ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

sábado, 18 de dezembro de 2010

NATAL NA CIDADE BAIXA



A Cidade Alta está toda enfeitada de arranjos de Natal; a Barra também. O Dique do Tororó está uma beleza. Enquanto isto, a Cidade Baixa não recebe nenhum reforço festivo da grande data. Parece que se está em outro lugar, avesso a comemorações dessa natureza.

Procurando o passado, não encontramos nada. Não se sabe ter existido qualquer enfeite nessa importante parte de nossa cidade.

Seria por que lhe falta locais apropriados para tal ou é mesmo descaso do órgão encarregado por esse serviço?

Estamos pela segunda hipótese, senão vejamos:

Acima, mostramos o extraordinário e belíssimo Forte de São Marcelo. É um dos marcos de nossa cidade. Visto do alto, dos “belvederes” que a nossa cidade é pródiga, ele é belíssimo. Caberia em seu espaço uma grande árvore de Natal. E que tal contorná-lo com luzes de todas as cores, corredeiras, faiscantes.

Ao seu lado esquerdo corre o cais sul, contornando-o. Poderia também ser iluminado com paralelas de gambiarra. O mesmo poderia ser feito no cais norte, se não houver qualquer impedimento técnico por parte da Marinha.

Complementando, o nosso tradicional Mercado Modelo, poderia receber uma iluminação no contorno de sua fachada.


Por sua vez, a Marinha, a nossa querida Marinha, (temos uma admiração muito forte por essa corporação) poderia iluminar feericamente a sua Escola de Aprendizes de Marinheiro.

Aí o cenário ficaria completo!



Oh! Espere! Ainda tem o Elevador Lacerda. Pode-se se fazer muita coisa em sua estrutura.



Até no Coliseu se deu um jeito. Trata-se de um pinheiro de 25 metros trazido anualmente dos Alpes Italianos e que passou a colorir a noite do Coliseu a partir de 2006.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

AS SEMELHANÇAS ENTRE AS PONTES DE SALVADOR E A DO RIO

A ponte Salvador-Ilha de Itaparica tem semelhanças impressionantes com a ponte Rio-Niteroi, ao tempo de sua construção. Começa pelas suas dimensões. A do Rio de Janeiro tem 13.10 km. de extensão. A de Salvador, deve medir algo bem parecido. Fala-se em 13 km.

Antes de sua construção, fazia-se o percurso Rio-Niteroi-Rio em barcas que transportavam passageiros e veículos, mais aqueles do que estes. Havia uma precariedade! Caso contrário, os veículos se dirigiam até a cidade de Magé o que demandava uma distância superior a 100 km.

Coincidentemente, a “poupança” de trajeto quando a ponte de Salvador estiver construída é de 91 km, em linha reta. Com as voltas, chegaremos aos mesmos 100 km. da do Rio de Janeiro.

A ponte Rio-Niteroi trouxe notável desenvolvimento turístico à chamada Região dos Lagos. Ao contrário do que se falava, não acabou nem degradou nenhuma dessas cidades, muito pelo contrário.




PONTE RIO-NITEROI


Agora, vamos dar asas à imaginação – Em dia de sábado ensolarado, o cidadão soteropolitano resolve tomar uma banho de mar em Jaburu. Pega seu carro e em cerca de 15 a 20 minutos já estará do outro lado. Resolve almoçar. A ilha está repleta de belos restaurantes. Os investimentos nessa área foram grandes. Sem dúvida já às 15 horas estará em casa.

O mesmo acontece com o itaparicano. Que tal tomar um banho de mar na Praia do Porto? Em pouco tempo já estaciona na Barra. Depois resolve fazer umas compras em um de seus shoppings. Logo em seguida retorna.

Vamos torcer para que isto se torne verdade!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PONTE SALVADOR-ILHA DE ITAPARICA

A ponte que se pretende construir ligando Salvador à Ilha de Itaparica é o assunto do momento em nossa capital. Realmente é importante!

As pessoas que pensam no progresso enxergam nesse equipamento uma diminuição de cerca de 120 quilômetros de distância entre o sul e o norte. Isto é, os veículos ao chegarem a Santo Antônio de Jesus, pegam a estrada que liga esta cidade até Mar Grande e daí atravessam na ponte (ou de ponte, como queiram) até Salvador. São 91.075 km. a menos do que se dirigir até Feira de Santana e daí para Salvador, numa distância de 176.533 km.

Servimo-nos do Google Earth para precisar esses dados.


 
Santo Antônio-Salvador – 85.458 km. (TRAÇO VERMELHO / Salvador-Feira de Santana-Salvador –176.533 km. (TRAÇO AMARELO).

Já as pessoas lúdicas (1) só pensam que a ilha vai acabar, principalmente Itaparica. Seu grande forte virá abaixo. A Igreja de Nossa Senhora da Piedade será violada e o Solar do Rei será invadido pelos pobres de Salvador.

(1) O nome Luddismo (com dois d) se origina de Ned Ludd, líder do movimento de pessoas que invadiram as indústrias e destruíram as máquinas em 1811 na Inglaterra. Segundo eles, as máquinas estavam tirando o emprego de muita gente.
Da mesma forma que a Revolução Industrial modificou o mundo como um todo, apesar dos prejuízos localizados e pessoais dos ingleses, a Ponte Salvador-Ilha de Itaparica trará grandes benefícios à região como um todo, a médio e a longo prazos.

Numa hora como essa, não se pode pensar e agir como os operários ingleses. Tem-se que se pensar em Nazaré das Farinhas, em Santo Antônio de Jesus, em Valença e tantas outras cidades do recôncavo sul cujos produtos de seu naipe de produção chegarão a Salvador mais rapidamente e, consequentemente, com um custo de frete bem mais em conta. A metade praticamente!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A NATUREZA PINTA E BORDA


A foto acima é da Estação Ferroviária da Calçada. Em frente à mesma existem três grandes árvores, praticamente encobrindo quase toda a fachada do referido imóvel, pelo menos do ângulo que a mesma foi tirada. Nada de excepcional! Muito pelo contrário! As suas folhas estão minguadas e partes há que nem isto tem. Chega a ser patético.

No mês passado, entretanto, elas estavam assim: pintadas e bordadas de rosa pela Natureza.
Não fosse o cuidado que tivemos em focá-las do mesmo ângulo, dir-se-ia que não se trata do mesmo lugar. Impressionante!
Fica como um presente aos meus seguidores.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – SUA ÁGUA FAZ VELHA VIRAR MENINA

Não se pode falar em Itaparica sem que haja uma referência à sua água mineral proveniente da Fonte da Bica. Vamos começar com o painel ostentado no local e a foto da mesma:


Placa
Fonte da Bica

Segundo o rótulo das garrafas de água mineral, durante o período de sua comercialização, trata-se de águas bi carbonatadas e sulfatadas com teores de ácido carbônico, teor de radioatividade na fonte, a 20 graus centígrados de 0.82 meches.

A crença popular também indica que estas águas possuem um excepcional poder digestivo e diurético sendo recomendada especialmente para pacientes com problemas no fígado e baço.

"Água fina que faz velha virar menina". Era a sua maior propaganda. Afrodisiaca! Segundo análises de laboratórios, a água de Itaparica é semelhante à de Evian, na França, e age não pelo que leva ao organismo e sim pelo que dele tira.

Água mineral Evian - Francesa


A fonte dessa água foi descoberta durante a Revolução Francesa em 1789, na pequena cidade de Evian-des-Bains, próxima ao lago Léman (batizado de Lago de Genebra pelos vizinhos suíços). Tem sua origem na chuva e na neve que caem nos altos dos montes Chablais nos Alpes Franceses.

A de Itaparica tem origem no Morro de Santo Antônio. Mais simples!

sábado, 20 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – SISTEMA FERRY-BOAT

Fala-se muito hoje na ponte que ligará Salvador a Ilha de Itaparica. 70% da população são favoráveis pela sua construção. É um número expressivo! Seria menor se o Sistema Ferry-Boat fosse melhor. Desse percentual, certamente, a grande maioria já viveu as agruras de esperar na fila às vezes 12 horas ou mais. Para se ter uma idéia “espacial” do problema, num desses últimos feriadões, a fila de carros alcançou a Avenida Luís Tarquínio e a de pessoas, ficou perto do Largo de Roma. Só mesmo as belezas da ilha podem levar às pessoas a suportar este vexame.

Sempre foi assim? Não! Havia menos carros e menos gente। À medida que a população foi aumentando e, consequentemente, o número de carros foi crescendo, o sistema não acompanhou essa evolução.

Alegam seus arrendatários que é absolutamente anti-econômico manter um número elevado de ferries-boat além do necessário usado em dias normais। Os feriadões acontecem de vez em quando. Por exemplo, seriam necessários pelo menos mais cinco ferries.

Poderíamos até concordar com a tese, mas é justamente por isto que a ponte se faz necessária. (uma das razões sócio-econômicas de sua construção). É a tal da necessidade social. Até um determinado tempo não havia necessidade de mais ferries-boat, mas depois se fez necessário e muito e como esse aumento é por demais oneroso e insuportável (mais dias parados do que em movimento), a ponte terá que vir.
Terminal de São Joaquim

Terminal de Bom Despacho

Antigo Ferry-Boat

Novo Ferry-Boat

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA EM VERSO E PROSA

Ilha de Itaparica


Ao longo do tempo, Itaparica foi cantada em verso e prosa por diversos autores. É natural que isto acontecesse. Seus encantos enchem os olhos e o coração com cores e textura maravilhosas. Vejam, por exemplo, a descrição de sua fauna:

“Aqui se acha o marisco saboroso,
Em grande cópia e de casta vária,
Que para saciar ao apetitoso,
Não se duvida é coisa necessária:
Também se cria o lagostim gostoso,
Junto co'a ostra, que por ordinária
Não é muito estimada, porém antes
Em tudo cede aos polvos radiantes.
Os camarões não fiquem esquecidos,
Que tendo crus a cor pouco vistosa,
Logo vestem depois que são cozidos
A cor do nácar, ou da Tíria rosa:
Os c'ranguejos nos mangues escondidos
Se mariscam sem arte industriosa,
Búzios também se vêem, de musgos sujos,
Cernambis, mexilhões e caramujos.”


Ou a descrição de rios ou fontes e montes:


"Claras as águas são e transparentes,
Que de si manam copiosas fontes,
Umas regam os vales adjacentes,
Outras descendo vêm dos altos montes;
E quando com seus raios refulgentes,
As doura Febo abrindo os Horizontes,
Tão cristalinas são, que aqui difusa
Parece nasce a fonte da Aretusa.11
Amenos campos, amenas flores:
Aqui o campo florido se semeia
De brancas açucenas e boninas,
Ali no prado a rosa mais franqueia
Olorizando as horas matutinas:
E quando Clóris mais se galanteia,
Dando da face exalações divinas,
Dos ramos no regaço vai colhendo
O Clavel e o jasmim, que está pendendo".


Ou a descrição de suas frutas:

"Inumeráveis são os cajus belos,
Que estão dando prazer por rubicundos,
Na cor também há muitos amarelos,
E uns e outros ao gosto são jucundos;
E só bastava para apetecê-los
Serem além de doces tão fecundos,
Que em si têm a Brasílica castanha
Mais saborosa que a que cria Espanha"

Ou a descrição de sua força:

"Em um extremo desta mesma Terra
Está um forte soberbo fabricado,
Cuja bombarda, ou máquina de guerra,
Abala a Ilha de um e outro lado:
Tão grande fortaleza em si encerra
De artilharia e esforço tão sobrado,
Que retumbando o bronze furibundo
Faz ameaço á terra, ao mar, ao Mundo".


Ou a pesca da baleia:

"Corre o monstro com tal ferocidade,
Que vai partindo o úmido Elemento,
E lá do pego na concavidade
Leva a lancha com tal velocidade,
E com tão apressado movimento,
Que cá de longe apenas aparece,
Sem que em alguma parte se escondesse.28
Ou:
De golpe sai de sangue uma espadana,
Que vai tingindo o Oceano ambiente,
Com o qual se quebranta a fúria insana
Daquele horrível peixe, ou besta ingente;
E sem que pela plaga Americana
Passado tenha de Israel a gente,
A experiência e vista certifica
Que é o mar vermelho o mar de Itaparica".

Ou o burlesco irreverente de um Gregório de Matos
"Forte de São LorIlha de Itaparica, alvas areias,
Alegres praias, frescas, deleitosas,
Ricos polvos, lagostas deliciosas,
Farta de Putas, rica de baleias.
As Putas tais, ou quais não são más preias,
Pícaras, ledas, brandas, carinhosas,
Para o jantar as carnes saborosas,
O pescado excelente para as ceias.
O melão de ouro, a fresca melancia,
Que vem no tempo, em que aos mortais abrasa
O sol inquisidor de tanto oiteiro."
A costa, que o imita na ardentia,
E sobretudo a rica, e nobre casa
Do nosso capitão Luís Carneiro.



"

ILHA DE ITAPARICA – PARTE DE SUA HISTÓRIA

Os índios tupinambás foram os primeiros habitantes da Ilha de Itaparica. Em 1552 a ilha foi doada ao primeiro Conde de Castanheira, D. Antônio de Ataíde, Vedor da Fazenda de D. João III. Daí até 1763 a ilha teve vários donatários quando o governo da metrópole incorporou-a aos bens da Coroa. Houve protestos de herdeiros e em 1788 foi entregue à Marquesa de Niza, D. Eugênia Maria Josefa Xavier Teles de Castro da Gama, 7ª marquesa de Niza.

O primeiro povoamento foi criado pelos jesuítas já em 1560, oportunidade em que foi erguida a Igreja do Senhor de Vera Cruz, daí o nome da localidade.

A origem de seu nome tem alguma controvérsia. Normalmente, diz-se que é de origem tupi, significando “cerca feita de pedra”. Tem sentido. Efetivamente, a maior parte de sua costa é protegida por recifes, belíssimos por sinal. Prolonga-se desde Bom Despacho até a Ponta de Aratuba.

Há quem diga, entretanto que, Itaparica é uma corruptela da palavra “Caparica”, povoação às margens do Rio Tejo.

Ainda outros afirmam que o nome Itaparica deriva-se de “Taparica”, pai da índia Paraguaçu, esposa de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Essa é forte!

Enquanto hoje a ilha é essencialmente um pólo turístico, antigamente foi um centro de produção agrícola e de pecuária. As primeiras plantações de cana de açúcar e trigo foram feitas no seu espaço, bem como a criação de gado bovino. Também foram construídas destilarias de aguardente (cinco) e caieiras (nove) que fabricavam a cal utilizada na sua maior parte na construção de Salvador. Se não bastasse, a ilha era um empório de construções navais da colônia. Tem mais: durante os séculos XVII e XVIII a maior atividade econômica da ilha foi a pesca da baleia. Seu óleo iluminava as ruas e praças de Salvador.

Por este fato, antes de chamar-se Itaparica era conhecida como Arraial da Ponta das Baleias.

Pesca de baleias

A Ilha tem também seu lado guerreiro. Foi palco de grandes combates com corsários ingleses já em 1587. Depois, enfrentou as incursões holandesas entre 1600 e 1624. Estes últimos invadiram a ilha e construíram a Fortaleza de São Lorenço.

Muitos pensam que o este forte fora construído pelos portugueses como parte do sistema de proteção de Salvador. Não foi como acabamos de ver. Por outro lado, voltado que é para o oeste, não teria nenhuma validade estratégica nessa defesa.


Forte de São Lorenço -
Construído pelos holandeses



Rota das naus invasoras ao entrar em Salvador - encostadinhas em Mar Grande


Falando em defesa, os fortes construídos em Salvador para a proteção da cidade contra as invasões inimigas não tinham suficiente força de fogo (ou de bala) para impedir que essas invasões acontecessem. As naus inglesas, francesas e holandesas, entravam pela Baía de Todos os Santos, beirando Itaparica, longe do alcance dos canhões de Salvador. Foi por esta razão que muitas dessas naus chegaram a ilhas da Baia de Todos os Santos, como, por exemplo, a Ilha de Maré, invadida que foi nesses idos anos. Estavam à procura de viveres, principalmente água. Não podiam fazer a aproximação em Mar Grande devido a proteção natural dos recifes. Procuraram e acharam outras ilhas. Fácil! Tinha tantas!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – QUANTO DISTA DE SALVADOR?

A Ilha de Itaparica pertenceu a Salvador até 8 de agosto de 1833 quando foi emancipada e sua elevação como cidade se deu em 30 de julho de 1962 quando se emancipou de Vera Cruz, formando dois municípios distintos.

Ela tem 36 km de comprimento e 146km2 de superfície, sendo que 85.54km2 pertencem à Vera Cruz e 14.46km2 pertencem à Itaparica.

Esses números assustam e nos levam a pensar o porquê da separação. Afinal de contas 146 km2 para um município não é grande coisa. Poderia ter ficado como era, apenas Município de Itaparica. Mas não! Desmembraram em dois e na divisão, Itaparica que era o município original, talvez então com mais direitos, ficou limitado a reduzidos 14.46km2.

Ninguém até hoje entendeu os critérios. Conta-se, por exemplo, um diálogo havido em um passeio turístico:

“ Depois do almoço fomos fazer um passeio pela ilha de Itaparica junto com um pequeno grupo de turistas. O guia local, um baiano cheio de ginga, animou a turma durante a visita aos pontos turísticos. Assim que iniciamos o passeio pela ilha, aconteceu algo muito constrangedor, principalmente para os turistas brasileiros que estavam no microônibus. O guia falava da separação da Ilha em duas comunidades: a de Itaparica e de Vera Cruz. Ao terminar a explicação, um turista estrangeiro muito atento ao que falava o guia, perguntou:

- E qual foi o motivo da separação?

Não sei! Quem sabe morre! – respondeu o guia baiano, sem pestanejar”.
A partir daí o turista fechou a boca e não perguntou mais nada. Não queria arriscar.

Nós também não precisamos arriscar. Não tem mais jeito. É fato consumado. Vamos tratar de outras coisas mais amenas sobre a ilha. Mais técnicas. Por exemplo, qual a verdadeira distância que a separa de Salvador?

A maioria das publicações falam que a distância entre os locais mais próximos é de 13 km. Não é! Já ouvimos falar nessa medida de relação ao percurso que um nadador da Travessia Mar Grande-Salvador percorre entre a Praia do Duro e a Praia do Porto da Barra, tendo ele que fazer uma inclinação para dentro da baía em virtude das correntezas.

Rigorosamente, medindo os dois pontos mais próximos – Praia do Duro-Barra – essa distância se situa em 9.171 metros – linha laranja. A linha amarela, Terminal de Bom Despacho – Terminal de São Joaquim, mede 10.008 metros. Praia do Duro-Ponta do Humaitá – 10.199 – Praia do Duro – Baia de Aratu – 19,996 e Ponta do Garcez – Farol da Barrra – 29,294 mts.




Essas medidas foram tomadas via satélite. É um sistema que o Google possui, dos mais confiáveis. Antigamente não se tinha esse recurso!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – A GRANDE PONTE

O grande assunto do momento para os soteropolitanos é a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica. O governo anuncia a sua construção, inclusive na campanha eleitoral que se findou recentemente, o Governador apresentou na televisão um desenho de como seria a mesma. Ei-lo:
Ponte Salvador-Ilha de Itaparica

De logo, uma determinada leitora se pronunciou assim: “ Uma ponte ligando Itaparica a Salvador pode ser uma boa iniciativa. Porém deve ser estudada com muito cuidado, começando pela localização (o desenho mostrado na reportagem empunhado pelo governador assusta !!!).

Realmente assusta, repetimos nós. Como se percebe o começo da ponte em Salvado é na Praça Cayru. No máximo em cima da Escola de Aprendizes de Marinheiro como que aproveitando a Avenida do Contorno. Não dá para se pensar de outra maneira, pelo menos para as pessoas que conhecem Salvador e a sua Cidade Baixa.

Imaginem o tráfego de 8 pistas descarregando veículos nesse local. Seria o caos! Não há como aceitar a apresentação.

Mais um detalhe que assusta. Como se vê na foto, a ponte contorna o Forte de São Marcelo e se aproxima do Cais Norte que não aparece, mas ele existe e está localizado na extremidade direita ao alto, onde a ponte se curva. O Cais Sul está detalhado à esquerda do forte.

Sem a ponte, essa área já se constitui um problema técnico dos mais graves em se tratando de porto. Por quê? O Forte de São Marcelo foi construído séculos atrás em cima de uma coroa de areia e pedras ali existente. Portanto, o seu contorno também é raso para as necessidades de um porto, aonde chegam grandes navios. Consequentemente, a manobra entre o Forte de São Marcelo e o inicio do Cais Norte é das mais perigosas. Os grandes navios a evitam. Vão pela outra extremidade e também saem por lá.

Tanto isso é verdade que os dois ou três primeiros armazéns do Porto de Salvador estão praticamente inativos.

Se a ponte for construída dessa maneira, irá piorar ainda mais a situação que é caótica.

E o que fazer? Se faz necessário muito estudo. Um dos poucos lugares relativamente aceitável para a “saída” da ponte é na altura da Água de Meninos com saída pela Via Portuária, conforme se pode observar na foto e demonstração a seguir:

Saída em Água de Meninos - Via Portuária
Na Cidade Baixa, este é o único lugar possivelmente viável. Há umas complicações nessa área, quais sejam, principalmente, a ampliação do Porto. Alguém vai ter que ceder.

Vista a parte técnica de localização da saída da ponte, uma coisa preocupa todo mundo. A verba para a sua construção. Temos em nossa capital um exemplo significativo. Há 12 anos tenta-se concluir o mini-metrô de Salvador. Originalmente eram 15 km. Hoje está reduzido a menos de 7. Suas colunas conseguiram resistir a ação do tempo.

Tal não pode acontecer com uma ponte atravessando um canal de mar de cerca de 13 quilômetros com as curvas, saídas e entradas. (Na verdade, a distância entre Salvador e a ilha é de cerca de 10 quilômetros, em linha reta).

Se a ponte parar no meio, vai ser o caos. O salitre vai comê-la todinha. É impressionante a sua ação sobre as coisas que lhe estão próximas. Imaginem, dentro dela?

É preciso pensar muito sobre esta questão. Apenas um aviso!.

ILHA DE ITAPARICA – A EVOLUÇÃO DOS ACESSOS

A posição geográfica da Ilha de Itaparica em relação a Salvador sempre foi uma atração para que os moradores de ambos os lados procurassem atravessar o canal que separa as duas localidades. Os residentes em Salvador ávidos para veranear nas diversas localidades paradisíacas da ilha e os desta, para trabalho ou serviços outros que uma capital oferece.

Registre-se que só a partir de 1993 com a inauguração da Linha Verde, incrementou-se o veraneio nesse lado de nosso litoral. Verdade que já havia algum interesse em determinada localidades, principalmente Arembepe. De resto o veraneio das pessoas que moravam na Cidade Alta era em Itapagipe. (1920/1960)
E como se atravessava para o outro lado e vice-versa? De saveiro de vela de içar como este da foto adiante:

Saveiro

E como eram levados os utensílios da casa geralmente alugada a um morador local? Também de saveiro. Tinha saveiros enormes e se não bastassem, far-se-iam diversas viagens.

Esses saveiros geralmente saíam da rampa do Mercado Modelo, mas também tinham aqueles que aportavam no Cais do Ouro onde ficavam os trapiches e, diga-se de passagem, os trapicheiros eram, na sua maioria, pessoas ricas e com toda certeza veraneavam na ilha. Não se diga, entretanto que ele, trapicheiro, ficasse lá o tempo todo, principalmente numa época de festas em Salvador quando as vendas deveriam estar super aquecidas, mas, sem dúvida a sua família permanecia veraneando todo o tempo desde dezembro até fevereiro. O “sacrificado”, em termos, pegava seu saveiro no meio da tarde de cada sábado e se juntava aos seus, desde que ninguém é de ferro. Segunda, aí pelas 8 da manhã já estava de novo no batente. Acordava por volta das cinco horas, tomava o mingau da baiana e pegava o saveiro que saía às 6 de Mar Grande.

Essa rotina acabou aí por volta do ano de 1962 quando passou a circular o primeiro navio da linha Salvador-Itaparica-Maragogipe. Chamava-se justamente “Maragogipe”. As pessoas e os utensílios passaram a ser transportados por ele. Desembarcava-se em Itaparica e ficava mais fácil chegar a Mar Grande.
Navio Maragogipe

Tinha capacidade para 600 pessoas. Possuía 45,15 m. de comprimento, dos quais 42.50 de linha de água, calado de 2,35 e deslocamento de 364.7 toneladas.

10 anos mais tarde, em 1972 foi implantado o sistema ferry-boat, dando nova dinâmica ao transporte de pessoas, utilidades e até de veículos.

Um dos primeiros ferries-boat
O mais luxuoso - o de Ivete

A velocidade média da viagem de 15 nós (27.8 km/h) e a rapidez da viagem é resultado da diferença de peso do ferry boat, 300 toneladas com carga total, contra 900 toneladas dos outros ferries vazios.

Possui classe executiva, com capacidade para 110 dos 640 passageiros, com mesas, poltronas e ar-condicionado, além de uma lanchonete. Todo climatizado.
Ferry-boat aí pelo Mundo
Tem também catamarã

Como se vê, houve uma progressão de sistema de transporte entre as duas localidades, fato absolutamente natural à medida que as necessidades foram aumentando.
´
Agora, fala-se na construção de uma ponte. Tinha que ser! É uma consequencia das melhorias que foram se sucedendo ao longo dos anos, como acabamos de ver.

Claro que existem as pessoas que são contra e aquelas outras que se dizem a favor. Por exemplo, o escritor João Ubaldo Ribeiro é contra. Diz ele:
“É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam a cabotagem no Recôncavo, que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernos, em condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente”, escreveu, classificando os “proponentes” da ponte, de “ávidos sacerdotes de Mamon”.
(Mamon era o diabo que representava a avareza e o dinheiro, segundo demonólogos da Idade Média).

Outros intelectuais juntam-se ao grande escritor para protestar contra a construção da referida ponte.

Pessoas outras também, como a do senhor José. Diz ele:

“eu entendo a boa intenção das pessoas que querem uma ponte entre Salvador e Itaparica, mas penso que uma obra dessas vai destruir definitivamente a ilha como lugar de moradia para seus habitantes e destruir o paraíso que é hoje para os turistas.... A Ilha, seus moradores e seus visitantes não precisam dessa obra, não quer se tornar apenas um lugar de passagem para caminhões de carga e turismo predatório”.

Esta é uma opinião contrária. Vejamos uma favorável:

“Com certeza esta ponte irá desenvolver o Estado num todo, principalmente aquela parte do estado que se encontra do outro lado da Capital, parte do recôncavo, baixo sul e sul; estes estariam a uma distância mais curta da capital baiana cerca de 150 Km a menos. Salvador teria outra saída para estes pontos e teria também um encurtamento de distância até para os estados do Sudeste, além da Bahia-Brasília que também ficará mais curta, haverá desenvolvimento regional proporcionando emprego renda e inclusão social daquela parte, por se encontrar atualmente meio isolada naquele canto da Bahia.” Osmário Rios

Uma opinião ajuizada a que segue:

"Uma ponte ligando Itaparica a Salvador pode ser uma boa iniciativa. Porém deve ser estudada com muito cuidado, começando pela localização (o desenho mostrado na reportagem empunhado pelo governador assusta !!!). Há que se tomar muito cuidado igualmente com o impacto ambiental e humano que tal ligação acarretaria para a Ilha de Itaparica. O estado atual de abandono e de terra-sem-lei já está causando danos irreversíveis, como invasões de terrenos e orla, construções desordenadas, entulho e lixo por todos os lados, falta de segurança, bares e restaurantes sem alvarás de funcionamento e controle sanitário. Imaginem então com uma ponte e a Ilha ao Deus dará" Márcia Ruskstuhl

Uma outra muito boa:

“Com todo respeito aos intelectuais, só que ele não vivem na Ilha de Itaparica, não conheçem a realidade das pessoas nativas, não conhecem a péssima infra estrutura urbanística da Ilha, talvez apesar de suas intelectualidades, não tem a visão de perceber que além da Itaparica e Vera Cruz, todas as outras cidades a exemplo de Salinas, Maragogipe, Nazaré, Muniz Ferreira, e nossa Santo Antonio de Jesus, que deverá ter o principal papel nesta ligação das BRs 242 À 101 para escoamento da produção do estado com destino ao porto de Salvador”. José Ailton

Vistas as opiniões contrárias e a favor, podemos colocar na balança das conclusões finais que, a maioria da população de ambos os lados, quer a ponte. As pesquisas apontam nesse sentido (70% a favor e 30% contra). São números expressivos e esmagadores.

É de se destacar que, em verdade, essa ponte tem fundamentalmente mais uma razão econômica do que mesmo turística. Não é d'agora que se pensa nela. Desde a construção da BR 101 ligando o sul do País ao Norte, inclusive com a construção da Ponte do Funil, que se aventa a construção da ponte ligando a Ilha a Salvador.

Não se sente isto! Talvez porque tenha sido revivida em época de eleições. Focaram mais os traços turísticos de seu perfil. Talvez os paisagísticos que encantam os olhos e influenciam as mentes.

Aqui vale um parêntese importante. Não se viu na época da construção da Ponte do Funil que liga o continente ao sul da Ilha de Itaparica, nenhuma reação popular contra a mesma, muito pelo contrário, todos foram a favor. No entanto, esta ponte tirou o isolamento geográfico da ilha em relação ao continente. É como se tenha sido quebrada uma virgindade.

Porque então esta celeuma de relação à continuidade de uma via de fundamental importância econômica para o País como é a BR101? São 150 quilômetros a menos de distância.

Que ela vai transformar a Ilha, não há menor dúvida. Primeiramente, vai haver uma super valorização do seu espaço físico. Seus moradores terão o valor dos seus imóveis dobrados e triplicados muitas vezes. Mas há quem diga que são poucos os imóveis. Ledo engano. Veremos o número de habitações em fotos posteriores.

Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros
O que não se vê nessa celeuma sobre a ponte Salvador-Itaparica são as vantagens e desvantagens de pontes de igual natureza feitas em outras partes do País. Aí, sim, um ponto de referência importante. Por exemplo: temos recentemente o caso da Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros em Sergipe. O que resultou? O que aconteceu? Acabou com Barra dos Coqueiros? Não acabou! Muito pelo contrário. Vejam o seguinte comentário publicado na internet:
“Cidades como Aracaju, Barra dos Coqueiros, Pirambu, Santo Amaro das Brotas e Japaratuba foram beneficiadas diretamente pela ponte. O fluxo de pessoas e mercadorias entre essas cidades foi ampliado extraordinariamente, sem mencionar a possibilidade de aquecimento da economia, uma vez que o acesso ao porto estará ampliado. Pelo lado aracajuano a ponte pode ser acessada tanto a partir do centro, como a partir do município vizinho de Nossa Senhora do Socorro – cidade dormitório da Grande Aracaju –, o qual possui um pequeno Distrito Industrial, e diversos conjuntos habitacionais, como Marcos Freire I, II, e III. Todos ligados a BR-101 por uma rodovia estadual.
O município de Barra dos Coqueiros, maior beneficiário, já aprovou até um novo Plano Diretor para a cidade, prevendo um aumento de sua população para 50.000 habitantes em dez anos.
Outro benefício inusitado é o interesse dos locais pela arte da fotografia, muitos sergipanos têm usado a ponte como tema dessa arte. Já há até livros de fotografias sendo feitos sobre a ponte”.

Mar Grande/Vera Cruz-Ocupação habitacional
Itaparica

Já tem muita gente.
As pontes de Vitória
E o que dizer de Vitória, no Espírito Santo, sem as suas pontes? Não teria a beleza que tem e não teria crescido como cresceu em todos os aspectos que se possa abordar.

AS 56 ILHAS DA BAIA DE TODOS OS SANTOS

Em postagens anteriores, abordamos algumas ilhas existentes na Baía de Todos os Santos: Ilha de Maré, Ilha dos Frades, Ilha de Madre de Deus e a Ilha do Medo.
Nosso pensamento inicial seria abordar todas as ditas 56 ilhas pertencentes ao arquipélago. Seria um trabalho inaudito, desde que ninguém fez algo parecido. Pesquisaríamos uma por uma. Muitas delas que não conhecemos, seriam visitadas. Sentiríamos as emoções in loco, desde que todas elas, indistintamente, bolem com os sentimentos das pessoas, cada uma a seu jeito.

Começamos a traçar um plano e para nossa surpresa não encontramos nem a relação das tais 56 ilhas. Não chegamos a 40. O que fazer? Mesmo que partisse para as relacionadas, o trabalho ficaria incompleto.

E porque dessa falha ou falta? Estamos crendo que muitas delas não teriam nem nome, talvez uma denominação local que só seus moradores conhecem. Outra razão seria o fato de que algumas delas seriam muito pequenas, diminutas. Por fim, algumas outras seriam de propriedade particular e se escondem nesse fato.

Eis a nossa relação:Madre de Deus, Bom Jesus dos Passos, Matarandiba, Saraíba, Mutá, Olho Amarelo, Caraíbas, Malacaia, Porcos, Carapitubas, Canas, Ponta Grossa, Fontes, Pati, Santos, Coqueiros, Itapipuca, Grande, Pequena, Madeira, Chegado, Topete, Guarapira, Monte Cristo, Coroa Branca, Uruabo, Bimbarras, Maria Guarda, Santo Antônio, Franceses, Maré, Medo, Frades, Cal, Fontes, Pequena, Bom Jesús dos Passos

Igreja Nosso Senhor dos Passos

terça-feira, 16 de novembro de 2010

BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Baía de Todos os Santos

Olhem bem para esta imagem obtida via satélite. Sensacional! É a Baía de Todos os Santos. Ela penetra cerca de 50 quilômetros até os costados de São Francisco do Conde. Se não bastasse ela própria, formam-se dentro dela duas outras “baías”, a de Aratu e a de Iguape e ainda mais, é decorada com 56 ilhas de diversos tamanhos, todas elas paradisíacas. Enfim, um verdadeiro paraíso.

Mas foi sempre assim, desde o princípio da formação do mundo como ele hoje é? Não foi!

Em nossa postagem datada de 25 de março de 2010 tratamos do assunto। Escreviamo naquela oportunidade:

As baías se formam pela luta entre a força das ondas do mar e a resistência da costa. Quando o mar encontra um ponto menos resistente nas rochas, ele começa seu lento trabalho de erosão. A fenda vai se ampliando lentamente e forma a baía. Já as rochas de calcário fragmentadas formam a areia da praia.
Esta é a explicação mais simples, digamos popular, da formação das baías. Existem umas complicações teutônicas e cenozóicas por aí que, possivelmente, não caberiam num blog como este".


Devia ser mais ou menos assim!

Aí o mar com sua força irresistível foi fazendo das suas, encontrou um ponto menos resistente no bloco e foi penetrando. Do lado esquerdo formou a Ilha de Itaparica. Mais para dentro construiu outras bem menores segundo seus desígnios. Deu mais uma força e penetrou pelo continente à direita e construiu a Baia de Aratú. Para não ficar meio desajeitado fez à esquerda a Baia de Iguape. Quanto à vegetação, deixou que a própria natureza tratasse da questão. Os ventos e as aves trariam as sementes de outros lugares.

Há, entretanto, quem afirme que a Baía de Todos os Santos “nunca foi invadida pelo mar”। Justificam:

“ Durante o Cenozóico o planeta experimentou um progressivo resfriamento que pouco a pouco resultou na acumulação de gêlo em altas latitudes. Uma conseqüência desta acumulação foi o progressivo abaixamento do nível do mar. Esta tendência de queda foi interrompida no Mioceno inferior/médio, quando uma elevação da temperatura resultou em degelo e portanto elevação do nível do mar. A altura máxima alcançada pelo nível do mar nesta época ainda não está bem estabelecida mas se situaria entre 25 e 150m acima do nível atual dependendo da metodologia utilizada. Associado a este episódio de nível de mar alto teriam sido depositados na Bacia do Recôncavo folhelhos marinhos fossilíferos da Formação Sabiá e a Formação Barreiras. A retomada da acumulação de gelo na Antártica e o inicio do desenvolvimento dos grandes lençóis de gelo no Hemisfério Norte, a partir do Plioceno, resultaram no progressivo abaixamento do nível do mar. Nos últimos 2 milhões de anos, durante a maior parte do tempo o nível do mar esteve abaixo do nível atual, desencadeando um intenso processo erosivo nas zonas costeiras”.

Complementam:” A BTS está implantada sobre os remanescentes erodidos da bacia sedimentar do Recôncavo, um rifte abortado formado, durante a separação entre a América do Sul e África. A bacia do Recôncavo durante sua evolução inicial no Cretáceo inferior, nunca foi invadida pelo mar, e desde o final do Aptiano esteve submetida quase que continuadamente à erosão. Durante o Cenozóico o planeta experimentou um progressivo resfriamento que pouco a pouco resultou na acumulação de gelo em altas latitudes. Uma conseqüência desta acumulação foi o progressivo abaixamento do nível do mar. Esta tendência de queda foi interrompida no Mioceno inferior/médio, quando uma elevação da temperatura resultou em degelo e portanto elevação do nível do mar. A altura máxima alcançada pelo nível do mar nesta época ainda não está bem estabelecida mas se situaria entre 25 e 150m acima do nível atual dependendo da metodologia utilizada. Associado a este episódio de nível de mar alto teriam sido depositados, na Bacia do Recôncavo folhelhos marinhos fossilíferos da Formação Sabiá e a Formação Barreiras. A retomada da acumulação de gelo na Antártica e o inicio do desenvolvimento dos grandes lençóis de gelo no Hemisfério Norte, a partir do Plioceno, resultaram no progressivo abaixamento do nível do mar. Nos últimos 2 milhões de anos, durante a maior parte do tempo o nível do mar esteve abaixo do nível atual, desencadeando um intenso processo erosivo nas zonas costeiras”.

Essa é a opinião de J.M.L. Dominguez e A.C.S.P Bittencourt da Universidade Federal da Bahia em trabalho apresentado no XXII Congresso da Associação Brasileira de Estudos do Quaternário na cidade de La Plata, Argentina, entre 21 e 23 de setembro de 2009.

Sua extensão é de 1.052 m2 com uma profundidade que varia de 10 a 42 metros. Recebeu este nome em 1501. Era dia de “Todos os Santos”, daí o seu nome.

Mapa da Baía de Todos os Santos

Vimos acima explicações técnicas /científicas de como se formou a Baia de Todos os Santos. Há, no entanto, histórias mais simples sobre sua formação. Por exemplo, há uma lenda narrada por cronistas que “no começo do mundo uma grande ave de plumas brancas alcançou o nosso litoral, após uma longa viagem. Não resistiu! Caiu morta! Suas longas asas transformaram-se em praias de um areia muito alva. Onde o coração bateu na terra, abriu-se uma grande depressão que as águas do mar invadiram, formando uma grande e formosa baía”.

A Baía de Todos os Santos tem sua abertura voltada para o sul. Do lado de Salvador é balizada pela Ponta do Padrão, nome como era conhecido o hoje Farol da Barra; do outro lado pela Ponta do Garcez, numa distância aproximada de 33 quilômetros. Aprofunda-se por cerca de 50 km até a cidade de São Francisco do Conde. Vai mais longe: até Bom Jesús. 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FOTOS ENQUANTO SE DESCANSA

Para tudo na vida tem que haver um descanso. Até para escrever! É o nosso caso. Há mais de um mês começamos a escrever sobre o Subúrbio Ferroviário de Salvador. Havíamos passado de lado, encantados com São Joaquim e tudo o mais que vinha pela frente. Achamos injusto e incorreto, desde que esta parte de Salvador também é Cidade Baixa.

Pegamos o trem e fomos até Paripe. Era para parar por aí, no máximo São Thomé. Mas não, dobramos a Ponta da Sapoca, belíssima, e deparamo-nos com Inema, a extraordinária praia, hoje dos Presidentes.

Já foi nossa muito antes. Ainda menino, chegávamos até ela de canoa e descansávamos num bambuzal que havia numa de suas extremidades. Isto na década de 1940. Ainda não havia o aparato militar que hoje se observa.

Seria um grande “ finale”, mas não. Caminhamos em direção à Baia de Aratu, sua Base, seu Porto e seu Clube de Iates. Em frente, a Ilha de Maré. Como resisti-la? Contamos a história de nosso time de futebol envolvido com uma moqueca de caçonete e um campo de barro.

Enxergamos a Ilha dos Frades onde os Tupinambás comeram dois frades. Poderia ter parado por aí, desde que as duas ilhas pertencem à Salvador e estariam dentro do contexto do blog.

Não paramos. É como um passeio de barco. Queríamos ver mais coisas. Fomos até Madre de Deus e constatamos a situação de pobreza de sua população, apesar da riqueza de seu solo.

Por fim, vimos de longe a Ilha do Medo. Só de longe. Tem-se a impressão que alguém ainda grita lá de dentro. Deve ser o clamor das almas sofridas.

Para compensar, relembrar e descansar nesse feriadão, escolhemos algumas fotos daquele centro nervoso onde se encontra o Mercado Modelo, Elevador Lacerda, Escola de Aprendizes da Marinha, etc. etc. Assim o blog não para, ou seja, não descansa.


Escola de Aprendizes de Marinheiros

Rampa do Mercado Modelo - ficou!

Escola de Aprendizes da Marinha

Monumento

Estação de Embarque da Navegação Baiana

Avenida da França

Mercado Modelo

Armazéns do Porto de Salvador

Elevador Lacerda visto do mar

ILHA DO MEDO

Ilha do Medo

A 3.588 mts. de Itaparica

Pequena mas terrível e assustadora। Esta é a Ilha do Medo. 12.000m2 de assombração. É o que dizem os pescadores de Itaparica a quem pertence o pedaço. Mas o que aconteceu na ilha? Uns contam que o lugar abrigava um asilo de loucos. Outros falam num leprosário e ainda tem gente que conta que determinado padre de Itaparica recebeu dinheiro para celebrar uma missa na ilha e não o fez. Quando morreu, sua alma passou a residir na ilha e aos gritos convidava os pescadores a assistir a missa sonegada. E há ainda os que narram que os negros faziam trabalhos de candomblé para afastar os brancos da região e outras intenções. Para que tal não continuasse, os jesuítas teriam colocados gatos selvagens na ilha. Aí os negros se foram!



Ilha do Medo vista do alto
Hoje a ilha é desabitada. Dizem que é por falta de água doce no local, no entretanto, há referências de que já abrigou um quartel e teria tido um hospital – ruínas existem que comprovariam as duas construções. Será? Sem água? De onde vinha o precioso líquido ou existe alguma fonte no local ainda não percebida?

Mas há “há males que bem para o bem” segundo Ezequias, um dos reis de Israel entre 716 e 687 aC. Conta-se que ele contraiu uma doença considerada mortal e Deus assinou seu atestado de óbito. Não se conformou e orou a Deus que reconsiderasse o fato. Deus atendeu a Ezequias, dando-se mais 15 anos de vida vividos em meditação, dando-lhe paz. Posteriormente ela testifica: Há males que vem para o bem. Nosso Deus dá a vitória até mesmo ao sentenciado de morte.

Em razão do conjunto de assombrações e medos, hoje a ilha é uma reserva ecológica, tombada oficialmente em 1991. Tem um exuberante bosque de árvores de mangue. Deve ser um extraordinário manancial de vida, sem ser de água.
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Extenso mangue

Realmente há males que vem para o bem. Eis um exemplo!


O inusitado das árvores
Vegetação retorcida
Banco de areia

De qualquer sorte bela