crescem os aplausos ao novo prefeito. É proporcional!
Enquanto isto,  em nossa imaginação, já estamos caminhando em direção ao Bonfim. Chegamos ao Pilar. Quanta degradação!  O novo Prefeito deve estar atento ao problema. É uma excelente oportunidade para ele sentir a situação. Estivesse de carro e não perceberia certos detalhes do estrago geral dessa parte da cidade.
Caminha mais um pouco e já se encontra em frente à Feira de São Joaquim. Será que ele vai ter peito para reformar totalmente esse centro comercial?  Uma dezena de prefeitos já passou  pelo local e nenhum deles foi capaz de transformar essa feira em algo digno de nossa cidade, numa Cantareira baiana. Aliás, já fizeram uma parte o ano passado. Aproveitaram um galpão velho, parece que pertencente à Navegação Baiana e transferiam alguns feirantes para lá.  Deu uma melhorada, mas o que se faz necessário mesmo é uma reforma geral. O local é muito bonito. Infelizmente a maioria das pessoas não conheceu a Enseada do São Joaquim como nós conhecemos.  Já teve até jogo de polo aquático no local, à noite. A sede náutica do São Salvador ficava à esquerda da enseada e ainda não havia sido construído o prédio à direita onde funcionou a Petrobrás e hoje é uma escola, um centro educativo.
Feira de São Joaquim
 
Chegamos à Calçada. Virou uma feira. Tem tabuleiro de frutas por todos os lados.  Parece que o baiano gosta de feiras. Aliás, ali perto já funcionou uma feira de verdade, chamada Feira do Cortume.  À esquerda funcionava a penitenciária do Estado, hoje em ruínas. É outro lugar de absoluta degradação. Quando chove é uma calamidade. Ninguém passa. Para completar, diz-se que à direita, subindo para a Liberdade, funciona o maior centro de distribuição de drogas de Salvador. Os taxeiros  e os carteiros, se recusam a andar no local. A correspondência é entregue num bar da esquina, já na Liberdade. Os taxeiros deixam os clientes a 100 metros do local desejado.






Largo da Calçada e seus tabuleiros de fruta
 
 
Ai chegamos aos Mares e sua bela igreja. Alcançamos a Avenida Fernandes. Está toda tomada por casas comerciais. Antigamente só tinha residências. A que lhe é paralela, a Barão de Cotegipe, também é só comercio. Em dias normais o trânsito é um inferno.
Mais um pouco e já estamos no Largo de Roma. Diz-se que no local será implantado um “memorial” em homenagem à Irmã Dulce. Vejam o que vão fazer. As últimas praças feitas em Salvador, Wlson Lins, Dodô e Osmar ficaram a desejar. É hora de se fazer algo monumental, de bom gosto pelo menos. Será uma referência turística.
Por fim já estamos no Bonfim. O atual Prefeito é muito jovem.  Deve fazer  toda a caminhada, diferentemente de algus de seus antecessores. Esses começavam  andando na Conceição da Praia; alçavam a Rua Miguel Calmon sob uma chuva de papel picado e ali no Pilar, mais ou menos, pegavam um carro oficial e saltavam na Baixa do Bonfim. Ficavam aguardando a Lavagem chegar. Aí se punham em meio às baianas e subiam a ladeira cantando o hino ao Senhor do Bonfim. Isto é que homem de resistência!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

BARRACAS DE PRAIA DE SALVADOR- VOLTAM OU NÃO?


Não resta a menor dúvida da importância econômica de um litoral como nosso de belas praias e águas mornas. Primeiramente, torna-se uma atração turística e como tal movimenta diversos setores agregados ao setor. Paralelamente, é um meio de vida de milhares de pessoas, desde os envolvidos com a pesca profissional, até o simples vendedor de amendoim, de picolé, de empada, o nosso antigo barraqueiro, etc. etc.. Todos ganham ou ganhavam (barraqueiros) com a existência das praias de qualquer lugar.
Por essa razão, é de estranhar que passados dois ou três anos da extinção das barracas de praia em Salvador, não se tenha encontrado uma solução para o retorno das mesmas, evidentemente dentro de novos padrões estruturais.
Padrões estruturais?! Sim, isto mesmo. Não se pode admitir que não tenha sido por essa razão o motivo da retirada das mesmas, desde que em outras capitais e mesmo no Estado, as barracas continuam em seus lugares, vendendo iguarias e bebidas, mas principalmente dando emprego a muita gente.
Desde a sua extinção, ficamos imaginando o que os ex-trabalhadores das barracas de Salvador estão fazendo para viver.
Como é sabido, esse pessoal tem nível escolar baixo ou não tem nenhum o que se lhes torna difícil o emprego em outra atividade. Por essa razão, não há menor dúvida, que muitos terão se envolvido com atividades ilegais, como é bastante corriqueiro nos dias de hoje. Admitir outra derivação é absolutamente inverossímel.  
A medida também deve estar prejudicando o turismo. Mas como? Eles (turistas) não vêm aqui para tomar banho de mar?
Com toda a certeza, não vem não. Geralmente, saem do hotel em ônibus para os poucos “tours”que a cidade proporciona- o Pelourinho – Senhor do Bonfim – o que mais? Praia sem dúvida. Mas ficar aonde na praia? Não tem onde ficar... no sol causticante? Nem pensar.
O mesmo acontece com a população de idosos. Esse pessoal já não pode ir a praia como um jovem. Tomar sol, nadar, surfar, etc. etc. Em verdade, tinham nas barracas uma boa opção. Tomavam sua cerveja; comiam seu caranguejo, olhavam o ambiente. Que mais fazer?
Mas, estendendo o pensamento: as crianças também tinham nas barracas uma proteção contra o sol.
Vamos um pouco mais longe: e a higiene. Muitas das barracas mantinham sanitários e pontos de água corrente. Onde a população está satisfazendo suas necessidades? No mar, claro, poluindo-o de uma forma das mais insólitas
Outra feita, um defensor da extinção das barracas, certamente um chato, argumentava que a maioria das barracas não tinha sanitários. Verdade! Mas era uma providência que se exigida pelos órgãos competentes, seria tomada por todas, de imediato. Não é por aí.
Preocupa-nos também o fato de que, na última campanha para prefeito da Capital, este assunto foi pouco tratado. Parece-nos que ACM Neto fez alguma referência; o outro, entretanto, parece que nem conhecia o assunto.

Também é preocupante a boataria referente à autoria da proibição das barracas. Entre os barraqueiros, quase sem nenhuma exceção, diz-se que foi o ex-prefeito. Até a imprensa, determinados órgãos, endossam essa informação por interesses políticos. Por conveniência, foi João Henrique e estamos conversados.
Isto precisa acabar; ter um fim. Oficialmente, a medida partiu da Procuradora Geral da República  do Brasil, órgão federal, como todos sabem.
Segundo se sabe, no processo até a Prefeitura é ré e não autora.
E porque é importante saber toda a verdade. Apenasmente para que as ações para derrubar essa medida sejam dirigidas a quem de direito. Não se pode perder mais tempo. O prefeito agora é outro e o governador, adversário político, está disposto a ajudar a Prefeitura num gesto admirável pelo bem dessa cidade.
Barraca de praia em Lauro de Freitas- Tiveram coragem de derrubá-la?

Também é oportuno frisar o que substituiu as barracas, desde que, muito naturalmente, alguma alternativa teria que ser seguida por alguns barraqueiros. Absolutamente natural. Pois bem! No lugar das barracas ou próximas delas – no meio da praia inclusive, foram juntados os engradados de cerveja e meia dúzia de isopores, materiais protegidos por velhos guardas-sol das empresas de cerveja. Para sentar uma providência vinda dos campos – duas pedras ou alguns tijolos e uma tábua estendida entre eles. Uma graça. E aqueles que fazem os conhecidos “churrasquinhos”, uma churrasqueira de araque, ameaçando os banhistas com suas brasas.
O que fazer agora?