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sábado, 6 de fevereiro de 2010

LEITURA PARA O CARNAVAL - 2

O autor desse blog produziu um livro ao qual chamou de “Alagados”. Quase ao final do mesmo, os antigos saveiros da Bahia são focalizados. É um assunto bem “cidade baixa”, portanto absolutamente dentro do contexto do blog.

Como estamos próximos do Carnaval e tem muita gente que não brinca, fica em casa, pensei que talvez fosse o momento exato de transcrevê-los para deleite dos que gostam de ler. Poderão até gostar, pois tem ilustrações e muita informação sobre essas tradicionais embarcações. Não custa nada!


Nota - Essa postagem é uma série. Pedimos que leiam a anterior para entender melhor o seu sentido.

21

Na manhã de segunda-feira Firmino viu Bené sair de lancha junto com o marinheiro. Não havia lhe falado nada, como era de costume. Nos dias seguintes, aconteceu a mesma coisa. Voltava por volta de meio dia. Almoçava e após o descanso ficava sentado na varanda olhando o horizonte. O que estaria havendo? Falou com Calixto. Pescar não era o caso, desde que nenhum peixe fora recolhido.

No sábado, Bené mandou chamar Firmino. Queria conversar com ele. Era um assunto importante. Bené subiu o morro com certa apreensão. Nunca vira o patrão daquele jeito.

- Firmino. Tomei uma decisão.
Firmino tremeu.
- Resolvi mostrar àqueles iatistas do que sou capaz. Tenho plena convicção que as tais regatas de saveiros e palestras resultantes, não resolvem nada. O que poderá definir o ressurgimento dos saveiros da Bahia é uma ordem econômica, como existia antigamente. Os saveiros precisam se sustentar. Regata só faz alegria de vento. Depois passa e não fica nada.
- E o que senhor pretende fazer?
- Já comecei faz uma semana.
- As suas saídas de lancha, não é?
Ah, você reparou! Não lhe disse nada. Desculpe. Precisava ficar sozinho.
- Estive visitando as ilhas e grande parte do recôncavo. Estive em Santo Amaro, Maragogipe e Itaparica. Fui à Nazaré das Farinhas e Santo Antônio de Jesus. Deixei a lancha em Mar Grande com o marinheiro e fui de carro até essas cidades. Também estive em Salvador.
E o porquê das visitas?
- Ordem econômica. Fui sentir se esses locais ainda tinham força econômica e se estavam dispostos a uma nova ordem. Aliás, nova não. Antiga ordem econômica.
- Como assim, não estou entendendo.
- Fui ver se eles estavam dispostos a transportar o que produziam por saveiros,pelo menos uma parte, como se fazia antigamente. É muito mais econômico e bem mais rápido.
- Mas Bené, o senhor sabe como ninguém que não é somente o problema de transporte. O maior problema reside onde vender as mercadorias transportadas, onde negociá-las. Antigamente, os saveiristas tinham o Mercado Modelo, maior centro de abastecimento de Salvador. Toda mercadoria era ali comercializada. Ainda tinham o Porto do Bonfim e o Porto da Lenha, aonde também chegavam alguns saveiros.
- Exatamente. Você tem toda a razão. Onde comercializá-la?

- Por esta razão fui a Salvador. Vou criar na Ribeira um grande Centro de Abastecimento. Estou em negociação com uma antiga fábrica e um clube de junto. A fábrica está fechada e o clube está falido. Vou juntar as duas partes e construir o maior centro de abastecimento de Salvador. Ali temos um porto natural. A questão de atracação é a melhor possível.

- É uma idéia ousada, mas é uma boa idéia. É das minhas. Conte comigo.

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