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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ENSEADA DA PREGUIÇA - A FICÇÃO E A REALIDADE

De acordo com o que escreveu Gabriel Soares de Souza em seu Tratado Descritivo do Brasil, Tomé de Souza após aportar suas naus e caravelas no Porto – Vila Velha – não achou segura a permanência das mesmas nesse local. Vejamos o que escreveu o nosso primeiro cronista:

“Como Tomé de Sousa acabou de desembarcar a gente da armada e
a assentou na Vila Velha, mandou descobrir a baía, e que lhe buscassem
mais para dentro alguma abrigada melhor que a em que estava a armada
para a tirarem daquele porto da Vila Velha, onde não estava segura, por
ser muito desabrigada; e por se achar logo o porto e ancoradouro, que
agora está defronte da cidade, mandou passar a frota para lá, por ser
muito limpo e abrigado; e como teve a armada segura, mandou descobrir
a terra bem, e achou que defronte do mesmo porto era melhor sítio que
por ali havia para edificar a cidade, e por respeito do porto assentou que
não convinha fortificar-se no porto de Vila Velha, por defronte desse
porto estar uma grande fonte, bem à borda da água que servia para
aguada dos navios e serviço da cidade, o que pareceu bem a todas as
pessoas do conselho que nisso assinaram”.

Pelo que se depreende, claramente, Tomé de Souza transferiu suas naus para um novo “porto e ancoradouro”. Logo percebeu que defronte desse porto era o melhor lugar para edificar a cidade.

Para quem conhece Salvador e vem pesquisando sua formação, defronte onde seria a cidade só mesmo a Preguiça, inclusive onde se torna mais fácil a subida e descida das pessoas, mas será que seria ela desprotegida ou descampada como hoje acontece, não fosse a construção de uma Marina no local?

- Evidentemente que não – Gabriel referiu-se ao local como sendo um porto e ancoradouro e a frota foi logo transferida para lá.

Em assim sendo, é absolutamente lógico e claro que no local havia uma enseada, aliás, uma grande enseada, ou seja, uma deslocação para dentro da linha do mar.

Enseada da Preguiça - Como deveria ser

Como seria a Enseada da Preguiça (Traço Branco): Teria começo na praia à direita ao lado do Restaurante Amado. Aprofundava-se até a altura da Igreja da Conceição da Praia (na época apenas uma ermida); corria pela atual Rua da Preguiça até próximo ao atual Elevador Lacerda; prosseguia até o Plano Gonçalves e fechava onde é hoje a Praça Riachuelo.

Vamos tentar consolidar esta hipótese trazendo à mostra fotos e representações do local. A primeira delas é um painel existente na sede da Companhia Navegação Baiana. Belíssimo e esclarecedor. É da autoria do artista Udo Knoff:


Painel existente no Terminal Marítimo de Salvador

O mar chegava próximo à igreja e ao Elevador Lacerda, na época ainda Elevador da Conceição. Reparem o cais de contenção. É evidente que é apenas uma representação, daí embarcações dos tempos de hoje.


Enquanto atrás tivemos a ficção de uma representação artística, a foto acima atesta uma realidade - o mar chegava próximo à encosta, junto às casas, igrejas, elevadores, etc... Era uma enseada mesmo!
Excepcional gravura da Enseada da Preguiça de Diógenes Rebouças

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