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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

LAVAGEM DO BONFIM – UMA FESTA DAS BOAS

A Bahia se prepara para mais uma Lavagem do Bonfim. Aliás, não só a Bahia, mas todo o Brasil e, possivelmente, boa parte do mundo, desde que aqui aportam milhares de turistas vindos de diversos países. Como se costuma dizer, sua fama ultrapassa as nossas fronteiras. É um velho adágio, mas é a verdade.
Por outro lado, é uma festa de todas as idades, principalmente dos mais velhos. Costuma-se ver na Lavagem grupo de senhores e senhoras, vestidos de branco, caminhando pelas ruas da velha Cidade Baixa rumo à Colina. Antes já tomaram algumas providências etílicas e gastronômicas no Mercado Modelo. É tradicional a feijoada que é servida nas primeiras horas da manhã, não só no grande templo de compras artesanais, mas também ao seu redor, mais precisamente, do lado que dá para a Escola de Aprendizes de Marinheiro. Ali, famosas quituteiras da Bahia com suas panelas brilhando ao sol, oferecem o famoso prato brasileiro que se iniciou ao tempo dos escravos. Já vêm pronto de casa, e se mantêm aquecidas as panelas com toalhas de linho da Ilha de Maré. Mesas? Para que mesas? Improvisam-se assentos de tábua com dois paralepípedos nas extremidades; juntam-se as duas pernas e se forma o apoio necessário para comer. A cerveja fica ao lado em copos de plástico. Bem artesanal! Bem Bahia!



Diz-se em todas as esferas da literatura sobre gastronomia brasileira, que a feijoada, a mais típica iguaria das mesas brasileiras, nos foi legada pelos escravos. Segundo muitos, o grande prato brasileiro teria surgido do repúdio dos portugueses pelas partes menos nobres dos porcos, como orelhas, rabos e pés, e em sendo rejeitados, eram então cedidos aos moradores das senzalas, seus escravos. De posse de todos esses ingredientes, teriam os escravos resolvido cozinhar tudo ao mesmo tempo com feijão, água, sal e condimentos, surgindo dessa mistura a nossa tradicional feijoada.
Enquanto isto, os patrocinadores da festa, gente da Prefeitura, vai compondo o cortejo ao longo do “largo” em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia,dispondo os diversos grupos à medida que eles vão chegando: as baianas aqui, as carroças ali, afoxé tal acolá, as autoridades, a banda de música quando aparece, os cavalos, os torcedores do Bahia e do Vitória com suas bandeiras, o jegue elétrico, os sindicatos de muitas categorias com suas faixas reivindicativas de aumento salarial e o povo. Este ninguém organiza. Vai se integrando conforme se lhe dá vontade e se encorpa durante todo o percurso em pontos convergentes. O primeiro deles é em Água de Meninos onde desceu pela Ladeira da Água Brusca os moradores do Barbalho, Santo Antônio, Macaubas e Quintas. Depois na Calçada com o pessoal do subúrbio ferroviário que chegou de trem vindo de Paripe, Plataforma, Lobato e outras tantas localidades do lado ferroviário de nossa cidade. Ainda nas proximidades, tem a gente do Uruguai, Retiro, Pau da Lima, Cajazeira, Castelo Branco e São Caetano. É uma massa humana gigantesca de mais de um milhão de pessoas. Como organizar tanta gente assim? Ela própria magicamente se forma e quando alça a colina do Senhor do Bonfim, entoa o hino do grande Santo de uma forma uníssona e maravilhosa, só comparável ao coro das grandes orquestras mundiais ou das grandes igrejas, ou seja, dos maiores espetáculos da terra. Ninguém esquece a sua letra e a sua harmonia. É o resultado do treino diário da vida. É a própria vida!






 

Hino do Senhor do Bonfim
Glória a ti neste dia de glória
glória a ti redentor que há cem anos
nossos pais conduziste à vitória
pelos mares e campos baianos
desta sagrada colina
mansão da misericórdia
dai-nos a graça divina
da justiça e da concórdia
glória a ti nessa altura sagrada
és o eterno farol, és o guia
és, senhor, sentinela avançada
és a guardo imortal da bahia.
dessa sagrada colina
mansão da misericórdia
dai-nos a graça divina
da justiça e da concórdia
aos teus pés que nos deste o direito
aos teus pés que nos deste a verdade
trata e exulta num férvido preito
a alma em festa da nossa cidade
desta sagrada colina
mansão da misericórdia
dai-nos a graça divina
da justiça e da concórdia

Arthur de Salles e João Antônio Wanderley






Indescretível! A visão de cada um.


No momento que as baianas sobem a ladeira, é como se fosse um lençol do melhor linho estendido na vertical da ladeira. Nesse momento, não há como não pensar no divino e já ficamos pensando coisas. Por exemplo, vemos na feliz fotografia acima, a nuvem formando a figura caprichada de um anjo com asas, como que admirando o espetáculo. É impressionante o detalhe.

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