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sábado, 28 de maio de 2011

RUA CHILE – 2 – ECO DAS FESTAS CHILENAS

Claro que a repercussão da passagem da esquadra chilena por Salvador foi imensa. Toda a imprensa comentou largamente os acontecimentos.

O Diário da Bahia, edição do dia 29 de julho, publicou:
Na manhã de ontem, conforme fizemos constar, zarpou do nosso porto a esquadra chilena rumo ao sul. Seria 6 e um quarto, quando a escola de aprendizes formou no pátio do arsenal da Marinha, do lado do mar e, em manifestação de simpatia, executou o hino chileno. A esquadrilha içou sinais semafóricos em que se liam: “agradeço-vos”. À 7 da manhã passavam à vista do Rio Vermelho”.
Já a imprensa chilena comentou:
Santiago, 20 – Causaram indizível satisfação os telegramas do capitão do navio Carrasco, comandante em chefe da esquadra chilena, relatando a recepção na Bahia, as festas realizadas e o entusiasmo da população. A oficialidade está reconhecidissima a tantas provas de afeto.
Santiago, 23 – Os jornais congratulam-se pela afetuosa recepção dispensada aos oficiais e marinheiros chilenos pela população da Bahia.


Cordilheira dos Andes


Palácio de la Moneda del presidente do Chile

Voltamos à imprensa local: Diário da Bahia :

“O adeus à esquadra foi tão apoteótico quanto sua chegada. Reuniu-se grande multidão na Praça do Conselho, nas amuradas do Elevador Lacerda, na Praça do Teatro, em toda a cidade baixa para ver a queima de fogos de artifício nas cores azul e vermelha e ouvir a banda do Primeiro Batalhão da Polícia. Diziam os presentes que nenhuma festa teria sido tão impressionante na cidade”.
Diário da Bahia – Edição de 29/07/1902:

“O nobre povo baiano, na hora dos derradeiros ablativos de viagem, não cansado das grandes festas em que todas as classes se acotevelaram na praça pública, nas recepções dos palácios do Estado e do Municipio, nos clubes, nas diversões campestres, cada qual ali afirmando mais alto seu entusiasmo, ainda se encontra nos seus desvelos e carinhos!


Diário da Bahia – Edição de 30 de julho de 1902
Recepção à esquadra chilena no Rio de Janeiro. Programação:
1º dia – Saida da esquadra brasileira ao encontro da esquadra chilena e visitas oficiais
2º dia – Retribuição das visitas
3º dia – Apresentação da oficialidade dos vasos chilenos ao Sr. Presidente da República, estando presente os ministros da Marinha e das Relações Exteriores. À noite, recepção no Club Naval.
4º dia – Às 2 horas da tarde, visita do Presidente à bordo dos navios chilenos
5º dia – Partida recreativa na Escola Naval (futebol)
6º dia – Almoço oferecido aos membros do governo do Brasil à bordo de um navio chileno pelo Sr. Ministro H. Riquelme.
7º dia – Jantar oferecido aos marinheiros chilenos
8º dia – Banquete oferecido às 8 horas da noite ao ministro chileno
9º dia – Matinée a bordo dos vasos chilenos
10º dia – Intervalo para preparar a câmara ardente a bordo de um dos vasos chilenos
11º dia – Transladação dos cadáveres;

Rio de Janeiro

Retornamos à Bahia -Diário da Bahia – 2 de agosto de 1902 – Editorial de Ambrósio Gomes:

“É preciso problematizar os motivos que levaram os soteropolitanos a fazer 14 dias de festa na passagem da esquadra de um outro país sul-americano que, em direção ao Rio de Janeiro, passa pela Bahia। Não é possível pensar que toda essa festança aconteceu somente por que Salvador viveu no marasmo social e econômico, ou porque aquela era a terceira mais importante armada do mundo, nem se pode atribuir simplesmente ao dito popular: “ isso é coisa de baiano

Completou:
(...) Vai minha alma transpondo a andina cordilheira
Tomada de ingenta fé, extranha e verdadeira.
Da pátria de O’Brien beijar as santas aras
Onde o civio amor do Chile excelso e avante
Sincero pontifica ...Ave Chile gigante!...
Ave Brasil – da paz heróica almenaras!

O próprio Diário da Bahia, justificando-se pelas palavras rudes dita acima, publicou na sua edição de 17 de julho de 1902:

"As demonstrações de gentileza e afeto que a operosa República Andina tributa a soberania da nossa nacionalidade, já dispensadas a patrícios nossos, já manifestas na magnaminidade fraternal das suas relações oficiais ou na comemoração das nossas datas e de nossos acontecimentos, justificam o entusiasmo com que se acentua em todas as camadas do povo o movimento para uma recepção carinhosa à esquadra chilena que esteve em Salvador".


Jornal O Popular, escreveu:
"Para dizermos o que fora
m as festas em homenagem à oficialidade da nação amiga, seria necessário um edição especial de muitas páginas. As festas foram espontâneas, vibrantes e patrióticas, verdadeira fraternização da alma baiana com a alma chilena (...)"

De resto, cabe aos nossos leitores julgar os prós e os contras desse extraordinário acontecimento em nossa cidade. A Rua Chile está ai. É a maior representação dessas homenagens. Teriam sido excessivas ou se justificam pelas nobres razões que as motivaram?

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