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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

BONDES DE SALVADOR- CHIQUÉRRIMO!

Há poucos dias recebemos via internet diversas fotos dos antigos bondes que circulavam em Salvador até a década de 1960, aproximadamente.
Além do prazer de recordá-los, acrescente-se a isto a lembrança dos espaços onde eles circulavam, espaços estes hoje modificados pelas circunstâncias do tempo e razões outras de diversas ordens. A remessa foi feita por um grande amigo de Jequié, Humberto Barros, sempre atento as coisas da capital.
Por exemplo, o antigo bonde da Federação circulando em meio a vegetação agreste, quase nativa, onde deveriam correr pelo seus espaços senão onças e leopardos, pelo menos, gatos do mato e raposas.
Noutra foto, vemos a antiga igreja de São Pedro e o largo do mesmo nome. Um bonde circula num dos seus lados, bem encostadinho. Pois bem! Esta igreja e este largo foram destruídos para dar passagem a atual Avenida 7 de Setembro aí por volta de 1920. J.J. Seabra, então governador, queria por que queria, abrir os caminhos para a sua avenida, não importando as tradições históricas e a importância arquitetônica do que quer que fosse.

O nosso grande governador, o Reformista, só não teve sucesso na sua concepção retilínea, ou seja, no movimento em que o corpo ou ponto material se desloca apenas em trajetórias retas, segundo os físicos, quando teve pela frente os padres do Mosteiro de São Bento e da Basilica Arqueiabacial de São Sebastião, isto bem ao inicio das obras. Parou tudo por várias semanas. Foram feitas muitas reuniões. Consultadas diversas entidades. Por fim, os padres venceram e a avenida teve se curvar à direita
Na foto acima, um bonde se acha ao lado da Praça Castro Alves à direita e outro está lá em cima da ladeira, onde ela se curva. Logo no principio da Ladeira de São Bento à direita, vê-se ainda antigo prédio de três andares e junto a ele um mais alto de quatro andares. Esses dois prédios foram colocados abaixo para se construir no local o atual Edificio Sulacap, oportunidade em que se alargou a Rua Carlos Gomes.
A foto acima mostra-nos já o Edifício Sulacap construído। Há de se reparar que os casarões ao fim da Ladeira da Montanha, ainda se encontram no lugar. Só muitos anos depois, foram demolidos.

A terceira foto recebida no e-mail a que estamos nos referindo é uma grande incógnita. A principio, há de se pensar tratar-se da Rua Chile, mas não é e nos baseamos em alguns detalhes e comparações realizadas com outras fotos da mesma via.



O primeiro grande detalhe é a existência de árvores nos dois lados da famosa rua. À direita, conta-se cerca de 10 árvores e à esquerda são reparadas umas três e, segundo se sabe, a famosa rua nunca teve árvores em seu percurso.

Adiante, coletamos algumas fotos da Rua Chile em diversas épocas. Em nenhuma delas há árvores.


A foto seguinte também é da Rua Chile ainda estreita e ainda com uma só paralela de trilhos. Nesta também não havia árvores, o que é um bom indicativo do fato.

Há uma hipótese de que este pedaço de avenida seja aquele que vai da Piedade até o Passeio Público, na época chegando até o fim dessa avenida. Apenas uma vaga hipótese.
A quarta foto que nos foi enviada mostra quatro bondes. Dois que se acham parados num canteiro então existente na Praça Municipal.

Um que vem em sentido contrário e o quarto está numa posição um tanto quanto estranha – em frente ao Palácio Rio Branco, esquina com a Rua Chile. Há de se reparar que não há ligação de trilhos com a paralela dos existentes na Rua Chile, bem como não se vê trilhos em frente ao palácio. Teria esse bonde descarrilado e afastado para o lado? E os passageiros dentro dele, o que estariam fazendo? Descansando? Evitando o sol?
Afastado para o lado? É possível। Não se vê o motorneiro.
A próxima foto é sensacional! É o Cais do Ouro, hoje Praça Marechal Deodoro. Reparem a beleza dos jardins em torno. Em meio a eles passa um bonde.




Na sequência de belas fotos da Salvador do principio do século XX, temos acima o espaço aonde veio a funcionar a antiga feira de Água de Meninos ( a primeira – não confundir com a atual Feira de São Joaquim). Também o espaço em torno era muito bonito. A igreja é da Santíssima Trindade, hoje caindo aos pedaços e servindo até de abrigo para famílias pobres.
 
Ao alto, à direita, já o Porto de Salvador funcionando – vê-se parte de um dos seus quebra-mares.
Três bondes circulam no pedaço.

Vamos fechar com chave de ouro esta postagem sobre antigos bondes de Salvador. Um bonde circula pela chamada Rua de Fora, na Baixa do Bonfim.( de Fora porquê existe uma Rua de Dentro ou do Meio, todas nas proximidades da baixada).

Os cinco homens à frente do bonde, inclusive o motorneiro, estão de gravata borboleta e chapéu. O da esquerda está de cartola e fraque. Estaria indo para aonde? Chiquérrimo!




 

domingo, 30 de outubro de 2011

O VELHO CASARÃO DA PONTA DO HUMAITÁ

Em 26 e 28 de outubro de 2009, tivemos ocasião de nos referir à Ponta do Humaitá, esse extraordinário local de Salvador, localizado na Península de Itapagipe, mais precisamente no Bairro de Monte Serrat. Além da sua igrejinha onde abriga Nossa Senhora de Monte Serrat, tratamos especialmente de uma residência próxima dela que é uma das mais antigas de nossa capital, ainda em bom estado de conservação. Ela foi construída em 1619.




Dizíamos naquela oportunidade que, nessa residência teria morado o Padre Antônio Vieira. Somente morado, desde que o grande sacerdote de nacionalidade portuguesa, só chegou ao Brasil em 1614, ainda menino. Logo, ele não patrocinou a construção do imóvel como às vezes é citado. Residia no centro de Salvador com seus pais. Presume-se que a construção tenha sido realizada por quem herdou esse pedaço de terra do Conde Garcia D’Avila ou o próprio, ele que era proprietário de todo esse espaço e tantos outros. O difícil é saber qual dos Dias d’Ávila foi realmente o responsável pelo feito. O primeiro deles chamava-se Garcia de Souza d’Ávila e era filho de Thomé de Souza. Faleceu em 1609, dez anos antes do ano que a placa aponta (1619). Não pode ter sido ele. Em seguida vieram: Francisco Dias d’Ávila, Garcia d’Ávila II, Cel. Francisco Dias d’Ávila, Francisco Dias d’Ávila Pereira e Cel. Garcia d’Ávila Pereira III. Esse último nasceu em 1680 e faleceu em 1734. Está fora de cogitação. Deve ter sido o penúltimo deles, o Francisco Dias d’Ávila Pereira.


Completávamos, ela foi construída na parte mais bem protegida da ponta. Originalmente, tinha quatro lados avarandados a fim de aproveitar a amplitude do local. Hoje possui apenas três lados, desde que a parte anterior ao mar foi terrivelmente sacrificada.

Como isto aconteceu? Naquela oportunidade dos blogs de 2009, juntamos as duas fotos seguintes:.

Em lugar da varanda com as seis colunas, construíram um paredão divisório na casa ao lado. A seta indica-o.


Já na foto acima, vê-se uma coluna embutida na parede. Mais cinco dessas colunas faziam parte desse lado onde se encontra hoje a referida parede. Foram todas demolidas. A casa que tinha quatro lados avarandados hoje só possui três.  


Não temos a menor dúvida desse detalhe. E para comprovar o que se está dizendo, eis que nos chega às mãos uma pintura do artista baiano Diógenes Rebouças, justamente desse pedaço da Bahia.

Mostra a igreja em destaque e ao seu lado esquerdo o casarão de 1619, ainda livre das casas ao lado, principalmente aquela que lhe é junto. Vê-se, apenas, após o casarão, uma construção de dois andares relativamente bem afastada.

A verdade tarda, mas não falha.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A GRANDE PONTE

SALVADOR – ITAPARICA - SALVADOR


Tivemos acesso via internet ao projeto da ponte Salvador-Itaparica-Salvador. No momento a chamaremos assim, desde que ainda não se sabe como o povo vai chamá-la costumeiramente, se “Ponte Salvador Itaparica” ou “Ponte Itaparica-Salvador”. Questão de sonorização. Fizemos um teste conosco próprio e a segunda opção – Itaparica-Salvador soou melhor aos nossos ouvidos.

Não se pode descartar a possibilidade dela ser chamada também e apenas “A PONTE” ou a “PONTE DA ILHA”;  já a denominação  “PONTE DE SALVADOR”, continua soando mal. Não sabemos por que. Talvez porque traga mais benefícios a Itaparica do que a própria Salvador. No entanto, as opiniões se divergem e muito.

João Ubaldo Ribeiro, o grande escritor baiano, disse que Itaparica vai se transformar num “subúrbio” de Salvador. Segundo o romancista, se a obra for levada adiante, sua terra natal correrá o risco de ser "favelizada":

O impacto ambiental é brutal (...) Isso ia transformar Itaparica num subúrbio, ia acabar com a Ilha, esgotar a fonte de dinheiro turístico, porque ela não ia valer mais nada como atração turística. E agora ela pode ser trabalhada”.

Um dos escritores solidários a Ubaldo, o amazonense Milton Hatoum (autor de "Dois Irmãos" e "Cinzas do Norte") critica:- Mais um crime contra uma das belas cidades brasileiras. A voracidade desses empreiteiros não tem limite. Hatoum lembra também a construção da ponte sobre o rio Negro, de Manaus a Iranduba, orçada inicialmente em R$ 574 milhões, com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).- Enquanto isso, Manaus cresce que nem um favelão, e nisso não é diferente de Salvador - completa o romancista.

Nas anotações de "turista aprendiz", a bordo do navio Manaus, o escritor Mario de Andrade descreveu perplexidades ao avistar a encosta de Salvador, em dezembro de 1928: "Da vista de S. Salvador que a gente enxerga de bordo tem um pedaço bem no centro em que as casas se amontoam num estardalhaço de janelas, andares, telhados, parece mentira... não é mentira não, é estardalhaço". Se um viajante refizesse a trajetória do polígrafo Mario de Andrade, e na Baía de Todos-os-Santos existisse uma hipotética ponte de 13 km, entre a primeira capital do Brasil e a Ilha de Itaparica, o "estardalhaço" do casario certamente seria substituído pela visão de uma serpente de concreto".

Cravo Albin, um dos maiores conhecedores da história da Música Popular Brasileira, deixou uma mensagem no momento em que apoiou o romancista:

- A indignação de Ubaldo não é só legítima e necessária. Vai além, muito além. É um grito - talvez uma prece até canônica - contra o farisaísmo dessa canalha que usurpa todo um País em nome - meu Deus! - do progresso. Eu nunca me acostumei a aceitar tamanha impostura e vilania. Empreendi, recordo agora, uma campanha para salvar a cidade colonial de Penedo, terra de minha mãe, de uma ponte medonha que ligaria Alagoas a Sergipe. E tive que lutar inclusive contra meus parentes. Itaparica: ainda não é. Adeus

Abaixo-assinado sobre a construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica

"Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de uma igrejinha venerável por milagre preservada"

(João Ubaldo Ribeiro)

Os abaixo-assinados, cidadãos brasileiros, encontraram no emocionante e esclarecedor artigo "Adeus, Itaparica" (Jornal A Tarde, 22/01/2010), de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro, argumentos consistentes e equilibrados para inaugurar um debate amplo sobre o anteprojeto de construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, anunciado pelo governo do Estado da Bahia. O itaparicano João Ubaldo, cujos romances puseram a Ilha na geografia literária brasileira e universal, é uma voz qualificada para questionar elementos sombrios e outros mais claros do empreendimento, previsto como bilionário para os cofres públicos e incerto para o destino ecológico e econômico da maior ilha marítima do Brasil. O autor de "Viva o povo brasileiro" não está sozinho em seus questionamentos e nos incorporamos a eles nos seguintes pontos:

1. É dever do governo do Estado da Bahia abrir um abrangente debate público sobre o projeto da Ponte Salvador-Itaparica, cujo edital de parâmetros para a construção foi anunciado pelo secretário de Planejamento, Walter Pinheiro. Entendemos que uma obra dessa dimensão deve ser discutida previamente com o povo baiano em audiências públicas (sobretudo nos municípios de Salvador, Itaparica e Vera Cruz), e não imposta por decisão unilateral do Estado.

2. Lamentamos o anúncio do anteprojeto de uma ponte de 13km sem a realização prévia de um estudo aprofundado de impacto ambiental, histórico e econômico. Representantes da administração estadual alegam vantagens de naturezas diversas, numa polifonia oficial ruidosa e nebulosa quanto às metas do governo. Será a ponte a via tecnicamente mais adequada para melhorar a logística da economia estadual e ao mesmo tempo revigorar a Ilha sem prejudicar suas características?

3. O precário serviço terceirizado de transporte marítimo (ferry-boat) Salvador-Itaparica não é um argumento sólido para justificar a construção de uma ponte faraônica e abracadabrante. Os cidadãos têm direito a um serviço público razoável e eficiente. Cabe ao governo oferecê-lo, como oferecem vários governos ao redor do mundo.

4. Não é clara a prioridade do projeto para o desenvolvimento econômico da Bahia, nem mesmo para o turismo regional. Na capital baiana, há prioridades infra-estruturais gigantescas ainda não atendidas pelo Estado (municipal, estadual e federal), a exemplo da construção do Metrô de Salvador, cujas obras se arrastam, penosamente, há uma década, sem perspectiva de conclusão. Há ainda dezenas de intervenções mais prioritárias, a exemplo da urbanização de áreas periféricas e recuperação de vias de acesso à capital baiana, além de investimentos básicos na própria Ilha e na preservação da Baía.

5. João Ubaldo é irrespondível quando lembra o risco de a intervenção estatal estimular o turismo predatório na Ilha de Itaparica e no entorno da Baía de Todos-os-Santos, com megaempreendimentos agressivos ao meio ambiente e descaracterizadores da singularidade histórica da Bahia. Como enfatiza o escritor, os argumentos governamentais e empresariais apresentados até esse momento prenunciam um "atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História".

6. Anteprojetos e desenhos da estrutura da Ponte Salvador-Itaparica, divulgados pela mídia baiana, apontam para uma agressão à paisagem da Baía de Todos-os-Santos, um patrimônio ambiental inalienável do povo baiano, talvez o último a salvo da sanha empresarial que avança sobre o meio ambiente de Salvador e do Estado. Em sua visita à Bahia, em 1949, o escritor Albert Camus anotou em seu diário de viagem: "Prefiro essa baía à do Rio, muito espetacular para o meu gosto. Esta, pelo menos, tem uma medida e uma poesia". A ponte atingirá a medida e a poesia evocada por Camus, já incorporadas à alma dos baianos e dos turistas; sobre as águas calmas e azuladas de Yemanjá vai se erguer um monumento ao empreendedorismo desalmado?

7. Desejamos uma resposta formal do governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner, ao artigo do romancista João Ubaldo Ribeiro e aos baianos. Seria um gesto de delicadeza e compromisso com os princípios democráticos fundadores do seu programa de governo.

As opiniões contrárias também são muito fortes. Vejamos algumas delas:

É muito facil para o senhor Joao Ubaldo Ribeiro ficar do seu apartamento no Leblon (metro quadrado mais caro do Brasil) durante 350 dias no ano criticar a construção da ponte que segundo o proprio, ira acabar com a tranquilidade na ilha onde ele passa no maximo 15 dias para descansar. Temos que pensar na população que realmente aqui reside, que ira desfrutar de medicos de qualidade na capital, lazer, esporte, educação, temos que pensar na alavancagem que sera dada em todo reconcavo baiano. Mas tenho que confessar que nao me surpreendo com as criticas do sr Joao Ubaldo que assim como o senhor Diogo Mainardi critica TUDO que tem origem no PT.” Jose Ailton

Com todo respeito aos intelectuais, só que ele não vivem na Ilha de Itaparica, não conheçe a realidade das pessoas nativas, não conhece a péssima infra estrutura urbanística da Ilha. Talvez apesar de suas intelectualidades, não tem a visão de perceber que além da Itaparica e Vera Cruz, todas as outras cidades, a exemplo de Salinas, Maragogipe, Nazaré, Muniz Ferreira, e nossa Santo Antonio de Jesus, que deverá ter o principal papel nesta ligação das BRs 242 à 101 para escoamento da produção do estado com destino ao porto de Salvador. Os intelectuais deveriam pensar no progresso, nos empregos e na melhoria de renda da população, o que é bem melhor que os atuais, porque eles não criticaram outros governos que nada fizeram pela Ilha ???

Terra Magazine;” Eu também nasci em Itaparica, numa localidade chamada de Jeribatuba, que corresponde ao antigo distrito de Santo Amaro do Catu. Tive que me mudar para Barra do Gil porque trabalho em Salvador. Quase todos os dias, vou para Salvador de Ferry, ou nas precárias embarcações que partem de Mar Grande. Vocês sabem o que é isso?

Quem vive na ilha sobrevive e reza para não ter que ir a Salvador em uma emergência. O isolamento só traz problemas para quem vive aqui.

Ninguém faz nada pela Ilha e nem por nós. Todos nos fazem, de tempos em tempos, um rosário de promessas. Passada a eleição, nada de novo. Continuamos sem escolas e nem hospitais decentes. Nossas ruas sequer são cadastradas para que seja feita alguma melhoria.

Tenho acompanhado toda essa discussão sobre a construção da ponte com grande tristeza.

Vejo ambos os lados nos tratando como um bando de ineptos, ou ainda como se fôssemos um estorvo, ou mesmo intrusos em nossa própria casa.

De um lado aqueles que querem a Ilha parada no tempo, à margem do progresso, como se a gente estivesse fora do mundo e da realidade, só para ter um lugar tranqüilo para veranear.

Do outro lado, empreiteiros e outros velhacos que querem expulsar a gente daqui e fazer da Ilha um "resort" ou condomínio fechado. Em ambos os lados, eu vejo o mesmo desprezo, o mesmo egoísmo e a mesma arrogância, ainda que lastreada em razões diferentes”. Cláudio Leal

Um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto da bilionária ponte Salvador-Itaparica, o secretário de Infraestrutura do governo da Bahia, João Leão (PP), divide a Arena: "Os escritores estão de um lado e o povo está de outro".
Defensor leonino do projeto, João Leão opõe o desejo do povo de Itaparica à opinião dos intelectuais brasileiros.
- ...Nós fizemos uma pesquisa, na própria Ilha de Itaparica, e 95% da população aprova a ponte - sustenta o secretário, para completar: - Rapaz, se a população não tem concepção de urbanismo, só quem tem são os escritores?

Agora, a nossa opinião. É evidente que a ponte trará sérias e várias modificações à Ilha de Itaparica. Primeiro não terá mais o isolamento geográfico que o mar lhe proporciona. Por exemplo, se efetivamente a ponte for construída, qualquer pessoa que decida tomar um banho de mar na ilha será muito fácil. É só pegar o carro e em 15 minutos estará se banhando numa das suas belas praias. Outro, um casal, por exemplo, resolve jantar no outro lado de Salvador. Sem maiores luxos, ele de bermuda; ela com um simples vestido, pegam o carro e, igualmente, em pouquíssimo tempo, estarão jantando em Barra do Gil.

O inverso também é verdadeiro. Um morador da ilha lembra-se das águas tranqüilas do Ponto da Barra, quando ele morava em Salvador.Vou até lá, diz ele - e é agora. Em menos de meia hora estará na Barra. Vai perder mais tempo dentro de Salvador do que aquele para atravessar a ponte.

Vamos mudar o cenário drasticamente. Um morador da ilha passa mal. Seus parentes de imediato o conduzem através da ponte a um hospital de confiança em Salvador. E uma vida foi salva pela ponte. (è bom pensar muito nisto).É muito forte!

Outra cena. A juventude da ilha pode freqüentar as boas escolas da capital por causa da rapidez que uma ponte proporciona na sua deslocação. No atual ferry-boat os jovens chegam cansados. Tiveram que acordar muito cedo. O macete da viagem, essas coisas. Também é preciso pensar nisto.

Municípios próximos da ilha, Nazaré, Santo Antônio de Jesus e toda a sua micro-região, terão sua produção escoada mais rapidamente para Salvador e esta também se beneficiará pela diminuição dos custos operacionais de transporte. A inflação vai cair e o emprego vai aumentar da parte de lá. É preciso pensar nisto.
A não ser que, quando a ponte estiver funcionando, venha qualquer politicozinho elaborar uma lei, proibindo a circulação de caminhões na ponte. Segundo ele, somente carros de luxo, o dele principalmente, poderá circular por ela. Isto é muito comum na Bahia.

Claro que os “amigos de Itaparica” terão que tomar cuidado com o patrimônio artístico- cultural de suas localidades. Tombá-los, todos. De acordo com a lei, além, por exemplo, do imóvel tombado, tudo que o cerca também estará tombado e nada poderá ser construído numa área em torno de 300 metros. Isso tem que ser feito. Não bobeei. As “feras” estão ai de olho nos melhores espaços da ilha. E o tombamento tem que ser feito muito direito, porque senão “eles” quebram as barreiras da justiça e constroem um espigão junto de uma igreja tombada. Foi o que aconteceu aqui em Salvador, com a construção de um prédio de 35 andaras ao fundo da Igreja da Vitória, distante apenas 50 a 70 metros do novo e belo edifício.

Imaginem se algo parecido ocorrer em Itaparica. Um espigão junto ao seu belo forte? Vai ficar difícil.

Por último, não podemos deixar de estranhar duas coisas, aliás, estranhamento que não é somente nosso. É de muita gente. É de órgãos de imprensa e pessoas ilustres e bem informadas:

1º - O preço dessa ponte - 7 bilhões de reais. Na China, fizeram não faz muito tempo, uma ponte ligando Xangai à cidade portuária de Ningbo. Levou cinco anos para ser construída e custou o equivalente a R$3 bilhões. Em baixo, à sua foto. Vê-se apenas o seu principio, extraordinariamente belo; seu fim se perde no horizonte.

2º - Pode ser que os tempos estejam mudados, mas não é comum um governo programar o inicio da construção dessa obra, após esse governo (2014). Muito provavelmente um novo governador, principalmente se for da oposição, quererá rever o projeto. É o mínimo que o bom senso indica. Veta-o e se faz nova "licitação". Mais três ou quatros anos. Nunca será construída. É até melhor do que iniciá-la e ficar parada no meio do mar e não se engane com o mar. Ele corroe muito. Se o metrô tivesse um mar por perto e já teria se acabado. Talvez fosse até melhor do que se tornar como um símbolo da incopetência de nossos governantes. Enquanto isto, São Paulo nesses 12 anos de paralização das obras, já construiu três ou quatros vezes mais metrô que o nosso "brotinho".











terça-feira, 25 de outubro de 2011

RIO CAMARAJIPE

O Rio CamaruJipe é o principal rio de Salvador. Tem 14 quilômetros de extensão. Nasce na Boa Vista de São de Caetano e desemboca na Praia do Costa Azul. Praticamente corta a cidade de ponta a ponta. Deve ter sido um rio maravilhoso antes da ocupação habitacional da cidade. Percebe-se isto ao final dele, quando se alarga como deveria ter sido quase todo o seu percurso.

Abaixo, todo o trajeto do Rio Camarajipe. Quando se aproxima da sua embocadura, forma um afluente, o Rio Lucaia, que desemboca no Rio Vermelho.

Infelizmente, o “grande rio” para uma cidade como Salvador, está completamente poluído. A maioria das construções feita em torno, canalizou seus dejetos para ele. É a antiga mentalidade que ainda perdura nos tempos atuais. Fica fácil! É mais barato! Coisas dessa natureza.

Essa turma devia pagar por isto. O crime já prescreveu, dirão os advogados. Ledo engano. O crime está sendo constatado agora mesmo, quando já se tem uma melhor consciência dos fatos. Seria viável a cobrança de uma taxa extra por residência ou fábrica que tenha ou esteja poluindo o rio no seu trajeto. O dinheiro arrecadado seria aplicado na sua recuperação. Dizem os técnicos que ainda está em tempo.





Há uma tendência quase geral, inclusive nós, de chamar esse rio de CAMARUGIPE. Em verdade, contudo, seu nome verdadeiro é CAMARAJIPE, nome associado à existência em suas margens de uma planta chamada Camará - Lantana Camará, Lantana aculeata ou ainda Lantana Brasilensis, arbusto de folhs aromáticas e frutos vermelhos, abundantes nas imediações desse rio.
 
Aprofundando o estudo sobre esse rio, podemos dizer que suas nascentes encontram-se pr´xoimas à Pirajá, nos bairros de Marechal Rondon, Boa Vista de São caetano, Calabetão e Mata Escura. Seu leito sinuoso passa nas imediações dos bairros de Pero Vaz, IAPI, Caia D'Água, Pau Miudo e Saramandaia.

A título de curiosidade e maior conheciento desse rio, o Rio das Tripas, é um dos principais afluentes do Rio Camarajipe. Nasce na Barroquinha e atualmente segue seu curso em galerias subterrâneas, recebendo a partir dessa área contribuições da Ladeira do Funil, Largo das 7 Portas, Av. Barros Reis, Cidade Nova, Matatu, Vila Laura e adjacências, até encontrar o Rio Camarajipe na altura da Rótula do Abacaxi.

O nome do Rio das Tripas deve-se ao fato de sua nascente ficar próxima ao primeiro matadouro da cidade que lançava no cjurso d'água seus restos.
Ouro afluente do Canarajupe é o Rio Campinas, também chamado Bonocô. Hoje, encontra-se todo canalizado.