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quinta-feira, 25 de março de 2010

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 1ª PARTE

Este blog já tem 172 postagens num período de cinco meses de existência. Dá mais de uma por dia. Falamos de muita coisa sobre a Cidade Baixa. Suas avenidas, suas ladeiras, seus largos, suas praias, suas igrejas, seus monumentos, suas festas e até sua gente. São centenas de citações. Tentamos esgotar o assunto, fosse ele possível de tal. Não falamos, entretanto, de algo básico sem o que a própria Cidade Baixa não existiria. Sim! Não falamos da Baía de Todos os Santos, este extraordinário acidente geográfico, considerado a maior baía do Brasil e a terceira do Mundo. Nela está inserida toda a Cidade Baixa, desde o seu Porto até a extremidade mais aguda de seu espaço, a Ponta da Penha.

 
Foi nominada por Gaspar Lemos e Américo Vespúcio em 1º de Novembro de 1501, dia dedicado a Todos os Santos, daí o seu nome. Alguns autores, dizem que ela tem 1.052 km2 e é a maior baia do Brasil. Outros afirmam que ela mede 1.223 km2 na maré alta e 919 km2 na maré baixa. Como se vê, após centenas de anos, ainda não se sabe a sua verdadeira extensão.

A segunda maior é a Baia da Guanabara no Rio de Janeiro com 380km2 e a terceira é a Baia de Camamu, ainda na Bahia.
 

Baia de Fundy - A maior baia do mundo
 
E como se formam as baías? Formam-se pela luta entre a força das ondas do mar e a resistência da costa. Quando o mar encontra um ponto menos resistente nas rochas, ele começa seu lento trabalho de erosão. A fenda vai se ampliando lentamente e forma a baía. Já as rochas de calcário fragmentadas formam a areia da praia.
Esta é a explicação mais simples, digamos popular, da formação das baías. Tem umas complicações teutônicas e cenozóicas por aí que, possivelmente, não caberiam num blog como este.




Baia de Todos os Santos

Em todas as baias há um fluxo e refluxo de maré muito forte. A maior variação de maré ocorre na Baía de Fundy, no Canadá. A cada 6 horas, 115 bilhões de água (115km2) entram e saem desta baía. Na história desse acidente geográfico, a maior variação de maré foi de 17 metros durante a Lua Cheia. Na Bahia de Todos os Santos essa variação deve atingir cerca de 6 metros também em dias de Lua Cheia.
 
Baia de Fundy- Canadá
 
Mas, temos uma novidade. Segundo estudiosos, a Baía de Todos os Santos, nunca foi invadida pelo mar. Mas como? Informam os especialistas: ”Durante o Cenozóico o planeta experimentou um progressivo resfriamento que pouco a pouco resultou na acumulação de gêlo em altas latitudes. Uma conseqüencia desta acumulação foi o progressivo abaixamento do nível do mar. Esta tendência de queda foi interrompida no Mioceno inferior/médio, quando uma elevação da temperatura resultou em degelo e portanto elevação do nível do mar. A altura máxima alcançada pelo nível do mar nesta época ainda não está bem estabelecida mas se situaria entre 25 e 150m acima do nível atual dependendo da metodologia utilizada”.

A Baía de todos os Santos possui um contorno litorâneo de aproximados 300 Km. sendo, na realidade, um pequeno golfo composto por três baías. A própria Baia de Todos os Santos, a Baia de Aratu e a Baia de Iguape. Possui dois portos, o de Salvador e o de Aratu. Tem uma refinaria de petróleo, a Landulfo Alves, fábrica de cimento, a Cimento Aratu e, nas proximidades, o Complexo Industrial de Aratu com inúmeras indústrias.

A borda leste da baía é marcada por uma retilínea e íngrime escarpa tectônica, a escarpa de Salvador, o mais belo exemplar de um antigo bordo cristalino de fossa tectônica costeira existente em toda a América do Sul. Por possuir muitas vistas panorâmicas do alto da escarpa, a cidade de Salvador é conhecida também como cidade-belvedere.

Era de se esperar que esse extraordinário bem que a natureza nos deu estivesse “tinindo”. Poucos países no mundo tem o que nós temos. Muito pelo contrário. A nossa baía vem sofrendo ao longo dos anos uma agressividade ambiental das mais sérias. A nossa Petrobrás, por exemplo, anda a derramar óleo de vez em quando em suas margens. O último deles (abril do ano passado) na órdem de 2.5 mil litros atingiu diversas praias e prejudicou os manguezais do Rio Mataripe e do Rio Caípe.

De Santo Amaro, através do Rio Subaé, os dejetos industriais da Companhia Brasileira de Chumbo atingiram a Baía de Todos os Santos. Cádmio (Cd) e chumbo (pb) foram derramados na Baía de Todos os Santos.

Os portos de Salvador e Aratu não possuem controle dos impactos causados pela navegação – transporte de poluentes e lavagem dos navios. Estão sendo descarregados na BTS, intoxicando fauna, flora, praias e os habitantes das localidades próximas, que se contaminam no contato com os resíduos industriais.

A presença do porto de Aratu, da Base Naval, dos terminais da Ford e do Moinho Dias Branco é um fator de risco para a baía. Além delas há mais de cem empresas dos ramos mecânico, têxtil, petroquímico, agrícola e siderúrgico que, nos últimos 60 anos, desenvolveram suas atividades às margens do mar, liberando metais como cobre, cromo, chumbo, zinco, manganês e mercúrio.

A pesca com bomba é outra agressão imperdoável. Desde o Solar do Unhão até a Enseada dos Tainheiros, pratica-se a pesca com dinamite. Isso destrói a flora e a fauna, compromete os corais e locas submarinas, além de causar danos aos monumentos. Que o digam o Solar do Unhão e o Abrigo D.Pedro II.



Abrigo D. Pedro II
 
Dolar do Unhão

O crescimento demográfico desodernado contribui de maneira muito significativa para o desencadeamento de problemas ambientais, principalmente em virtude dos esgotos lançados no mar. Os Alagados do Porto dos Mastros, Lobato e Uruguai são os maiores responsáveis. Chegaram a colocar uma rede para aparar as coisas de maior volume. Acho que já não existe mais. Os dejetos se dirigem ao canal que se inicia na Enseada dos Tainheiros, atravessa toda a baía e vão se depositar para os lados de Cabuçu e Saubara.

De relação aos mangues, eles se extinguem aos poucos. Não há mais caranguejo na Bahia. Os que os restaurantes servem, vêm do Pará e do Maranhão. Camarão seco que vemos em profusão nas feiras livres, vem de Sergipe.

Vermelhos de todas as espécies eram capturados no canal entre Salvador e Itaparica. Tainhas e agulhas davam em abundância na Enseada dos Tanheiros, inclusive o nome Tainheiros originou-se dos “tanheiros”, pescadores de tainhas. Robalos eram pescados na Ponta da Penha em extensões de pontes de madeiras que ali existiam. Em baixo do flutuante do Hidroporto da Ribeira, dava robalo. Caconetes e cações eram apreendidos com facilidade nos arredores da Ilha de Maré. Grandes budiões azuis eram vistos no cais sul do Porto e no madeirame que sustentava os trapiches na Preguiça e do Porto. Polvos e caramurus eram pescados nos recifes da Boa Viagem, Canta Galo e Monte Serrat. Pescava-se com facilidade lagostas nos recifes de toda Mar Grande. Hoje a atividade pesqueira está extremamente diminuída ou quase extinta. A única pesca que ainda se mantêm é a de papa-fumos e siris-boias, estes últimos em áreas cada vez mais profundas. E ainda pescam, sem piedade, os siris prestes a desovar. Na ponta da Penha, onde existe um ponto de venda de pescado, pode se constatar esse fato. Um crime! Mais tarde, eles próprios (vendedores/pescadores) vão se lamentar por não existir mais siri-boia na Baía de Todos os Santos.

Não se tem notícia de nenhum plano de recuperação efetiva das atividades pesqueiras na Baia de Todos os Santos. Não há um plano de descanso da pesca. Pesca-se 365 dias no ano. Não se sabe até quando os papa-fumos resistirão. Quando acabar, vai ser um desastre. Dezenas de milhares de famílias vivem desse molusco.

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