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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SALVADOR EXTRA-MUROS

Escrevemos noutra oportunidade que a construção de Salvador em 1549 obedeceu a um projeto elaborado pelo mestre de obra português Luiz Dias que chegou ao Brasil junto com Tomé de Souza.
Não se sabe ao certo se a elaboração desse projeto já veio pronta de Portugal ou se foi feita aqui, após a chegada do referido profissional. Possivelmente, Luiz Dias teria sido informado das características físicas do local onde seria implantada a cidade e já aqui, fez as correções necessárias, principalmente de relação às medidas.


Como era Salvador àquele tempo


Extraordinário trabalho executado pelo senhor Rubens Antônio, do qual tratamos em nossa postagem datada de 22 de janeiro de 2011, que agora reproduzimos:

O QUE SE CHAMA “CIDADE ALTA”
À principio, a Cidade de Salvador deveria ser mais ou menos assim

Como era Salvador àquele tempo



Foi fotografada uma boa parte da cidade atualmente e, em seguida, retirados todos os componentes então existentes। Restou a virgindade de seu mar, suas praias e sua encosta.

Geograficamente, esta encosta com cerca de 80 metros de altura, é onde hoje se encontra a Cidade Alta de Salvador.
Vejamo-la em mapa da época ou bem próximo dela.


Mapa datado de 1549/1551


Destaque para as portas de Santa Luzia à direita; a da Barroquinha ao alto e a de Santa Catarina à esquerda. O limite sul começava onde é hoje a Praça Castro Alves – ela exclusa – e o limite norte ficava no principio da atual Rua da Misericódia, esquina com a atual Ladeira da Praça (Rua da Misericórdia exclusa).
Todo esse conjunto foi protegido por muros feitos de madeira e barro, como se fosse uma fortaleza. Em razão disso Salvador era conhecida como a “Cidade Fortaleza”. Para completar foi aparentada com canhões no seu entorno, principalmente dos lados de Santa Luzia, em razão da presença nas proximidades, da atual São Bento, de um acampamento índio.

Dentro desse espaço foi construída a Cidade de Salvador, a casa do Governador, a cadeia pública, a igreja e, naturalmente as residências de seus habitantes, a maioria deles vinda com Tomé de Souza. Certamente, muitos que já moravam na Vila Pereira, devem ter se transferido para o novo espaço.

Apesar dos jesuítas terem tido seu espaço no arcabouço da nova cidade – onde se construiu a Igreja da Ajuda – eles pretendiam muito mais, principalmente um lugar para a construção de um colégio. Embora fiéis à doutrina da Igreja Católica, o trabalho principal dos seus membros era de caráter missionário e vocacional.

Para tanto, foram diretamente a Tomé de Souza. Queriam esse espaço! E sabem como é político? – não sabe dizer não – Concedeu aos padres um terreno fora dos muros da cidade. Esses não ficaram satisfeitos. Nesse particular vejam que interessante citação do fato:

“Razão tinha Manuel da Nóbrega para dar a Tomé de Sousa, quando este lhe objetava estar fora da cidade o local escolhido para o Colégio; a mesma resposta que o Padre Simão Rodrigues deu a El-Rei D. João III perante objeção idêntica, a respeito da casa de S. Roque, em Lisboa: _Não se arreceie Vossa Alteza de ficar a casa fora da Cidade; a cidade virá juntar-se ao redor da casa. E assim foi. O grande bairro dos Andrades teve como célula genética a casa de S. Roque, como o Colégio da Bahia veio a fazer do Terreiro de Jesus o ponto central de Salvador”. 

O terreno concedido era além da porta de Santa Catharina, onde é hoje precisamente a Praça da Sé. Aí os jesuítas construíram o seu primeiro colégio e anexo uma pequena igreja, ambos de madeira e barro, a chamada taipa de pilão e cobertura de palha Não mais do que isto!

E como fora previsto, dentro de pouco tempo, muitos colonos foram construindo suas casas em torno. O local era muito aprazível. Formou-se um bairro. O bairro da Sé.

Mas os jesuítas queriam mais. Queriam construir uma igreja e um colégio de verdade. Movimentaram seus recursos ao redor do mundo, principalmente em Portugal e já em 1581 inauguraram com grande pompa a Igreja da Sé. Tomé de Souza já tinha sido exonerado, bem como seu sucessor Duarte da Costa, bem assim Mem de Sá, numa sucessão de exonerações e sucessões espetaculares. Vejamos de passagem:

Tomé de Souza foi exonerado a pedido em 1553. O substituiu Duarte da Costa que, por sua vez foi exonerado pouco tempo depois. Seu sucessor, D Luis de Vasconcelos não chegou ao Brasil. Morreu na viagem atacado por corsários franceses. Nessa ocasião morreram também 40 jesuitas que acompanhavam o novo governador do Brasil. Esses padres ficaram conhecidos pelo nome de os Quarenta Mártires do Brasil.

Em 1573 o Brasil foi dividido cm dois governos: para o Norte, com a capital em Salvador, foi nomeado Luis de Brito e Almeida e para o Sul, com sede no Rio de janeiro.

Em 1577 ficou só no poder Luís de Brito, mas, já no ano seguinte, era substituído por Lourenço da Veiga। Governava Lourenço da Veiga quando, em 1580, Portugal e suas colónias passaram para o domínio espanhol.

Em 1640 houve a Restauração: Portugal libertou-se do domínio espanhol. Ainda nesse ano, um governador-geral teve o título de vice-rei do Brasil. Chamava-se D. Jorge de Mascarenhas.

O último governador-geral e vice-rei do Brasil foi o oitavo Conde dos Arcos, que governou até 1805




Acima, a atual Rua da Misericórdia e ao fundo a antiga Igreja da Sé. Era como que uma parede ao fim da rua, mas não se pode afirmar que era feio; no máximo que era extranho ou inusitado mas, sem dúvida muito próprio de uma época. As coisas eram juntas - as pessoas e também os imóveis. Era enorme! Começava bem próximo onde está a Cruz Caída de Mario Cravo e ia até 20 ou 30 metros onde é ainda hoje a Casa Primavera. Tiveram coragem de derrubá-la.


A Primavera – Tradicional casa comercial da Praça da Sé




As duas fotos acima dão bem uma idéia da extensão da igreja। Imensa


Apesar dessa igreja se manter erguida até 1933, quando foi demolida, os padres jesuítas a abandonaram, isto é, deixaram-na se deteriorar com o tempo. Estavam de olho em outro terreno mais adiante onde é hoje o Terreiro de Jesus.

Eles não gostaram do que foi previsto por Tomé de Souza, isto é, o povo acorreu em massa para o novo espaço e construíram sem nenhuma ordenação urbana grande número de residências. A igreja ficava entre elas, como que abafada.

Era hora de se mudar. Conseguiram um terreno onde é hoje o Terreiro de Jesus e diferentemente do que aconteceu na Praça da Sé, não queriam que a população os seguisse da forma como aconteceu anteriormente. Era necessário um ordenamento. O local se prestava para a construção de uma grande praça, tendo a igreja como referência.

Só foi permitida a construção de residências nas laterais do largo e estas residências teriam que ser de alta qualidade. Como conseguiram este intento é difícil perceber. Acredita-se que o governo de então tenha ditado as regras. De relação a hipótese de que toda aquela área havia sido doada aos jesuítas cai por terra, desde que outras organizações religiosas também se instalaram no grande largo.



Grandes residências – A aristrocracia se fez presente


Fossem os jesuítas proprietários efetivos, isto não aconteceria. Deve ter sido mesmo o governo e tanto é verdade que no crescimento da cidade para o lado norte fizeram -se novas praças, como foram os casos do Pelourinho e do Largo de Santo Antônio

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