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domingo, 22 de maio de 2011

IRMÃ DULCE – OU MELHOR SANTA IRMÃ

Hoje é um dia histórico para Salvador, ou dizendo melhor, para a Bahia e para o Brasil। Surge a primeira santa brasileira: IRMÃ DULCE ou SANTA IRMÃ। E que Santa que está surgindo! Conheci essa mulher antes da construção do Hospital Santo Antônio, sua maior obra। Ainda não tinha a fama que veio a possuir posteriormente। Era uma freira vestida de branco e azul com uma pasta preta na mão। Entrava pelos bancos e pelas empresas do Comércio à cata de doações para seus doentes. Sim!Ela já cuidava de muitos doentes antes do hospital. Tratava-os pessoalmente nos diversos locais que invadia como, por exemplo, as cinco residências pertencentes a veranistas na Ilha do Rato, próximos à sua residência no conhecido largo; foi logo despejada. Em seguida no Largo da Biblioteca, onde hoje funciona uma biblioteca. Na época era um prédio com outra finalidade e estava inativo. Invadiu também. Foi igualmente despejada pela Justiça, certamente com a ajuda de policiais como é costume. Mas os seus doentes não podiam ficar na rua. Tinha que ter um lugar. Vislumbrou os arcos da Ladeira do Bonfim, os mesmos onde hoje funcionam diversas lojas de artesanato religioso. Foi um Deus nos acuda! Ai o governo percebeu que precisava tomar uma providência para resolver esse “problema social” que já tomava conta da imprensa e de diversos segmentos da sociedade. Resolveu, enfim, doar um pedaço da antiga Vila Militar dos Dendezeiros. No espaço funcionava a cavalariça da vila. Era um grande areal. Antigamente o mar chegava até ali vindo da Enseada dos Tainheiros. Nesse local, foi erguido o santo Hospital Santo Antônio de Irmã Dulce, da hoje Santa Irmã Dulce, da mulher destemida que sempre foi, possuidora de uma força incomum que só santos têm, porque não vem dos músculos e sim da mente que, quando prodigiosa e divina, realiza coisas e feitos que engrandece o ser humano e passa para a história.

Nesse dia maravilhoso, permita-me transcrever uma postagem de nossa autoria feita em 13 de outubro de 2009, denominada HISTÓRIA DE SALVADOR - IRMÃ DULCE




terça-feira, 13 de outubro de 2009



HISTÓRIA DE SALVADOR- CIDADE BAIXA - IRMÃ DULCE

Estávamos tratando dos destaques de cada acesso, relatados em postagens anteriores. Vimos os destaques do Caminho de Areia e seus bairros criados sobre um grande aterro. Vamos passar pela Rua Henrique Dias sem nada a destacar e, finalmente chegamos na Avenida Dendezeiros do Bonfim. Aqui, possivelmente, tenhamos o mais importante destaque desse trabalho: o Hospital Santo Antônio, a culminância de uma grande obra assistencial e a única responsável por esta extraordinária obra, chama-se Irmã Dulce. As Obras de Irmã Dulce são de uma imensa importância social para a cidade de Salvador.

Em reconhecimento a esse trabalho, o então presidente Sarney em 1988, indicou o seu nome ao Prêmio Nobel da Paz, com apoio da rainha Silvia da Suécia, que conhecia o seu trabalho. Não sabemos quem ganhou nesse ano o referido prêmio, mas para vencer a indicação de Irmã Dulce, o escolhido deve ter sido mais santo do que ela é.

Tivemos o privilégio de conhecê-la na sua labuta diária atrás de doações no Comércio, onde ficavam os bancos de Salvador. Sempre vestida num traje azul e branco, pasta de executivo na mão, preta, amealhava cruzeiro por cruzeiro das mãos de Ângelo Calmon de Sá do Banco Econômico; de Clemente Mariani do Banco da Bahia; de Pergentino Holanda do Banco do Nordeste, de Cid Meireles do Holandês, do seu Mamede no Paes Mendonça e tantos outros grandes dirigentes de bancos e empresas daquela época.




Irmã Dulce quando jovem – Muito Bonita!

Nasceu em 1914 no dia 24 de maio à Rua São José de Baixo, 36, no Barbalho e chamava-se Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Seus pais foram o Dr. Augusto Lopes Pontes e D. Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Foi aluna da Escola Normal da Bahia onde se formou em professora em 9 de dezembro de 1932. Em 1933 ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo em São Cristovão, Sergipe, recebendo o nome de Irmã Lúcia. Quando recebeu o hábito, em homenagem à mãe, passou a chamar-se Irmã Dulce. Foi professora de Geografia e História no Colégio Santa Bernadete, no Largo da Madragoa. Esse colégio pertencia à sua Congregação. Em 1936 fundou a União Operária São Francisco, mais tarde transformada no Círculo Operário da Bahia. Em 1937 ajudou a construir e instalar os cinemas Plataforma e São Caetano, com renda em prol do Círculo Operário. Anos depois, em 1948, inaugurou o cinema Roma, um dos maiores da cidade. Em 1939 foi a vez do Colégio Santo Antônio no bairro da Maçaranduba e nesse mesmo ano, num movimento comparável ao que hoje ocorre por motivos suspeitos, invadiu cinco casas na Ilha do Rato, ação que iria definir o futuro da ação social da grande religiosa a fim de abrigar dezenas de sem teto.

Objetivando sua ação futura e mais grandiosa, em 1941 formou-se em Oficial de Farmácia. Sim! Irmã Dulce apesar de tudo que fazia, ainda estudava! Em 1947 fundou o Convento Santo Antônio juntamente com as irmãs Plácida e Hilária do qual foi a sua 1ª Superiora. Em 1959, fundou a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e já no ano seguinte inaugurou o Albergue Santo Antônio com 150 leitos em terreno cedido pelo governo do estado e antes pertencente à Vila Militar dos Dendezeiros. Em 1981 criou a Fundação Irmã Dulce. Estava concluída a sua grande obra. Morreu em 13 de março às 16,45 aos 77 anos. Em 15 de março foi sepultada no altar do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia. Hoje seu corpo se encontra no Memorial que tem o seu nome na Av. Dendezeiros do Bonfim. Uma mulher como esta só nasce de 100 em 100 anos. Chega predestinada para determinada ação e dela não se afasta um milímetro sequer, mesmo sendo uma mulher fisicamente frágil. Apesar de tudo isto, ainda há quem critique a pessoa de Irmã Dulce. Só mesmo uma humanidade aloprada.
MEMORIAL EM HOMENAGEM Á IRMÃ DULCE




Os dados da vida de Irmã Dulce foram extraídos de diversas fontes. Há muitas por ai, no entanto, nenhum delas faz referência a dois acontecimentos importantes de sua ação. Hoje se diria de seu "marketing". Primeiro deles foi a "ocupação" pela irmã e seus doentes de um imóvel localizado na esquina da Rua Visconde de Caravelas e o Largo da Biblioteca em Itapagipe. Neste imóvel hoje funciona a Biblioteca Municipal Reitor Edgar Santos. O segundo e o mais importante, que se tornou notícia em todos os jornais, foi a ocupação dos Arcos da Baixa do Bonfim, onde hoje funciona diversas lojas de artesanato religioso.
Estas ações corajosas e inusitadas, repercutiram em diversas esferas da sociedade e foi determinante nas pretensões da grande religiosa. Com a ocupação de espaços públicos, ela queria chamar a atenção da imprensa e, conseqüentemente, dos governantes, de toda a sociedade, para o problema social gravíssimo que parecia somente ela enchergava. Era uma mulher inteligente e de visão, uma visão divina, diga-se de passagem. Feito isto, logo o governo fez a doação do terreno nos Dendezeiros onde hoje funciona o seu hospital. Valeu, deveras!

Um comentário:

  1. Parabéns pelo post ! Estou sempre acompanhando o blog. Sempre muito interessante e mata um pouco da saudade que eu tenho de Salvador.

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